Um carregamento de ajuda humanitária da Comunidade de Trastevere chegou com sucesso a Santiago de Cuba, superando os obstáculos criados pelas restrições. A situação socioeconômica na ilha continua a piorar: a inflação está disparando e faltam itens de primeira necessidade. Innaris Suárez, chefe da Comunidade de Santo Egídio na ilha caribenha, disse: “Há muito cansaço e não se sabe se a situação vai melhorar”
Bianca Tombini – Vatican News
Em Cuba, em meio a uma profunda crise humanitária, a solidariedade faz a diferença. Graças ao empenho da Comunidade de Santo Egídio, foi possível arrecadar alimentos e medicamentos para distribuição à população, assolada pela inflação e pela crescente pobreza. Os produtos foram transportados para a ilha em um contêiner que, após semanas de espera, conseguiu atracar em Santiago de Cuba. Foi a determinação da Comunidade que permitiu superar os obstáculos impostos pelo embargo econômico, comercial e financeiro dos EUA, que a ilha sofre há décadas. A distribuição de ajuda tornou-se mais difícil com o agravamento das medidas restritivas e, hoje, as organizações humanitárias precisam implementar esforços financeiros e burocráticos sem precedentes para alcançar os mais vulneráveis. Innaris Suárez, chefe da Comunidade de Santo Egídio na ilha, afirma: “Somos gratos pela forma como todas as comunidades ao redor do mundo organizaram campanhas de arrecadação para enviar ajuda a Cuba; é uma ajuda preciosa nos tempos difíceis que estamos vivendo.”
Crise humanitária atinge o país
“A situação é muito difícil, com falta de itens básicos: alimentos, medicamentos, energia”, explica Suárez sobre a situação do país. A inflação, que torna o acesso a bens essenciais cada vez mais difícil, agrava a situação. “Mesmo onde há alimentos e medicamentos disponíveis”, acrescenta, “muitas vezes são inacessíveis para grande parte da população.” Além das dificuldades materiais, há uma incerteza igualmente profunda em relação ao porvir. “As pessoas estão desesperadas; temem que a situação nunca melhore e que piore”, explica Suárez. Esse cansaço permeia a sociedade cubana, tornando o apoio daqueles que continuam a levar ajuda e esperança ainda mais precioso.
O compromisso da comunidade
A ajuda que chega a Santiago de Cuba representa um apoio crucial para as iniciativas humanitárias da Comunidade de Santo Egídio na região, uma rede de intervenções voltada principalmente para os mais vulneráveis. Os alimentos são doados para refeições itinerantes para pessoas em situação de rua, para cozinhas comunitárias administradas pela Diocese e outras organizações e instituições religiosas, além de idosos que vivem sozinhos e pessoas com doenças crônicas e deficiências. O compromisso da Comunidade, no entanto, busca ir além da emergência. Como explica Suárez: “Com o tempo, percebemos que precisávamos oferecer cursos de capacitação para ajudar os jovens a iniciarem pequenos negócios, para que possam permanecer em Cuba.” A presença de Santo Egídio também busca enfrentar os desafios do cotidiano. “Jovens que não têm eletricidade em lar podem vir à nossa biblioteca para estudar e trabalhar”, explica a responsável, “e, ao lado dela, também foi inaugurada uma clínica onde pessoas em situação de rua podem receber tratamento e medicamentos.” Esses pequenos abrigos, em uma situação marcada pela incerteza, tornam-se espaços de esperança.
Obstáculos à solidariedade
Fazer chegar e distribuir ajuda a Cuba não é tarefa fácil. Os desafios começam imediatamente com o transporte de mercadorias em caminhões, complicado pela falta de combustível, e continuam com a sua conservação devido à falta de eletricidade. A falta de gás dificulta até mesmo o preparo de refeições para os necessitados e, em todo caso, como explica Suárez, “nunca há ajuda suficiente, não conseguimos alcançar todas as pessoas que precisam”. A essas dificuldades, ela explica, soma-se um crescente desinteresse pela situação na ilha. “Há uma imenso indiferença, e o mundo tem uma imagem um tanto romântica de Cuba, de um país que resiste e sempre consegue se reerguer”, diz ela. Essa imagem contrasta com a realidade da ilha: “Quando as pessoas vêm a Cuba, percebem que essa ideia romântica não corresponde à realidade”. Portanto, conclui ela, falar honestamente sobre a situação significa tornar visível um sofrimento que corre o risco de ficar distante dos olhos mundo.


