O Hamas anunciou a dissolução do órgão governamental da Faixa de Gaza, que governava desde 2007. A decisão dá início à transferência de poderes para um comité administrativo tecnocrático criado pelo “Board of Peace”
Roberto Paglialonga – Cidade do Vaticano
O Hamas anunciou na manhã desta segunda-feira a dissolução do órgão que governou a Faixa de Gaza durante quase duas décadas, abrindo caminho para a criação de um comitê tecnico e transitório para a implementação de serviços públicos e de uma administração civil.
A transição de poderes para o Conselho da Paz
“O chefe do comitê de emergência do governo, Mohammed al-Farra, apresentou oficialmente a sua demissão. Decidiu também dissolver o comitê para facilitar a transição administrativa e governativa para o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG)”, declarou à AFP Ismail al-Thawabta, chefe do gabinete de imprensa do governo do Hamas.
O NCAG foi criado pelo Board of peace (“Conselho de Paz”), presidido pelo chefe da lar Branca, Donald Trump, e é atualmente liderado pelo funcionário palestino Ali Shaath. A notícia chgou poucas horas depois de algumas antecipações terem sido divulgadas por responsáveis do grupo islâmico.
As críticas do governo israelense
A reação do lado israelense é crítica. “A aparente demissão do governo do Hamas, em que todos os membros permanecem nos seus cargos, é uma manobra midiática sem significado. O Hamas teme ser declarado como quem está violando o acordo e, por isso, continua a adquirir tempo”, afirma uma fonte governamental israelense citada pelo Canal 11.
O papel do Hamas na governança Faixa de Gaza
A questão da governanã de Gaza no pós-guerra continua a ser um dos principais pontos críticos nas negociações sobre a implementação da segunda fase do plano de trégua. Israel rejeita qualquer regresso do Hamas ao poder, mas, até agora, também tem rejeitado uma tomada de poder direta por parte da Autoridade Palestiniana, com sede em Ramallah. O movimento islâmico governou a Faixa de Gaza durante cerca de vinte anos. Venceu as eleições legislativas em janeiro de 2006 e assumiu o controle da Faixa a partir de 2007, na sequência de um confronto violento com a facção rival da Al Fatah, dando início a um longo período de administração autónoma.

