Cardeal Tempesta lança Carta Pastoral durante a Missa do Crisma

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Durante a liturgia, cerca de 800 sacerdotes diocesanos e religiosos que atuam na arquidiocese renovaram publicamente as promessas feitas no dia de sua ordenação, reafirmando o compromisso de servir a Deus e ao povo de Deus.

Carlos Moioli – Rio de Janeiro

Por ocasião da Missa do Crisma na Catedral de São Sebastião, no Rio de Janeiro, realizada na manhã de Quinta-feira Santa, 2 de abril, o arcebispo metropolitano, Cardeal Orani João Tempesta, lançou uma Carta Pastoral aos Sacerdotes com o título “Padres: Ministros da Comunhão e da Unidade”, reforçando o chamado à unidade e à fidelidade no ministério presbiteral.

Também conhecida como Missa dos Santos Óleos – quando são abençoados os óleos dos Catecúmenos e dos Enfermos e consagrado o óleo do Crisma –, a celebração manifesta de modo visível a comunhão do presbitério com o seu bispo.

Durante a liturgia, cerca de 800 sacerdotes diocesanos e religiosos que atuam na arquidiocese renovaram publicamente as promessas feitas no dia de sua ordenação, reafirmando o compromisso de servir a Deus e ao povo de Deus. “Hoje, o presbitério circunda o seu bispo, manifestando a comunhão íntima e sacramental que nos une no único sacerdócio de Cristo”, destacou o arcebispo.

A Carta propõe uma reflexão sobre a identidade e a missão do presbítero à luz da comunhão eclesial, especialmente no contexto do Ano Jubilar Arquidiocesano, que celebra os 450 anos da criação da Prelazia de São Sebastião e os 350 anos de sua elevação à categoria de Diocese do Rio de Janeiro.



Cardeal Tempesta

O texto destaca que o sacerdote é chamado a ser sinal visível de unidade, configurado a Cristo e enviado em missão para anunciar a Palavra, celebrar os sacramentos e testemunhar a fé. A Eucaristia é apresentada como fonte e centro dessa unidade, alimentando a vida espiritual do presbítero e impulsionando sua ação evangelizadora.

A Carta Pastoral aprofunda o fundamento bíblico da comunhão ao retomar a imagem paulina do Corpo de Cristo, ressaltando que, embora diversos, os fiéis formam um só corpo em Cristo, sendo “membros uns dos outros”. Nesse sentido, a diversidade não é obstáculo, mas condição para a unidade, exigindo dos presbíteros uma vivência de colaboração, caridade e corresponsabilidade. O ministério sacerdotal é, assim, compreendido como participação na missão reconciliadora de Cristo, que reúne a humanidade e restaura a comunhão com Deus e entre os irmãos.

Dom Orani enfatiza na Carta a dimensão concreta da comunhão na vida do presbítero: consigo mesmo, com Deus, com a Igreja, com o bispo e com os demais sacerdotes. Destaca-se a importância da unidade interior, da vida de oração e da fraternidade presbiteral como caminhos para sustentar o ministério diante dos desafios pastorais e das tribulações. A carta conclui convidando os sacerdotes a renovarem o ardor vocacional, vivendo como homens de comunhão, capazes de gerar unidade no povo de Deus e de testemunhar a esperança no contexto da realidade contemporânea.

Missa da Unidade

Na homilia, Dom Orani destacou o significado da unidade do presbitério e o chamado à renovação espiritual no contexto da Semana Santa e do Tríduo Pascal, situando a celebração como ápice do caminho quaresmal, marcado por desafios e esperanças: “Chegamos muitas vezes cansados e abatidos, mas a Quaresma tem essa oportunidade de nos chamar à conversão e à mudança de vida”. Ele recordou que, mesmo diante das dificuldades pessoais e das realidades do mundo, como guerras e sofrimentos, a fé em Cristo conduz à renovação: “Com Cristo, mergulhados na morte, ressurgimos para a nova vida”.

A celebração, também chamada de Missa da Unidade, foi apresentada como expressão concreta da comunhão eclesial. “Prefiro chamá-la de Missa da Unidade, porque nos congregamos todos”, afirmou o arcebispo, ressaltando a presença de bispos, sacerdotes, diáconos, religiosos e fiéis reunidos em torno do altar. Segundo ele, este momento é ocasião de ação de graças pelos dons recebidos e de renovação da missão evangelizadora da Igreja.

Ao refletir sobre a liturgia da Palavra, Dom Orani destacou o sentido da unção na vida cristã e sacerdotal: “Somos ungidos para ir ao encontro dos necessitados, dos pobres, dos machucados deste mundo, para anunciar a vida e a salvação em Jesus Cristo”. Nesse contexto, a bênção e consagração dos santos óleos foram apresentadas como sinal da ação de Deus que alcança toda a Arquidiocese por meio dos sacramentos.

O arcebispo também enfatizou o caráter missionário da Igreja, recordando as iniciativas pastorais previstas ao longo do ano. “Os santos óleos simbolizam esse povo de Deus consagrado, missionário, evangelizado e evangelizador”, afirmou, convidando todos a assumirem com renovado ardor a missão de anunciar o Evangelho em meio às realidades desafiadoras da sociedade.

Dirigindo-se de modo particular aos sacerdotes, o arcebispo ressaltou a importância da renovação das promessas sacerdotais como expressão de fidelidade e entrega: “Queremos fazê-lo de coração aberto, alegres por sermos chamados para essa grande missão sacerdotal”. Ele também recordou momentos recentes da vida da Igreja, como o período da pandemia e as dificuldades enfrentadas por sacerdotes em regiões de conflito, destacando a comunhão com aqueles que não puderam estar presentes.

Ao mencionar a intenção de oração proposta pelo Papa Leão XIV para o mês de abril, Dom Orani reforçou o apelo à oração pelos sacerdotes, especialmente os que enfrentam dificuldades: “Que sejam cada vez mais homens de fé, que testemunhem a felicidade do Evangelho e sirvam com felicidade ao povo de Deus”.

Por fim, o arcebispo convidou todo o povo de Deus a rezar pelos sacerdotes e pelas vocações, e a viver intensamente a Semana Santa, reafirmando o compromisso missionário da Igreja: “Somos chamados a testemunhar, nesta cidade, que Cristo está presente e vivo no coração das pessoas”.

Um pastor que conhece, acompanha e sustenta os seus sacerdotes

No final da celebração, o cônego Cláudio dos Santos, como presidente do Cabido da Catedral do Arcebispado de São Sebastião do Rio de Janeiro, dirigiu uma mensagem de gratidão a Dom Orani, em nome de todo o clero arquidiocesano.

Inspirado no lema episcopal de Dom Orani — “Que todos sejam um” —, o cônego Cláudio ressaltou a constante busca do arcebispo pela unidade e comunhão na Igreja particular: “Reconhecemos ao longo de sua missão entre nós esta constante busca pela unidade, vivida de modo concreto no cuidado com cada sacerdote”. Ele também enfatizou a proximidade do cardeal com o clero, destacando sua disponibilidade no cotidiano: “Não há, nesta arquidiocese, qualquer sacerdote que possa dizer: ‘eu não consegui falar com Dom Orani’, porque o senhor tem o seu coração dilatado”.

O sacerdote ainda destacou a presença constante e o acompanhamento do arcebispo na vida dos presbíteros, tanto nos momentos de missão quanto nas realidades pessoais: “Temos experimentado a solicitude de um pastor que conhece, acompanha e sustenta os seus sacerdotes, não apenas nas exigências do ministério, mas também nas alegrias, desafios e tristezas da vida cotidiana”. Segundo ele, essa atitude revela a verdadeira caridade pastoral: “O seu cuidado atento e a sua palavra seguro e serena têm sido expressão concreta desta caridade pastoral que brota do coração de Cristo, o Bom Pastor”.

Ao recordar o significado da Quinta-feira Santa, dia da instituição da Eucaristia e do sacerdócio, o cônego Cláudio reforçou o sentimento de gratidão do clero: “Queremos manifestar a nossa gratidão ao dom da sua paternidade episcopal”. Ele também destacou o valor simbólico da Catedral como lugar de origem da vocação sacerdotal de muitos dos presentes: “Este é o lugar onde nascemos como padres e onde encontramos o sinal visível da unidade e do amor da Igreja”.

Ao concluir, o cônego Cláudio dos Santos renovou, em nome dos padres da arquidiocese, o reconhecimento pelo ministério de Dom Orani: “Receba a nossa homenagem sincera, o nosso agradecimento fraterno por todo o seu cuidado, zelo e dedicação com que conduz esta Igreja particular”. E assegurou a oração constante pelo arcebispo: “Continuaremos pedindo ao Senhor que o sustente com a sua graça abundante, fortalecendo-o na missão de santificar, ensinar e governar o povo de Deus”.

A mensagem foi finalizada com um gesto de comunhão e respeito, quando os sacerdotes presentes pediram a bênção do arcebispo, reafirmando a unidade do presbitério em torno de seu pastor.

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