A concelebração eucarística presidida pelo arcebispo Gintaras Grušas, seguida de procissão pelas ruas da capital lituana, deu início, no domingo (07/06), à VI edição dedicada ao tema “Construamos a cidade da misericórdia”. Ela não é feita de tijolos e edifícios, mas de “pessoas transformadas pelo amor de Deus”, disse o arcebispo na homilia.
Giovanni Zavatta – Vatican News
A concelebração eucarística na praça da Catedral, presidida pelo arcebispo Gintaras Grušas, seguida da procissão pelas ruas da cidade até a igreja do Sagrado Coração de Jesus, da qual participaram milhares de pessoas provenientes de cerca de 150 países de todo o mundo: foi a solenidade do Corpo e Sangue de Cristo que marcou no domingo (07/06) o dia de abertura do VI Congresso Apostólico Mundial da Misericórdia, que se realiza em Vilnius, capital da Lituânia, até 12 de junho. Não havia maneira melhor de iniciar o evento, disse dom Grušas na homilia, pois «a Eucaristia é o próprio centro da Misericórdia de Deus». E hoje «não será uma ideia, um símbolo ou uma antiga tradição religiosa desfilando pelas ruas de Vilnius. Hoje, o próprio Cristo vivo caminhará por esta cidade».
Particularmente significativo foi o itinerário seguido pela procissão, que passou por algumas igrejas que, durante a era soviética, foram fechadas ou transformadas em museus. Hoje «esses mesmos lugares proclamam novamente a mensagem da misericórdia de Deus, erguendo-se como poderosos símbolos da perseverança na fé e da renovação espiritual». Refletindo sobre o tema do congresso, «Construamos a cidade da misericórdia», o arcebispo (que também é presidente do Conselho das Conferências Episcopais da Europa) disse que ela não é feita de tijolos e edifícios, mas de «pessoas transformadas pelo amor de Deus».
Santa Maria Faustina Kowalska e a oração do terço
Os trabalhos propriamente ditos tiveram início na manhã de segunda-feira (08/06), precedidos pela missa celebrada pelo cardeal Rolandas Makrickas, que lembrou que foi justamente ali, na colina do Salvador, no antigo bairro de Rasos, entre 13 e 14 de setembro de 1935, que Santa Maria Faustina Kowalska teve a visão de Jesus, que lhe ditou a oração da Coroa da Divina Misericórdia. «Jesus, confio em Ti, esta é a chave de tudo”, disse o cardeal, observando que “a misericórdia não é apenas algo que recebemos, mas algo que somos chamados a doar” e “num mundo marcado por divisões, guerras, julgamentos e dureza, o cristão é chamado a ser um sinal vivo de misericórdia no perdão, na escuta, na paciência e na proximidade com quem sofre”.
Seguiram-se as intervenções do cardeal arcebispo de Cracóvia, dom Grzegorz Ryś; do Patriarca Ecumênico Bartolomeu e de John Pridmore, britânico, que ofereceu seu testemunho de redenção: de jovem criminoso no East End de Londres ao encontro com Deus e sua misericórdia, até a missão atual com jovens em situação de risco para inspirá-los a se libertarem da violência. À tarde, uma série de oficinas animou vários locais de Vilnius.
Bispos, teólogos e agentes da caridade entre os participantes
Entre os participantes do evento que termina em 12 de junho estão: o bispo de Minna, dom Martin Igwemezie Uzoukwu, fundador em 2002 do movimento dos Missionários da Divina Misericórdia e empenhado na Nigéria na promoção da paz em regiões de conflito; o sacerdote anglicano Nicky Gumbel; e Roseline Chaanine, secretária nacional da Divina Misericórdia no Líbano e coordenadora regional para os leigos no Oriente Médio; além da teóloga Donna Lynn Orsuto, de Tetiana Stawnychy, presidente da Caritas Ucrânia; e do Pe. Patrice Chocholski, diretor do Instituto Católico do Mediterrâneo em Marselha. Será o pro-prefeito do Dicastério para a Evangelização, arcebispo Rino Fisichella, quem abrirá os trabalhos na quinta-feira, dia 11 de junho, com a palestra “As obras de misericórdia como caminho de evangelização”: «experimentemos mais uma vez em nossa vida o quanto Deus é misericordioso com cada um de nós e renovemos nosso compromisso de construir cidades que sejam cada vez mais lugares de misericórdia», exortou dom Fisichella.

