Leão XIV visitou a comunidade da Pontifícia Academia Eclesiástica. “Num mundo marcado por tensões, que parece fazer dos conflitos a única maneira de enfrentar as necessidades e as instâncias, nossa capacidade de nos empenharmos no colóquio, na escuta e na reconciliação pode parecer insuficiente, às vezes até inútil. Isso não deve nos desanimar! Continuemos a invocar com confiança o dom da paz de Cristo, sem medo”, disse o Papa.
Mariangela Jaguraba – Vatican News
O Papa Leão XIV deixou o Vaticano, na tarde desta segunda-feira (27/04), para achar-se com a comunidade da Pontifícia Academia Eclesiástica situada na Piazza della Minerva, centro histórico de Roma, por ocasião de seus 325 anos fundação.
A Pontifícia Academia Eclesiástica, fundada por Clemente XI em 1701, tem como objetivo preparar, por meio de um curso de estudos especiais, jovens eclesiásticos para o serviço diplomático da Santa Sé, após a obtenção de um grau eclesiástico.
Comunhão, característica fundamental do Corpo Diplomático da Santa Sé
Ao chegar, Leão XIV descerrou uma placa comemorativa e, em seguida, assinou o selo que marca o aniversário. A ele uniram-se as assinaturas do secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, da presidente do Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano, irmã Raffaella Petrini, e do presidente da Pontifícia Academia Eclesiástica, monsenhor Salvatore Pennacchio. Após assinar o livro de visitas e as saudações dos presentes, o Papa dirigiu suas palavras aos superiores e alunos da Pontifícia Academia Eclesiástica.
No iniciou de seu discurso, Leão XIV manifestou a felicidade de fazer sua “primeira visita como Romano Pontífice a esta antiga e nobre instituição, por ocasião do jubileu de seus 325 anos”. “Olho com profunda gratidão para a história de dedicação e serviço que este feliz aniversário celebra”, disse o Santo Padre aos superiores e alunos da Pontifícia Academia Eclesiástica.
De acordo com Leão XIV, “as recentes mudanças em vários aspectos da formação acadêmica e intelectual conferiram à Instituição a autonomia necessária para renovar o quadro de estudos das disciplinas jurídicas, históricas, políticas e econômicas, bem como das línguas utilizadas nas relações internacionais”.
O Papa reiterou “que a reforma mais relevante pedida a quem entra nesta comunidade é de um exercício constante de conversão, visando cultivar «a proximidade, a escuta atenta, o testemunho, a abordagem fraterna e o colóquio […] combinados com a humildade e a mansidão», virtudes que devem permear todo o seu ministério sacerdotal”.
A seguir, Leão XIV delineou “algumas das características do sacerdote diplomático pontifício que, participando no ministério do Sucessor de Pedro, acolhe e cultiva uma vocação especial a serviço da paz, da verdade e da justiça“.
Ser “pontes” e “canais”
Primeiramente, ele é um mensageiro do anúncio pascal: “A paz esteja convosco!”. “Mesmo quando as esperanças de colóquio e reconciliação parecem se dissipar, e a paz é pisoteada e severamente posta à prova, vocês são chamados a continuar levando a todos a palavra de Cristo Ressuscitado: «Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou»”, disse o Santo Padre, acrescentando:
Testemunhar a Verdade que é Cristo
Depois, nos mais diversos contextos culturais e nos organismos internacionais, o diplomata pontifício “é especialmente chamado a testemunhar a Verdade que é Cristo, levando a sua mensagem ao fórum das nações e tornando-se sinal do seu amor por aquela parte da humanidade que lhe é confiada em sua missão de pastor, antes mesmo de diplomata“.
Defesa de toda família humana
Por fim, o diplomata pontifício se prepara “para exercer um ministério singular, que não se limita apenas à defesa do bem da comunidade católica, mas de toda a família humana que habita uma determinada nação ou que participa das instâncias dos diversos organismos internacionais“.
“Isso exige que sejam promotores de todas as formas de justiça que ajudam a reconhecer, reconstruir e proteger a imagem de Deus impressa em cada pessoa”, disse ainda o Papa. “Na defesa dos direitos humanos — entre os quais se destacam os direitos à liberdade religiosa e à vida —, recomendo-lhes, portanto, que continuem indicando o caminho, não da antítese e da reivindicação, mas da tutela da dignidade da pessoa, do desenvolvimento dos povos e das comunidades e da promoção da cooperação internacional. Estes são os únicos instrumentos que permitem iniciar caminhos autênticos de paz”, sublinhou Leão XIV.
“Tenham certeza de que o seu generoso ministério, em qualquer tempo e em qualquer lugar, será sempre um instrumento para promover e proteger a dignidade de cada homem e mulher, criados à imagem e semelhança de Deus, e para aumentar o bem comum”, concluiu o Papa Leão.


