A violência também atingiu diretamente a assistência humanitária. Em 25 de agosto, um ataque nas proximidades destruiu um armazém que continha alimentos do UNICEF avaliados em mais de 770 mil dólares. Os suprimentos eram destinados a mais de 40,5 mil crianças vulneráveis, entre 6 e 23 meses de idade, além de cerca de 4,9 mil mulheres grávidas e lactantes. Em 24 de agosto, um poço e uma instalação de dessalinização apoiados pelo UNICEF, na região de Deir al-Balah, também foram danificados.
Vatican News
Pelo menos quatro crianças foram mortas e outras ficaram feridas na Faixa de Gaza nos últimos cinco dias, segundo informações divulgadas pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). No mesmo período, ataques também provocaram a destruição de um armazém com suprimentos alimentares destinados a milhares de crianças e mulheres e danificaram gravemente uma instalação de abastecimento de água apoiada pela organização, agravando ainda mais a crise humanitária enfrentada pela população palestina.
Entre as vítimas estão dois meninos, de 2 e 4 anos, mortos em ataques distintos; uma menina de 10 anos, atingida por disparos terrestres enquanto estava dentro de sua tenda; e um adolescente de 16 anos, que não resistiu aos graves ferimentos sofridos em um ataque anterior. No dia 25 de agosto, outras crianças também foram atingidas: três, de 8, 10 e 17 anos, ficaram feridas por projéteis, enquanto duas meninas de 11 anos sofreram ferimentos provocados por estilhaços. Segundo o UNICEF, as consequências dessas lesões poderão marcar permanentemente suas vidas.
A violência também atingiu diretamente a assistência humanitária. Em 25 de agosto, um ataque nas proximidades destruiu um armazém que continha alimentos do UNICEF avaliados em mais de 770 mil dólares. Os suprimentos eram destinados a mais de 40,5 mil crianças vulneráveis, entre 6 e 23 meses de idade, além de cerca de 4,9 mil mulheres grávidas e lactantes. A perda desse estoque representa mais um golpe para famílias que já enfrentam falta de alimentos e dificuldades para garantir as necessidades básicas de seus filhos.
Um dia antes, em 24 de agosto, um poço e uma instalação de dessalinização apoiados pelo UNICEF, na região de Deir al-Balah, também foram gravemente danificados por um ataque ocorrido nas proximidades. Mais de 4 mil pessoas, entre elas aproximadamente 2 mil crianças, dependiam da água potável fornecida pela instalação. Enquanto o sistema permanece sem condições de funcionamento, o UNICEF e seus parceiros passaram a distribuir água emergencialmente por meio de caminhões-pipa às famílias afetadas.
“Crianças estão sendo mortas e feridas, enquanto aquelas que sobrevivem veem os serviços e suprimentos essenciais dos quais dependem serem destruídos”, afirmou Edouard Beigbeder, diretor regional do UNICEF para o Oriente Médio e o Norte da África. Segundo ele, além da perda de vidas, a destruição de recursos vitais e os danos à infraestrutura básica aprofundam o sofrimento de crianças e famílias que já lutam diariamente pela sobrevivência.
A situação é particularmente preocupante durante os meses mais quentes do ano. Dados citados pelo UNICEF indicam que cerca de 70% da infraestrutura de água e saneamento da Faixa de Gaza foi danificada e que 63% da população não consegue acessar sequer seis litros de água potável por pessoa por dia. O acesso insuficiente à água aumenta os riscos de doenças, desidratação e desnutrição, especialmente entre crianças pequenas, que estão entre os grupos mais vulneráveis em situações de emergência.
Diante do agravamento da crise, o UNICEF voltou a pedir o pleno respeito ao direito internacional humanitário e aos direitos humanos, com especial atenção à proteção da vida e dos direitos das crianças. A organização também defendeu a preservação das infraestruturas civis e dos serviços essenciais para a sobrevivência da população, além da garantia de acesso humanitário ligeiro, seguro e sem obstáculos. Para a agência da ONU, proteger as crianças e assegurar a chegada de água, alimentos e outros recursos básicos continua sendo uma necessidade urgente em meio à devastação e à prolongada crise humanitária em Gaza.

