Leão XIV visitou nesta quarta-feira (10/06) o Centro Prisional Brians 1, em Barcelona. Em sua saudação aos detentos, o Papa recordou que nenhuma pessoa perde a sua dignidade aos olhos de Deus e encorajou os presentes a não permitirem que os erros do passado definam o seu porvir.
Thulio Fonseca – Vatican News
Entre os diversos encontros previstos na etapa catalã da viagem à Espanha, a visita ao Centro Prisional Brians 1, na manhã desta quarta-feira, 10 de junho, foi um dos momentos mais intensos e carregados de significado humano e espiritual. Localizada em Sant Esteve Sesrovires, na região metropolitana de Barcelona, a penitenciária foi inaugurada em 1991 e está entre os maiores estabelecimentos penitenciários da Catalunha. Além de acolher homens e mulheres em regime prisional, abriga uma unidade hospitalar psiquiátrica de referência para todo o sistema penitenciário catalão.
Ao chegar ao centro, o Papa encontrou internos, agentes penitenciários, voluntários e membros da Pastoral Penitenciária da Diocese de Sant Feliu de Llobregat. O sacerdote Jesús Bel agradeceu a presença do Pontífice e destacou o trabalho realizado pela Igreja junto aos detentos por meio da celebração dos sacramentos, da catequese, da oração comunitária e do acompanhamento pessoal. Segundo o sacerdote, a visita do Santo Padre recorda ao mundo que também atrás dos muros da prisão existem pessoas que sofrem, desejam recomeçar e procuram seguir em frente.
Histórias de dor, fé e recomeço
Dois testemunhos marcaram o encontro. Montse contou ter redescoberto a fé justamente durante o período de encarceramento. Depois de anos marcados pelo sofrimento, pela perda do filho e por um profundo questionamento diante do silêncio de Deus, relatou ter encontrado novamente a esperança. Disse ter compreendido que Deus não era o responsável por sua dor e agradeceu o dom da fé, que a ajudou a abandonar o ressentimento e a reencontrar a paz interior. Josefina, por sua vez, recordou a educação cristã recebida desde a infância e afirmou que, mesmo nos momentos mais difíceis de sua vida, especialmente após o grave acidente sofrido por seu filho, jamais deixou de perceber a presença de Deus. Hoje, segundo relatou, é essa mesma fé que lhe dá força para enfrentar a experiência da prisão e continuar olhando para o porvir com esperança.
A dignidade que ninguém pode perder
Em sua saudação, Leão XIV afirmou ter ficado profundamente edificado pelos testemunhos apresentados e agradeceu o serviço prestado pelos capelães e voluntários da pastoral penitenciária. O Pontífice recordou que toda pessoa possui uma dignidade inviolável, porque é querida, criada e amada por Deus:
Dirigindo-se particularmente aos detentos, o Papa reconheceu o peso da separação dos familiares e o sofrimento provocado pela própria condição de privação de liberdade. Ao mesmo tempo, convidou-os a resistirem à tentação do desânimo e da perda da autoestima.
O passado não condena o porvir
Inspirando-se em Santo Agostinho, Leão XIV recordou que os erros cometidos não definem a identidade de uma pessoa e que a graça de Deus é capaz de transformar a história de cada ser humano: “Embora o desânimo e a tristeza marquem alguns momentos do seu caminho, lembrem-se de que os erros da vida não determinam a identidade de uma pessoa.” O Papa destacou ainda que o passado não precisa ser uma sentença definitiva, mas pode tornar-se um ponto de partida para escolhas novas, para a conversão e para a reconstrução da própria vida.
Sonhar o sonho de Deus
Na parte final da saudação, o Pontífice convidou os presentes a permanecerem abertos à ação do Senhor, que continua a falar ao coração de cada pessoa e a oferecer novos horizontes de esperança, mesmo onde existem barreiras físicas e limitações aparentemente intransponíveis:
Concluindo o encontro, Leão XIV confiou todos os presentes à proteção de Nossa Senhora das Mercês, padroeira dos encarcerados, e concedeu a sua bênção aos internos, funcionários e voluntários presentes.


