Frei Fernando Maria, OFM Conventual, que cumpre a sua missão como confessor na Basílica de São Pedro fez para nós um resumo do Ano Jubilar.
Frei Fernando Maria, OFM Conventual
O Ano Jubilar de 2025, convocado pelo Papa Francisco, foi um marco de renovação espiritual sob o lema “Peregrinos da Esperança”. O coração teológico desse evento foi, sem dúvida, a passagem de Romanos 5,5, que serviu de bússola para os milhões de fiéis que cruzaram as Portas Santas.
Aqui está um resumo dos pontos centrais desse ano e a profundidade bíblica que o sustentou:
“A esperança não engana”
A escolha de Romanos 5,5 não foi aleatória. O versículo diz:
”E a esperança não engana, pois o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.” Neste contexto, o Jubileu focou em três pilares derivados desta promessa:
Certeza, não desejo: Ao contrário do otimismo humano (que é um desejo de que algo bom aconteça), a esperança cristã apresentada em 2025 foi celebrada como uma certeza teológica fundamentada na ressurreição.
O Dom do Espírito: O Jubileu enfatizou que a esperança é mantida viva pelo “amor derramado”, ou seja, uma experiência interna e transformadora, não apenas uma ideia abstrata.
Resiliência nas Tribulações: O capítulo 5 de Romanos precede o versículo 5 falando sobre como a tribulação gera a paciência e a paciência a virtude comprovada. Isso ressoou fortemente em um mundo pós-pandemia e marcado por conflitos globais.
Destaques do Ano Jubilar
O Ano Jubilar de 2025, sob o tema “Peregrinos de Esperança”, é um dos eventos mais significativos da Igreja Católica, ocorrendo tradicionalmente a cada 25 anos. Esse ano foi marcado por um intenso calendário de celebrações em Roma, focado em renovação espiritual, reconciliação e solidariedade global.
Abaixo, apresento os principais destaques e momentos marcantes do ano santo:
Abertura das Portas Santas
O rito mais emblemático foi a abertura das Portas Santas nas quatro basílicas papais de Roma. Cruzar essas portas simbolizou a passagem para uma nova vida de fé e a recepção da indulgência plenária.
Basílica de São Pedro: Aberta em 24 de dezembro de 2024.
São João de Latrão: 29 de dezembro de 2024.
Santa Maria Maior: 1º de janeiro de 2025.
São Paulo Fora dos Muros: 5 de janeiro de 2025.
Destaque especial: Pela primeira vez, o Papa abriu uma Porta Santa em uma prisão (Rebibbia), reforçando a mensagem de misericórdia para os detentos.
Calendário dos “Grandes Jubileus”
O ano foi organizado em eventos temáticos voltados para diferentes grupos da sociedade. Alguns dos principais foram:
Jubileu dos Adolescentes: Um encontro vibrante focado na juventude e na esperança.
Jubileu dos Doentes e do Mu:
Mundo da Saúde (Abril): Celebrando a compaixão e o cuidado.
Jubileu das Famílias e Crianças: Um dos maiores encontros, reunindo gerações na Praça de São Pedro.
Jubileu dos Jovens (28 de julho: O ponto alto do verão europeu, funcionando como uma “Mini-JMJ” em Roma, com vigília e missa em Tor Vergata.
Canonização de Carlo Acutis
Um dos momentos mais aguardados de 2025 foi a canonização do Beato Carlo Acutis, o “padroeiro da internet”. O evento foi um marco para a Igreja moderna, elevando aos altares um jovem que usou a tecnologia para evangelizar, servindo de inspiração direta para a Geração Z.
1.700 Anos do Concílio de Niceia
O Jubileu de 2025 também celebrou o aniversário de 1.700 anos do Primeiro Concílio Ecumênico de Niceia (ocorrido em 325 d.C.). Isso trouxe um forte componente ecumênico para o ano jubilar, com esforços de aproximação entre católicos e ortodoxos, incluindo discussões sobre uma data comum para a celebração da Páscoa.
Informações Práticas para Peregrinos
Para participar oficialmente, os fiéis utilizaram o Cartão do Peregrino (disponível via app ou site oficial), que garantiu acesso às Portas Santas e eventos principais, além de oferecer descontos em serviços na cidade de Roma.
Principais Eventos do Ano Jubilar:
O Ano Jubilar de 2025 teve um calendário intenso de celebrações, desenhado para que cada grupo da sociedade pudesse se sentir representado na “caminhada da esperança”.
A estrutura seguiu um ritmo mensal de grandes eventos em Roma, centrados na espiritualidade da reconciliação e no gesto simbólico da Porta Santa.
Aqui está o detalhamento desse itinerário espiritual:
Calendário dos Jubileus Específicos (Mês a Mês)
Para organizar o fluxo de milhões de peregrinos, o Vaticano dedicou datas específicas para diferentes realidades humanas e eclesiais:
Janeiro: Jubileu do Mundo da Comunicação e das Forças de Segurança.
Fevereiro: Jubileu dos Artistas e das Forças Armadas/Polícia.
Março: Jubileu do Voluntariado, focado nos que dedicam a vida ao próximo.
Abril: Jubileu dos Enfermos e do mundo da saúde, além do Jubileu dos Adolescentes.
Maio: Jubileu dos Trabalhadores, dos Empreendedores e das Bandas Musicais.
Junho: Jubileu dos Movimentos Eclesiais e o Jubileu das Crianças (um dos momentos mais vibrantes).
Julho: Jubileu dos Jovens (em sintonia com o espírito da JMJ).
Setembro: Jubileu dos Catequistas e dos Educadores.
Outubro: Jubileu dos Avós, dos Idosos e das Famílias.
Novembro: Jubileu dos Pobres e dos que sofrem exclusão social.
Dezembro: Jubileu dos Prisioneiros (marcado pelo gesto do Papa de visitar uma penitenciária).
O Rito da Porta Santa
A passagem pela Porta Santa na Basílica de São Pedro (e nas outras três basílicas papais: São João de Latrão, Santa Maria Maior e São Paulo Fora dos Muros) foi o ápice físico da peregrinação.
O Significado: Atravessar a porta simbolizou a decisão consciente de seguir a Cristo, que disse: “Eu sou a porta” (Jo 10,9). Não era apenas um corredor, mas uma transição da vida marcada pelo peso do passado para uma vida renovada pela graça.
O Gesto: Os peregrinos geralmente faziam uma breve oração em silêncio antes de cruzar o umbral, tocando as portas de bronze que retratam cenas bíblicas da redenção.
A Indulgência: Ao cruzar a porta santa, cumprindo as condições (confissão, comunhão e oração pelo Papa), o fiel recebia a Indulgência Plenária, que significa a cura total das feridas deixadas pelo pecado.
A Confissão: O “Sacramento da Esperança”
Se a Porta Santa era o símbolo externo, a Confissão foi o motor interno do Jubileu. O Papa Francisco insistiu que o Jubileu não seria completo sem o encontro pessoal com a misericórdia de Deus.
Confessionários Multilínguas:
Durante todo o ano, as basílicas papais contaram com centenas de confessores em dezenas de idiomas, disponíveis em horários estendidos para acolher a massa de peregrinos.
Missionários da Misericórdia:
Padres com faculdades especiais para perdoar pecados reservados à Sé Apostólica percorreram Roma e o mundo para facilitar o retorno daqueles que estavam afastados da Igreja há décadas.
A Experiência do Peregrino:
O foco não era o julgamento, mas o alívio. Muitos relatos de 2025 destacaram a “ternura” no atendimento, reforçando que, como diz Romanos 5,5, o amor de Deus foi derramado para curar, não para condenar.
A morte do Papa Francisco e a eleição do seu Sucessor, Leão XIV, durante o Jubileu:
Falar sobre a morte do Papa Francisco é abordar um dos eventos mais marcantes da história recente da Igreja Católica, especialmente pelo contexto em que ocorreu: o Jubileu de 2025 (o Ano Santo da Esperança).
Como estamos em fevereiro de 2026, esse evento ainda ecoa fortemente em Roma e no mundo. Aqui estão os pontos principais sobre o que aconteceu:
1. A Morte durante o Jubileu
O Papa Francisco faleceu no dia 21 de abril de 2025, aos 88 anos. Sua morte ocorreu em plena celebração do Jubileu, um evento que acontece a cada 25 anos e atrai milhões de peregrinos a Roma.
Causa: Ele enfrentava complicações de saúde desde o início do ano, incluindo uma pneumonia grave e crises respiratórias que o levaram a longas internações no Hospital Gemelli.
Simbolismo: Ele faleceu na segunda-feira após o Domingo de Páscoa, tendo aparecido pela última vez na sacada da Basílica de São Pedro para a mensagem Urbi et Orbi.
2. O Impacto no Ano Santo
Pela primeira vez em mais de 300 anos (desde o Jubileu de 1700), um Ano Santo foi aberto por um Papa e fechado por outro.
Francisco abriu a Porta Santa da Basílica de São Pedro em 24 de dezembro de 2024.
O sucessor eleito, o Papa Leão XIV, foi quem presidiu o encerramento das celebrações e o fechamento das Portas Santas no final de 2025 e início de 2026.
3. O Legado e o Sucessor
A transição em meio ao Jubileu trouxe uma atmosfera única de “luto e renovação”. O Conclave ocorreu rapidamente em maio de 2025, elegendo o cardeal Prevost que assumiu o nome de Leão XIV.
Continuidade: O novo Papa manteve o foco de Francisco na misericórdia e no cuidado com os vulneráveis, mas também teve que lidar com o desafio logístico de assumir o comando de uma Igreja em meio a um evento global de massa.
Canonização adiada: Um exemplo do impacto prático foi o adiamento da canonização do Beato Carlo Acutis. Planejada originalmente para abril de 2025, ela foi reagendada devido ao período de luto e funeral do pontífice.
Atualmente, em 2026, a Igreja vive o chamado “Ano Especial de São Francisco”, proclamado por Leão XIV para celebrar os 800 anos da morte do santo de Assis, mantendo viva a espiritualidade que Jorge Bergoglio tanto defendeu.
Encerramento do ano jubilar de 2025:
O encerramento do Jubileu da Esperança ocorreu no dia 6 de janeiro deste ano de 2026, durante a Solenidade da Epifania do Senhor. Foi um evento histórico por marcar o fim de um Ano Santo que, pela primeira vez em séculos, foi conduzido por dois pontífices: iniciado pelo Papa Francisco e concluído pelo Papa Leão XIV.
Aqui está o resumo dos pontos centrais dessa cerimônia: O Rito do Fechamento da Porta Santa
O momento mais emblemático aconteceu às 9h40 na Basílica de São Pedro. Leão XIV, visivelmente emocionado, ajoelhou-se em oração silenciosa no limiar da Porta Santa antes de fechar os batentes de bronze. Este ato simbolizou o fim do período de indulgências especiais do Jubileu.
A “Quinta” Porta: Poucos dias antes, em 21 de dezembro, o Cardeal Vigário Baldo Reina havia fechado a porta da Prisão de Rebibbia, um gesto inédito de Francisco para levar o Jubileu aos encarcerados.
Números do Jubileu 2025
O balanço final apresentado pelo Vaticano confirmou o sucesso do evento, apesar da transição papal:
33,5 milhões de peregrinos visitaram Roma ao longo dos 378 dias do Jubileu.
7 mil voluntários (incluindo 2 mil da Ordem de Malta) deram suporte às celebrações.
A Homilia: “Igreja Viva ou Monumento?”
Durante a missa na Basílica, Leão XIV proferiu uma homilia provocadora e pastoral, focada em três pontos principais:
Acolhimento Real: Questionou se os milhões que passaram pela “soleira da Igreja” encontraram comunidades acolhedoras ou apenas monumentos frios.
Crítica à “Economia Distorcida”: Alertou contra o mercado que tenta transformar até a sede espiritual e a paz em “negócios”.
Geração da Aurora: Conclamou os fiéis a não deixarem a esperança morrer com o fim do ano jubilar, mas a continuarem como “tecelões de esperança”.
Anúncio do Próximo Jubileu
Como já é tradição, ao final da celebração, Leão XIV confirmou que o próximo grande marco será o Jubileu Extraordinário de 2033, em comemoração aos 2.000 anos da Ressurreição de Cristo.
Este encerramento solidificou a liderança de Leão XIV, como sucessor do Papa Francisco na Cátedra de São Pedro.
que agora volta suas atenções para a reforma do Palácio Apostólico e suas primeiras viagens internacionais programadas para este ano de 2026.
Paz e Bem!

