Leão XIV pede fim da violência contra palestinos e avanço da solução de dois Estados

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A violência dos colonos israelenses contra palestinos na Cisjordânia ocupada atingiu níveis recordes, registrando um aumento alarmante de episódios marcados por invasões, destruição de propriedades e agressões físicas com o objetivo de deslocar comunidades locais. Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) e de entidades de direitos humanos apontam que a Cisjordânia vive um “ponto de ruptura” humanitário, agravado por ações coordenadas de grupos extremistas judeus

Vatican News

Renovo o meu apelo para que cessem as repetidas violências contra a população civil palestina na Cisjordânia e peço com urgência à comunidade internacional que faça em modo que progrida a solução de dois Estados, para uma paz justa e duradoura.

Logo após rezar o Angelus, o Papa Leão XIV dirigiu seu olhar para a Cisjordânia, onde a população palestina sofre com os ataques ilegais de colonos israelenses, que cresceram mais de 63% apenas no primeiro semestre, superando as marcas históricas anteriores. Autoridades registraram mais de 3.400 incidentes violentos, incluindo incêndios provocados em veículos, oliveiras e residências.

Cerco a vilarejo

 

Já dura uma semana o cerco a Qusra, vilarejo perto de Nablus, na Cisjordânia, Estado da Palestina. Seis moradores de duas famílias estão confinados em suas casas há dias, bloqueados por postos avançados de colonos israelenses, privados até mesmo de comida e água. Apesar do fechamento da área pelas Forças de Defesa de Israel (IDF) e de uma retirada parcial dos colonos, a situação permanece tensa.

A tentativa de restabelecer a eletricidade

 

Uma equipe da prefeitura de Qusra foi atacada no sábado por um grupo de colonos israelenses enquanto se dirigia à lar da família Abu Rida no vilarejo para restabelecer a rede elétrica, após ter sido danificada por colonos no início da semana.

Segundo a agência de notícias palestina Wafa, apesar do bloqueio militar da área pelas Forças de Defesa de Israel (IDF), na manhã de sábado um grupo de 15 colonos voltou a se aproximar de uma das casas dos palestinos. De acordo com fontes internacionais, entre as casas afetadas pelo cerco está a de Loui Ridi, um cidadão palestino-estadunidense, cuja família relatou que o fornecimento de água e eletricidade foi cortado e que eles não podem sair de lar por medo que o imóvel seja atacado.

Soldados israelenses são vistos enquanto colonos israelenses montam uma tenda do lado de fora da entrada de uma casa de família palestina sitiada na vila de Qusra, ao sul da cidade de Nablus, na Cisjordânia ocupada por Israel, em 14 de agosto de 2026, quase uma semana depois que os colonos começaram a bloquear casas palestinas, desafiando as tentativas do exército israelense de removê-las. Ativistas tentaram entregar suprimentos aos palestinos sob um cerco de colonos israelenses que durava quase uma semana na Cisjordânia em 14 de agosto, com o exército israelense novamente mobilizado no local do conflito. Todos os assentamentos israelenses na Cisjordânia, ocupada desde 1967, são ilegais sob o direito internacional, e os palestinos na Cisjordânia ocupada por Israel sofrem com a violência quase diária envolvendo tropas israelenses e colonos desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023. (Foto de Jaafar Ashtiyeh / AFP)

Soldados israelenses são vistos enquanto colonos israelenses montam uma tenda do lado de fora da entrada de uma lar de família palestina sitiada na vila de Qusra, ao sul da cidade de Nablus, na Cisjordânia ocupada por Israel, em 14 de agosto de 2026, quase uma semana depois que os colonos começaram a bloquear casas palestinas, desafiando as tentativas do exército israelense de removê-las. Ativistas tentaram dar suprimentos aos palestinos sob um cerco de colonos israelenses que durava quase uma semana na Cisjordânia em 14 de agosto, com o exército israelense novamente mobilizado no local do conflito. Todos os assentamentos israelenses na Cisjordânia, ocupada desde 1967, são ilegais sob o direito internacional, e os palestinos na Cisjordânia ocupada por Israel sofrem com a violência quase diária envolvendo tropas israelenses e colonos desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023. (Foto de Jaafar Ashtiyeh / AFP)   (AFP or licensors)

A condenação da Espanha

 

Enquanto os Estados Unidos continuam a pedir ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que condene o que está acontecendo, o Ministério dos Negócios Estrangeiros espanhol emitiu uma declaração para “exortar Israel a respeitar as suas obrigações”, “prevenir a violência arbitrária e a intimidação dos colonos contra os palestinos”. A diplomacia madrilenha reiterou também o seu seguro compromisso com a implementação da solução de dois Estados, “com Israel e a Palestina vivendo juntos em paz e segurança, como único caminho para uma paz justa, sustentável e duradoura na região”.

O aumento constante da violência

 

“Todos os dias recebemos notícias de violência cometida por colonos contra povoados palestinos. Este último caso é um exemplo entre outros”, afirmou o vigário geral do Patriarcado Latino de Jerusalém, dom William Shomali, a descrever a situação à Agência SIR. O prelado sublinhou que, apesar da retirada parcial dos colonos, a situação continua instável: “Mesmo que os colonos tenham se retirado das imediações da lar, eles permanecem na colina próxima e podem regressar a qualquer momento”. Para o vigário do Patriarcado Latino, a solução passa por um compromisso renovado da comunidade internacional: “Para pensar numa saída que garanta aos palestinos o respeito pelos seus direitos, o direito internacional deve ser fortalecido, dando mais força às Nações Unidas e ao Conselho de Segurança”. O seu pedido surge num momento em que cresce o alarme sobre o aumento dos incidentes de violência perpetrada pelos colonos na Cisjordânia.

Segundo as Nações Unidas, até o final de junho, cerca de 2.200 palestinos foram deslocados na Cisjordânia por causa da violência dos colonos ao longo deste anos de 2026.

Relatórios da organização israelense Yesh Din apontam que cerca de 91% das investigações de crimes de colonos contra palestinos são arquivadas sem condenação.

Ativistas palestinos, israelenses e estrangeiros tentam se aproximar de uma casa palestina sitiada por colonos israelenses em Qusra, na Cisjordânia ocupada por Israel, em 14 de agosto de 2026. REUTERS/Ali Sawafta

Ativistas palestinos, israelenses e estrangeiros tentam se aproximar de uma lar palestina sitiada por colonos israelenses em Qusra, na Cisjordânia ocupada por Israel, em 14 de agosto de 2026. REUTERS/Ali Sawafta

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