Karin Mensah – “Cabo Verde é tudo para mim, tudo”

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Artista sensível a causas sociais, Karin Mensah, cantora africana de origem cabo-verdiana, foi protagonista, com o seu Quinteto Jazz, num concerto em prol das pessoas afetadas pelo furacão Erin na ilha de São Vicente. Uma iniciativa pontual, realizada na Província de Verona, no âmbito do Film Festival da Lessinia, mas que se inscreve na linha do empenho constante da artista pela difusão da cultura e história de Cabo Verde, através da música e, de certo modo, também da sua atividade didática.

Dulce Araújo – Vatican News

Karin Mensah, para a qual “Cabo Verde é tudo, tudo”, foi protagonista com o seu quinteto jazz, num concerto de beneficência a favor da ilha cabo-verdiana de São Vicente, fustigada, na noite de 11 para 12 de agosto 2025, pelo furacão Erin, que deixou mortes e destruições.

O concerto teve lugar a 27 de agosto, no âmbito do 31º Film Festival da Lessinia, em Bosco Chiesa Nuova, Província de Verona, norte da Itália. Verona, cidade onde ela reside desde há anos, e onde fundou e dirige a Academia Superior de Canto, exercendo também a atividade de docência. 

A iniciativa em Bosco Chiesa Nuova contou com a colaboração de Alberto Zeppieri, produtor musical ligado a Cabo Verde através do projeto discográfico “Capo Verde, Terra d’Amore”; da Associação lar de Cabo verde – Milão e da Cônsul Honorária de Cabo Verde para a região italiana da Lombardia, Edna Lopes, a qual encaminhará o fundo recolhido para Cabo Verde. Será o resultado da sensibilização, através da música do arquipélago nos seus vários géneros, morna coladeira, funaná… e de celebres figuras como Cesária Évora – explicou Karin Mensah, sempre pronta para iniciativas pontuais de solidariedade, mas que quer sobretudo dar a conhecer, em permanência, a cultura de Cabo Verde através da música. 

Falando ao nosso Programa “África em Clave Cultural: personagens e eventos” ela deu-se a conhecer como artista, a sua pertença a vários mundos que exprime através da música e a sua atividade didática através da Academia por ela fundada e dirigida e o amor que a mãe lhe transmitiu por Cabo Verde.

Não falta, no Programa, a habitual crónica de Filinto Elísio (Rosa de Porcelana Editora) a ilustrar os caminhos percorridos até hoje pela Karin Mensah, cuja voz e palavras podem-se ouvir em baixo: 

Crónica 

“Karin Mensah 

Karin Mensah, é uma cantora com formação clássica de origem cabo-verdiana, cujo gênero preferido é o jazz, a música tradicional da África Ocidental e a música de Cabo Verde.

Nasceu Karine Jeanne Mensah em 8 de março de 1965, em Dacar, oriunda de uma família multicultural: o seu pai era meio cabo-verdiano e meio togolês, enquanto a sua mãe era meio francesa e meio cabo-verdiana.

Ela apreendeu cedo várias tradições musicais em seu entorno, que vão do afro aos sons soul, desenvolvendo assim uma rica e variada formação musical. Em 1975, entrou na Escola de Artes para Dança e Canto em Dakar e começou a cantar profissionalmente no teatro e na televisão aos 11 anos. O seu pai foi uma influência para ela, pois gostava de música clássica e ópera, géneros não muito cultivados em África.

Aos 19 anos, mudou-se para Paris, onde se formou em Línguas e Literaturas Estrangeiras pela Universidade Paris X Nanterre. Ao mesmo tempo, aprofundou os seus estudos de canto, especializando-se em canto clássico e moderno. Possui uma sólida formação musical, com estudos de pós-graduação no Instituto Orff, em Salzburg, aprendendo metodologia educacional, teoria musical, canto, e técnica vocal.

Mais tarde, decidiu mudar-se definitivamente para a Itália, especializando-se em canto lírico no Conservatório de Verona e continuando a desenvolver e consolidar a sua carreira no mundo do entretenimento.

Graças à sua versatilidade vocal, ela teve a oportunidade de experimentar diversas formações musicais, desde jazz e etno-jazz até soul e gospel, apresentando-se em diversos festivais e shows de jazz.

O currículo de Karin inclui não apenas participações em diversos programas de televisão, mesmo como jurada no programa Amici em 2009, mas também importantes colaborações com artistas como Zucchero, Mariah Carey, Anggun, Miguel Bosè, Teofilo Chantre, Enrico Pieranunzi, Dany Silva, Tito Paris, Paolo Birro, Giorgio Panariello, Paolo Belli, Anna Oxa, Bobby Solo, Andrea Braido, Bruno Lauzi, Jerry Calà, Paola & Chiara, Ivan Cattaneo, Fiordaliso, Titti Castrini e muitos outros.

Como solista gravou “Souvenirs de Paris”, “Paris Jazzy”, “Morna de Cabo Verde”, “Orizzonti”, “Sodade e Morabeza” e ”Jazz/Bossa”, dedicados respetivamente à canção francesa, à música cabo-verdiana e à bossa nova.

Participou também de centenas de projetos de gravação, com destaque para o projeto “Capo Verde Terra d’Amore”, produzido por Alberto Zeppieri  que reverteu a favor do Programa Alimentar  Mundial (PAM) das Nações Unidas, com a música Mama África, um dueto com seu autor Dany Silva; a música Fragilamor, com Téofilo Chantre; “Marilena”, com Jerusa Barros; “Angola”, com Fiordaliso; “Sodade”, com Paolo Birro; “Occhi di Xandinha”, com Tito Paris; “Mare mio confidente” e “Mamma Criola”.

Em 2014, lançou Lélio Swing, baseado na música de Lelio Luttazzi. Trabalhou com outros artistas italianos no álbum, traduzindo as versões francesas das canções e adicionando ritmos latinos.

Para Jazz Music nos álbuns “Momenti di Jazz” com “Adesso si” com Sergio Endrigo, “Lelio Swing” com “Souvenirs d’Italie” dedicado a Lelio Lutazzi, “100% Frank” dedicado a Frank Sinatra com “Corcovado” e “Something Stupid”, “Lauzi cantava il jazz” dedicado a Bruno Lauzi com “Tuo padre Cantava il Jazz” e “Capo Verde in Jazz” com “Fior della esperança” com Enrico Pieranunzi.

Além de sua carreira artística, Karin leciona ativamente há muitos anos na “Accademia Superiore di Canto” em Verona, de que é atualmente Diretora. Ela é também autora do aclamado e best-seller manual “L’arte di cantare” e do manual “Canto e Pratica”.

Lecionou Canto Popular no Conservatório de Música Giuseppe Martucci, em Salerno, e atualmente leciona Canto Popular no Conservatório Nino Rota, em Monopoli.”

Filinto Elísio – Poeta, ensaísta, editor (Rosa de Porcelana Editora)

Fonte

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