Dom Alberto Taveira: comunhão, desafios e a fé na Amazônia

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Em uma visita à Rádio Vaticano – Vatican News, em Roma, o arcebispo emérito de Belém, Dom Alberto Taveira, compartilhou reflexões sobre a sua trajetória, a transição ministerial e a força da fé católica na região amazônica. Acompanhado por uma comitiva de cerca de 25 pessoas, dom Alberto viajou para participar de um momento histórico para a Arquidiocese de Belém: a entrega do pálio ao seu sucessor, Dom Júlio.

Vatican News

Durante a conversa com o jornalista Silvonei José, dom Alberto explicou a importância do Pálio, uma insígnia litúrgica que simboliza a comunhão profunda do arcebispo metropolitano com o Papa e a responsabilidade de conduzir a sua província eclesiástica.

“O arcebispo metropolitano, ele tem, além da sua tarefa apostólica, pastoral, ele tem a possibilidade e o dever de estabelecer a comunhão com o Papa e fazer com que a sua Igreja e a sua província vivam esta comunhão”, afirmou.

Tendo recebido o Pálio em duas ocasiões anteriores — a primeira das mãos de São João Paulo II, quando foi nomeado para Palmas, e a segunda das mãos de Bento XVI, ao assumir Belém —, o arcebispo emérito expressou grande felicidade em acompanhar dom Júlio, que assumiu o governo pastoral da arquidiocese em agosto.



Encontro no Dicastério para a Comunicação: Andrea Monda (diretor do L’Osservatore Romano), Massimiliano Menighett (vice-diretor editorial Rádio Vaticano – Vatican News), Dom Alberto Taveira, João Addario, Diretor-Geral da Rede Nazaré de Comunicação, Silvonei José (Responsável Rádio Vaticano – Vatican News – Brasil), Alan Monteiro, (Assessor de Comunicação da Arquidiocese de Belém)

Fortalecimento dos laços com o Vaticano: Fundação Nazaré

A agenda em Roma também incluiu uma reunião estratégica na sede do Dicastério para a Comunicação do Vaticano. O objetivo do encontro foi estreitar os laços com a Fundação Nazaré de Comunicação, o braço midiático da Arquidiocese de Belém que conta com rádio, televisão, jornal e portal de internet há mais de 30 anos.

Embora nenhum documento formal tenha sido assinado, dom Alberto definiu o encontro como um “protocolo de intenções” promissor:

Colaboração Mútua: foram abertas perspectivas de cooperação recíproca entre o Dicastério e a Fundação Nazaré.

Voz da Amazônia: a parceria visa consolidar a fundação como um ponto de referência para que a voz da Igreja e do Papa se espalhe com ainda mais força pela Amazônia.

O arcebispo destacou o papel social e evangelizador dos meios de comunicação na região, relembrando a história de um vigilante noturno que enviou uma reclamação à rádio quando esta ficou temporariamente fora do ar, afirmando que a programação era a sua única companhia durante as madrugadas de trabalho. “Só isso aqui bastaria para a gente dizer: vale todo o trabalho de comunicação”, sublinhou.

Durante a entrevista

Durante a entrevista

A vida de um bispo emérito: “desaposentado”

Ao ser questionado sobre a sua nova rotina como emérito, dom Alberto brincou dizendo estar “desaposentado”. Ele revelou que o novo arcebispo, dom Júlio, de forma generosa, concedeu-lhe uma provisão de vigário geral que o permite continuar ativo em todas as atividades pastorais.

Atualmente, Belém conta com três bispos atuantes (o arcebispo, o auxiliar Dom Paulo e o emérito Dom Alberto), que vivem em comunidade e mantêm uma agenda intensa. “Os três bispos, nós não vamos a menos de dois lugares diferentes por dia, de domingo a domingo”, relatou, evidenciando a alta demanda pastoral da região.

Visita ao Dicastérioa para a Comunicação

Visita ao Dicastérioa para a Comunicação

Belém: uma Igreja viva e Mariana

Para os ouvintes do resto do Brasil, dom Alberto definiu Belém como uma igreja viva, expressiva e profundamente mariana. Ele destacou a proteção de Nossa Senhora sob vários títulos na cidade: Basílica Santuário – Nossa Senhora de Nazaré; Paróquia da Catedral – Nossa Senhora das Graças¸ Padroeira da Arquidiocese – Santa Maria de Belém.

Evocando o pensamento do Papa Bento XVI, o arcebispo defendeu que a piedade popular não é apenas uma preparação para a evangelização, mas já é a própria evangelização em prática.

O Círio de Nazaré

Dom Alberto classificou o Círio de Nazaré como uma “graça indescritível” e um evento de imensa força evangelizadora. Ele compartilhou uma tradição pessoal que instituiu na arquidiocese: ao final da procissão do Círio, ele permanece ao lado de padres e diáconos aspergindo água benta e abençoando a multidão de fiéis. “Nossa Senhora traz no colo o povo da Amazônia e o povo de Belém”, concluiu.

Eis a íntegra da conversa:

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