Os 52 anos de Ministério Sacerdotal do Pe. Dominic no Golfo

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“Desde a minha ordenação, celebrei 8.124 batismos e 748 casamentos. Lembro-me de todos eles porque mantenho um diário no qual anoto o local, a data e as pessoas.” E quando perguntado sobre as missas, ele responde com confiança: “Foram 300.423 desde o primeiro dia da ordenação… e continuam, escrevendo a intenção a cada vez”, conta o sacerdote indiano ordenado na Igreja da Dormição em Jerusalém e depois enviado inicialmente ao Iêmen e após a Kuwait City.

Vatican News com AsiaNews

Uma missão que hoje se torna “mais difícil, mantendo uma certa discrição, mesmo ao exibir publicamente sinais visíveis [como cruzes]”, mas que deve ser vivida com fé e coragem, “dando testemunho dela com nosso comportamento, e não com palavras”. É o que afirma o padre Dominic Santamaria, sacerdote indiano e memória histórica da Igreja no Kuwait, onde exerce sua missão há mais de 52 anos. “Hoje podemos e devemos proclamar Jesus com gestos, com uma abordagem gentil”, prestando muita atenção “à linguagem que usamos, aos nossos discursos”. Devemos ser “corajosos, para permanecer mesmo diante de algum medo ou perigo”, mostrando assim “o rosto da santidade com nossa abordagem gentil, sem prepotência”.

O Kuwait faz parte do Vicariato Apostólico da Arábia Setentrional, um território que também inclui Bahrein, Catar e Arábia Saudita. Nele, se encontram diversas realidades com exigências peculiares para cada uma das quatro paróquias que dele fazem parte: a co-Catedral da Sagrada Família na Cidade do Kuwait, há muito tempo sede do Vicariato; a Igreja paroquial de Nossa Senhora da Arábia em Ahmadi; a Paróquia de Santa Teresa em Salmiya; e a Paróquia de São Daniel Comboni em Jleeb Al-Shuyoukh, mais conhecida como Abbasiya.

Em 16 de janeiro, o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, e o vigário apostólico, dom Aldo Berardi, presidieram a cerimônia eucarística para a elevação da igreja de Nossa Senhora da Arábia à categoria de Basílica Menor. Foi uma ocasião de festa para uma comunidade que o próprio vigário descreveu como “sofredora”, mas que não perdeu a esperança e é caracterizada por uma fé profunda e frutífera, como confirmado pelo Pe. Dominic, o primeiro sacerdote a ser incardinado neste Vicariato latino.

A reportagem da AsiaNews o encontrou na co-Catedral da Sagrada Família na Cidade do Kuwait, seu “lar” desde os primeiros dias de sua missão no emirado árabe, em 1973. Hoje, a comunidade é composta por mais de uma dúzia de sacerdotes da Índia, Filipinas e Sri Lanka, guiada pelo pároco, padre Gaspar Fernandes, um capuchinho indiano, com seus numerosos ritos: latino, siro-malabar, maronita e copta-católico. Nascido em Mapusa, uma cidade no distrito de Goa Norte, no território federado de Goa (Índia), em 17 de abril de 1945, o Pe. Dominic completou seus estudos no seminário do Patriarcado Latino de Jerusalém, perto de Beit Jala (proximidades de Belém, Palestina).

Ele foi ordenado sacerdote em 27 de junho de 1970, pelo então Patriarca Latino de Jerusalém, Dom Alberto Gori, na Basílica da Dormição, em Jerusalém. Sua primeira missão foi na Igreja da Sagrada Família em Crater, Aden, Iêmen. Em 27 de outubro de 1973, foi transferido para a catedral na Cidade do Kuwait, que se tornaria o centro de sua missão pelos 52 anos seguintes, missão que continua até hoje, embora, devido à idade e aos problemas de saúde, esteja confinado a uma cadeira de rodas. Por ter permanecifo no país durante os anos da invasão iraquiana e da (primeira) Guerra do Golfo, recebeu um primeiro reconhecimentode São João Paulo II, seguida, em 30 de novembro de 2005, pela Cruz de Honra “Pro Ecclesia Et Pontifice“, concedida pelo Papa Bento XVI.

O sacerdote relembra alguns dos eventos mais significativos da história recente do país, marcada por longos períodos de tensão e conflito, como a Primeira Guerra do Golfo, entre 1990 e 1991, após a invasão das tropas iraquianas lideradas pelo então ditador Saddam Hussein.

“Cheguei ao Kuwait pela primeira vez em 27 de outubro de 1973, quando tinha 28 anos”, explica o sacerdote indiano. “Eu vim do Iêmen, que na época fazia parte do Vicariato da Arábia Saudita, enquanto o Kuwait era um Vicariato separado.” Nos primeiros tempos, acrescenta, “os católicos não eram muito numerosos, depois começou o processo migratório com a chegada de fiéis de diferentes ritos. E, de celebrar missas apenas em inglês, passamos a celebrá-las em outros idiomas, com a chegada de novos padres.”

Em relação às celebrações, o padre originário de Goa manteve um registro meticuloso ao longo desses anos, atualizado no início de dezembro, quando o encontramos dentro da co-catedral onde mora: “Ao chegar, como eu era o mais jovem dos padres – conta ele – o então bispo [o espanhol dom Victor León Esteban San Miguel y Erce, ndr.] me confiou a tarefa de celebrar missas e ritos, como batismos e casamentos. Desde a minha ordenação, celebrei 8.124 batismos e 748 casamentos. Lembro-me de todos eles porque mantenho um diário no qual anoto o local, a data e as pessoas.” E quando perguntado sobre as missas, ele responde com confiança: “Foram 300.423 desde o primeiro dia da ordenação… e continuam, escrevendo a intenção a cada vez.”

Entre as muitas celebrações, ele menciona um “batismo especial” de uma criança que, ao final do rito, “me deu um rádio de pilha que uso ainda hoje. Lembro-me bem dessa pessoa”, diz o padre Dominic, “que faleceu nos estágios iniciais da Covid-19. A última vez que o vi, ele estava indo à Missa sorrindo, e então soube de sua morte. Algum tempo depois, conheci sua esposa, uma família que guardo em meu coração e em minhas orações.”

Os católicos no Kuwait “são muito ativos e participativos, dispostos a fazer sacrifícios para participar das celebrações, e a catedral [juntamente com a nova Basílica Menor] é seu ponto de referência. Muitas vezes, eles vêm de outras paróquias, onde encontram maiores dificuldades” em termos de ritos e funções.

Os desafios não diminuem seu entusiasmo e desejo de viver sua fé, enquanto permanecem parte integrante da mudança na sociedade e no país. “Hoje em dia há mais controles, as pessoas precisam ser mais cuidadosas”, confidencia o padre, “e até mesmo a relação entre os locais e os estrangeiros é mais complicada. Os trabalhadores migrantes recorrem à igreja em busca de ajuda, inclusive financeira, porque sua situação, principalmente econômica, é mais difícil. Política, colóquio inter-religioso e referências a certos estados”, enfatiza ele, “são questões delicadas hoje em dia”.

O padre Dominic reserva uma reflexão final sobre seus anos no Golfo: “Pessoalmente, não estou cansado desta missão, mas vivo a realidade do dia a dia todos os dias. E só peço”, conclui, “poder continuar rezando e sempre manter uma vida santa”.

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