Specola Vaticana: um asteroide recebe o nome do Papa Leão XIII

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O Pontífice foi uma figura de destaque na história do Observatório Astronômico Vaticano, que ele reformou em 1891. Três outros corpos celestes receberam nomes de astrônomos: Giuseppe Lais, sacerdote e vice-diretor da Specola por trinta anos; o cardeal Pietro Massi, arcebispo de Pisa e presidente do órgão de 1904 a 1931; e Florent Constant Bertiau, astrônomo jesuíta belga.

Vatican News

A Specola Vaticana, Observatório Astronômico Vaticano, anunciou que quatro asteroides receberam nomes de pessoas importantes na história do organismo, incluindo o Papa Leão XIII, que refundou o Observatório em 1891. Os nomes foram recentemente divulgados no boletim WGSBN (V.6 nº 4) da União Astronômica Internacional. Os quatro asteroides foram descobertos pelo astrônomo lituano Kazimieras Černis e pelo astrônomo da Specola Vaticana, o padre jesuíta Richard Boyle, utilizando o Telescópio de Tecnologia Avançada do Vaticano (VATT), localizado no Monte Graham, Arizona. São eles: “(858334) Gioacchinopecci”, “(836955) Lais”, “(836275) Pietromaffi” e “(688696) Bertiau”.

O trabalho de Leão XIII em apoio ao Observatório Vaticano

“(858334) Gioacchinopecci” presta homenagem ao Papa Leão XIII, batizado como Gioacchino Vincenzo Raffaele Luigi Pecci. O Pontífice restabeleceu o Observatório Vaticano após a perda dos territórios pontifícios e das importantes estruturas astronômicas neles contidas (particularmente o observatório do padre jesuíta Angelo Secchi, localizado acima da Igreja de Santo Inácio, em Roma). Fotografias do Vaticano do início do século XX mostram as cúpulas dos telescópios do observatório no topo dos muros do Vaticano e a “Torre dos Ventos”. Na década de 1930, devido à iluminação elétrica que iluminava o céu noturno de Roma, os telescópios foram transferidos para o Palácio Apostólico em Castel Gandolfo, ao sul de Roma. Suas cúpulas ainda são visíveis hoje a quilômetros de distância. Um aumento maior da iluminação do céu romano levou à construção do VATT, no sombrio Monte Graham, na década de 1990.

Abraçar a “ciência verdadeira e sólida”

O Papa Leão XIII escreveu, no Motu Proprio “Ut Mysticam” de 1891, que instituiu a Specola Vaticana, que o Observatório ajudaria a monstrar ao mundo que a atitude atual e histórica da Igreja em relação à “ciência verdadeira e sólida” era (ao contrário do que seus detratores afirmavam) “abraçá-la, encorajá-la e promovê-la com a maior dedicação possível”. Em particular, a Specola ajudaria a promover “uma ciência nobilíssima que, mais do que qualquer outra disciplina humana, eleva o espírito dos mortais à contemplação dos eventos celestes”. As cúpulas visíveis acima dos muros do Vaticano e em Castel Gandolfo cumpriram esse papel de forma direta e acessível a todos, enquanto a atividade científica do Observatório beneficiou a comunidade de estudiosos. Outros asteroides também receberam nomes de papas. “(560974) Ugoboncompagni” homenageia o Papa Gregório XII por seu trabalho na reforma do calendário. Este também foi descoberto com o VATT. O Papa Bento XVI tem “(8661) Ratzinger”, um nome atribuído pelo astrônomo Lutz Schmadel no ano 2000.

O processo de atribuição

O processo de atribuição de nomes a asteroides é gerenciado pelo Grupo de Trabalho para Nomenclatura de Pequenos Corpos (WGSBN) da União Astronômica Internacional. Os asteroides recebem uma designação provisória após a descoberta, com base na data da observação. Quando a órbita de um asteroide é determinada com precisão suficiente e sua trajetória futura pode ser prevista com segurança, ele recebe um número permanente. Atualmente, aproximadamente 850.000 dos cerca de 1,3 milhão de asteroides conhecidos receberam um número permanente. Somente após receber esse número, os descobridores podem propor um nome definitivo para substituir a designação provisória. O nome proposto é analisado pelo Grupo de Trabalho e deve atender a diretrizes específicas. Uma vez aprovado, o asteroide é conhecido por seu nome oficial, escrito como “(número) Nome”.

Três asteroides dedicados a três astrônomos

Assim, “(836955) Lais” recebeu o nome de Giuseppe Lais (1845-1921), um sacerdote oratoriano e astrônomo italiano que foi vice-diretor do Observatório por trinta anos. Ele esteve envolvido no projeto internacional “Carte du Ciel” (“Mapa do Céu”), um atlas estelar fotográfico do início do século XX. “(836275) Pietromaffi” homenageia o cardeal Pietro Maffi (1858-1931), arcebispo de Pisa, que foi presidente da Specola Vaticana de 1904 até sua morte em 1931. Foi ele quem recomendou que o Observatório Vaticano fosse confiado à Companhia de Jesus para garantir altos padrões de pesquisa. Os jesuítas ainda administram o Observatório hoje. “(688696) Bertiau” recebeu o nome de Florent Constant Bertiau (1919-1995), um astrônomo jesuíta belga. Ele fundou o Centro de Cálculo do Observatório Vaticano em 1965. Foi pioneiro na análise computadorizada de dados e liderou importantes pesquisas sobre a distribuição de estrelas em nossa galáxia, a Via Láctea, e sobre a “poluição luminosa”, como aquela que forçou a realocação dos telescópios do Observatório Vaticano. A descoberta desses quatro asteroides e sua nomeação por membros da Specola Vaticana dão continuidade à intenção do Papa Leão XIII de apoiar a ciência e mostrar ao mundo e à Igreja que fé e ciência podem caminhar juntas.

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