O Seminário Propedêutico Mater Apostolorum, em Nampula (norte de Moçambique), abriu oficialmente o Ano académico-formativo de 2026 num contexto marcado por desafios pastorais e institucionais. Durante a celebração eucarística, o Arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saúre, voltou a denunciar a invasão ilegal do terreno do Seminário, alertando para a insegurança que afecta a formação dos seminaristas.
Cremildo Alexandre – Nampula, Mocambique
O Seminário Propedêutico Mater Apostolorum, da Arquidiocese de Nampula, abriu nesta segunda-feira, 09 de fevereiro de 2026, o novo Ano académico e formativo, numa celebração marcada pela oração, reflexão e apelos à fidelidade vocacional. O momento reuniu seminaristas, formadores, religiosos e convidados, num contexto pastoral exigente, marcado pela persistente ocupação ilegal do recinto do seminário.
Abertura do ano formativo em contexto de desafios
Na sua intervenção, o Reitor do Seminário, padre Ângelo Saíde, sublinhou que o tempo propedêutico constitui um período privilegiado de discernimento vocacional e de preparação interior. Exortou os seminaristas a aproveitarem bem o tempo, sendo fiéis à oração, responsáveis nos estudos e comprometidos com a formação integral, destacando a importância da vida comunitária, da maturidade humana e da escuta da voz de Deus.
Arcebispo alerta para insegurança causada pela invasão
Na homilia, o Arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saúre, voltou a denunciar publicamente a invasão ilegal do terreno do Seminário Propedêutico, situação que, segundo afirmou, continua a afectar negativamente o processo formativo e a colocar em risco a segurança dos seminaristas. O Prelado lamentou que, apesar da existência de documentos legais que comprovam a posse legítima do espaço pela Igreja Católica, a ocupação persista num clima de impunidade.
Referindo-se à realidade concreta da juventude moçambicana, Dom Inácio enquadrou a formação sacerdotal no contexto das fragilidades sociais e humanas que muitos jovens carregam, defendendo uma formação exigente, próxima e “terapêutica”, capaz de ajudar a curar feridas humanas e espirituais. Alertou ainda para o que classificou como “silêncio cúmplice” de algumas instituições, sublinhando que a tranquilidade e a dignidade da formação sacerdotal exigem segurança e respeito pela legalidade.
Responsabilidade da Igreja e apelo às autoridades
O Arcebispo estabeleceu um paralelismo bíblico com o desejo de Salomão de concluir a obra iniciada pelo seu pai, recordando que, embora a verdadeira lar de Deus sejam as pessoas, os espaços de formação precisam de ser protegidos para garantir a missão da Igreja. “Temos uma responsabilidade perante Deus, perante a Igreja e perante os pais destes jovens”, afirmou.
No final da celebração, Dom Inácio Saúre declarou oficialmente aberto o ano formativo de 2026, confiando o Seminário, os seminaristas e os formadores à intercessão de Maria, Mãe dos Apóstolos, e reiterou o apelo às autoridades competentes para que actuem com urgência no sentido de pôr fim à ocupação ilegal do terreno.
117 seminaristas iniciam o novo Ano académico
Para o Ano académico-formativo de 2026, o Seminário Propedêutico Mater Apostolorum acolhe um total de 117 seminaristas, sendo 43 diocesanos das dioceses de Nampula e Lichinga e 74 seminaristas religiosos, provenientes de várias Congregações, entre as quais os Missionários do Verbo Divino, Combonianos, Oblatos, Claretianos, Sagrada Família e São João Batista.


