IMBISA – Religiosos e religiosas refletem sobre saúde mental

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“Cuidar de nós para cuidar dos outros”. A saúde mental e o autocuidado na vida consagrada estiveram no centro de um encontro regional promovido pela Associão Inter-regional dos Bispos da África Austral (IMBISA), que reuniu 29 participantes, provenientes de 8 países e 22 congregações da região da IMBISA.

Sheila Pires – África do Sul

O encontro que decorreu de 31 de agosto a 4 de setembro, no centro de conferência Padre Pio em Pretória, África do Sul, procurou oferecer instrumentos para compreender melhor as questões relacionada com a saúde mental, o trauma, o luto, as feridas não resolvido e o abuso de álcool, bem como promover uma cultura de auto-cuidado e acompanhamento nas comunidades religiosas.

Sob o tema ‘Saúde mental e autocuidado’, o programa combinou momentos de oração e celebração, apresentações, partilha de experiências e trabalho em pequenos grupos segundo a metodologia da conversação no Espírito.

Beneficiar-me para poder beneficiar os outros

Para a Irmã Natália Miguel, da Congregação das Filhas de Maria Auxiliadora e presidente da Conferência dos Superiores Maiores dos Institutos Religiosos de Angola (CIRA), o encontro aconteceu num momento particularmente relevante para a vida consagrada, e deverá também ser multiplicada em Angola.

A Irmã Natália expressou a intenção de realizar uma réplica da formação junto dos superiores maiores, formadores e formadoras, envolvendo também especialistas, para criar uma plataforma colaborativa e uma rede de especialistas capazes de acompanhar estas questões de forma profissional.(clip-

A mesma preocupação foi expressa pelo Padre Roberto Henrique Cissimo, religioso da congregação dos Podres Servos da Divina Providência, que participou representado Angola e a CIRA. Para ele, a formação permitiu “atualizar, abrir os horizontes e sobretudo perceber a atualidade deste assunto.”

Porém, para a Irmã Laurinda Miguel Cissimo, Franciscana Missionária da Mãe do Divino Pastor, o seminário foi como “uma cereja no topo do bolo” e uma oportunidade para desmistificar muitos aspetos relacionados com a saúde mental na vida consagrada.
“Levo isto para a vida, não para os outros só, mas também para mim, sobretudo para mim”, afirmou, desejando que futuras iniciativas possam alcançar mais pessoas.

Oiça a Irmã Laurinda Sissimo e o P. Alberto Sissimo


O mais relevante é o cuidado de mim mesma para poder cuidar dos outros

Da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), a Irmã Josefa Zita Nhatave, enfermeira e psicóloga clínica, destacou a importância de aprofundar uma questão que toca diretamente a sua experiência profissional.

“Sou enfermeira e trabalho com pessoas que sofrem de cancro. Tenho essa graça de poder ajudar as pessoas também na parte da saúde mental”, explicou.
Entre os aspetos que mais a marcaram esteve a reflexão sobre o abuso de álcool entre pessoas religiosas e consagradas, tema incluído no programa do encontro.

A Irmã Filipina Afonso, das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, também participante pela (CEM), considerou o encontro um sinal de que a Igreja leva mais a sério a realidade da saúde mental.

“Estou muito feliz de poder ver que a Igreja preocupa-se com este problema que é real”, disse. Para a religiosa, a saúde mental afeta as famílias, as comunidades religiosas e a Igreja em geral, pelo que dedicar tempo, recursos e pessoas competentes ao tema constitui um passo relevante.

“Tratar da saúde mental é realmente apostar na qualidade de vida das pessoas, na qualidade da nossa fé e na qualidade da nossa vida consagrada”, afirmou.

Oiça a irmã Filipa Afonso e a Irmã Josefa Zita Nhatave

Conforme a declaração final, os participantes comprometeram-se a ser, para a região da IMBISA, luz do mundo e sal da terra, conscientes de que, enriquecidos pela experiência vivida ao longo da semana, levarão esperança às pessoas, com a certeza de que a esperança não decepciona.

O Diretor do Secretariado da IMBISA, Pe. Enrico Parry, comprometeu-se a levar aos bispos do Conselho Permanente o desejo dos participantes de que as conferências episcopais trabalhem juntas para estabelecer algum tipo de mecanismo regional que auxilie os esforços locais em prol da saúde mental.

Fonte

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