Dia do Jornalista: Padre Cantífula destaca desafios e apela à ética e promoção da paz em Moçambique

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No âmbito das celebrações do Dia do Jornalista, que se assinala este sábado, 11 de abril, sob o lema “48 anos pela ética, liberdade de imprensa e justiça laboral”, o sacerdote da Arquidiocese de Nampula, escritor, jornalista e docente, Padre Cantífula de Castro, destacou os principais desafios enfrentados pelos profissionais da comunicação social em Moçambique, apelando ao reforço da ética, da responsabilidade social e do compromisso com a verdade.

Cremildo Alexandre – Nampula, Moçambique

Falando numa entrevista concedida por ocasião das celebrações do Dia do Jornalista, o Padre Cantífula de Castro, doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade Católica de Moçambique, reconheceu o esforço e a dedicação dos jornalistas moçambicanos, sublinhando que estes exercem a sua missão num contexto marcado por limitações de acesso à informação, pressões políticas e rápidas transformações tecnológicas.

Segundo o sacerdote, um dos desafios mais prementes continua a ser a liberdade de imprensa. Apesar dos avanços registados no quadro legal, persistem tensões entre o poder político e os órgãos de comunicação social, bem como dificuldades no acesso às fontes de informação, situação que se agrava em zonas sensíveis, como as áreas afetadas pelo terrorismo e conflitos armados.

Estas preocupações foram igualmente destacadas em conferência de imprensa realizada esta quinta-feira na cidade de Nampula, onde o secretário-geral do Sindicato Nacional de Jornalistas, Faruck Sadique, reconheceu melhorias no cumprimento da ética e da deontologia profissional, mas advertiu que ainda existem práticas que comprometem a credibilidade do jornalismo no país.

O dirigente sindical defendeu que a qualidade do jornalismo depende, em grande medida, do compromisso dos próprios profissionais, apelando a uma maior responsabilidade individual e coletiva no respeito pelas normas éticas e pelos valores que orientam a profissão.



Faruck Sadique, secretário-geral do Sindicato Nacional de Jornalistas, em Moçambique

Por sua vez, o Padre Cantífula de Castro referiu que muitas instituições enfrentam fragilidades financeiras, o que pode comprometer a autonomia editorial e incentivar práticas como o chamado “Karacatismo”, em que profissionais produzem conteúdos condicionados por interesses de sobrevivência económica.

O sacerdote destacou ainda a metamorfose digital como um desafio crescente para os jornalistas, sobretudo para aqueles que não tiveram formação adequada no uso das novas tecnologias. Neste contexto, defendeu a necessidade de reforçar a capacitação técnica dos profissionais, para que possam responder às exigências do jornalismo contemporâneo e lidar com fenómenos como os algoritmos e as métricas de audiência.

Relativamente à nova Lei de Imprensa recentemente revista em Moçambique, o sacerdote considerou tratar-se de um avanço relevante para a regulação da profissão, sobretudo com a introdução da carteira profissional do jornalista.

Por fim, o Padre Cantífula de Castro destacou o papel específico dos jornalistas católicos na sociedade moçambicana, afirmando que estes são chamados a atuar como mediadores entre a fé e o espaço público, promovendo valores como a dignidade humana, a justiça social, a solidariedade e a reconciliação nacional.

A desinformação e a proliferação de notícias falsas nas redes sociais foram igualmente apontadas como ameaças à credibilidade do jornalismo. Para o docente universitário, a credibilidade do jornalista constitui o seu principal património, devendo ser protegida através do rigor, da verificação dos factos e do respeito pelos princípios éticos e deontológicos da profissão.

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