No Peru, a corrente de oração pelo Papa

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No país andino, onde está programada a visita de Leão XIV de 11 a 17 de novembro, começou uma forte onda de solidariedade pela saúde do Pontífice, expressa também nas tradicionais festas religiosas deste mês de outubro, que reúnem milhares de fiéis. A professora Ruth Magali Rosas Navarro: “pedimos a Deus que conceda sabedoria e inteligência aos médicos. O Peru aguarda o Papa com grande fé, esperança e entusiasmo. Que ele continue a viajar, pois isso transforma o coração das pessoas”.

Antonella Palermo – Vatican News

Terços e orações especiais durante as missas são a expressão da oração dos católicos peruanos desde que tomaram conhecimento, durante o Angelus de domingo, 11 de outubro, de que o Papa será submetido a uma cirurgia para a remoção de um nódulo no pulmão. “Uma corrente de oração para que tudo corra bem e possamos recebê-lo no Peru”, é o que relata, da Universidade de Piura, a professora Ruth Magali Rosas Navarro, docente da Faculdade de Letras e Filosofia.

Que Deus guie as mãos dos cirurgiões

“Pedimos ao Senhor que infunda sabedoria e inteligência nas mãos dos médicos que irão operar o Santo Padre, para que a cirurgia tenha um êxito positivo. O Peru o aguarda com grande fé, esperança e entusiasmo, para receber uma mensagem cheia de encorajamento. Todo o Peru está em oração”. É assim que Navarro se expressa, interpretando o sentimento de um povo que está se empenhando para receber Leão na viagem apostólica, programada na América Latina de 6 a 17 de novembro. O Pe. Rosendo Cruz, da Paróquia de Santa Rosa de Lima, em Salitral, na diocese de Chulucanas, não esconde a preocupação, mas espera que o nódulo seja benigno. Ele conhece pessoalmente Robert Prevost e confia que a recuperação será rápida, para que possamos “ter o Papa de volta entre nós”.

A devoção popular invoca a ajuda do Senhor

A saudação que Leão dirigiu à comunidade peruana presente na Praça São Pedro para a procissão do Señor de los Milagros (o Senhor dos Milagres) chegou até o Peru, onde a festa de proporções extraordinárias — que costuma reunir cerca de 100 mil fiéis em Lima — está se tornando uma ocasião para pedir mais uma intercessão. “Certamente as irmandades, assim como os peregrinos do Senhor Cativo de Ayabaca (famosa escultura religiosa do Peru que retrata Jesus Nazareno capturado e abandonado pelos discípulos após o Getsêmani), que agora celebram sua festa, continuarão a confiar ao Senhor, por meio de cantos e súplicas, a saúde do Papa”, conta a professora. Patrimônio Cultural da Nação, essa festa, que culmina nesta terça-feira, 13 de outubro, no norte do país, gira em torno da efígie esculpida, segundo a lenda, de forma milagrosa por homens misteriosos que apareceram na vila. Essas pessoas deixaram um aroma de madeira fresca ao desaparecerem sem deixar vestígios, a ponto de a população acreditar que fossem anjos.

As procissões do Señor de los Milagros

A festa do Señor de los Milagros (também conhecida como Mes Morado) é uma das manifestações de religiosidade popular mais famosas do mundo, sempre celebrada em outubro. Em 1651, em Pachacamilla (Lima), um servo pintou a imagem de Jesus crucificado em uma parede de barro. Durante os devastadores terremotos de 1655, 1687 e 1746, a frágil parede permaneceu inexplicavelmente intacta enquanto o resto da cidade desmoronava.

Nas ruas e praças da cidade, nestas semanas, predomina a cor roxa, a cor característica das vestimentas usadas para a ocasião (hábito morado), símbolo de penitência, devoção, humildade e esperança. Em 1715, as autoridades da capital peruana declararam o “Senhor dos Milagres” padroeiro e protetor da cidade de Lima. As procissões fazem várias paradas nos locais institucionais mais importantes (o Congresso da República, o Hospital Arcebispo Loaysa, a Praça Mayor, a base aérea de Las Palmas…). Típicas são as “sahumadoras”, as chamadas mulheres que queimam incenso. Pelas ruas, tudo cheira a iguarias, entre as quais se destaca, inevitavelmente, o delicioso “turrón de Doña Pepa”, um doce que remonta ao período colonial do século XVIII, cuja invenção é atribuída a Josefa Marmanillo (“Doña Pepa”), uma cozinheira afro-peruana que, segundo se conta, o preparou em sinal de agradecimento após se recuperar de uma paralisia e ter feito uma promessa ao Cristo de Pachacamilla.

Que o Papa continue a viajar, atraindo as pessoas a Cristo

A expectativa pelo Papa, totalmente recuperado, é, portanto, muito viva no Peru: “a mensagem que espero do Santo Padre é o convite à santidade na vida cotidiana”, retoma a professora. Como estudiosa das expressões populares da fé, ela faz questão, no entanto, de lembrar: “é relevante insistir no tema de que não é a imagem que realiza o milagre, mas o próprio Deus, Uno e Trino; e é preciso distinguir claramente os cultos ancestrais andinos, como o culto à Pachamama com as folhas de coca ou o culto aos apus, dos cultos ou ritos católicos. São manifestações populares que precisam ser purificadas das superstições de muitos, e esse é um dos desafios que a Igreja Católica deve enfrentar”. São questões que remetem, aliás, à questão mais geral da formação católica, in primis na família e na escola, que, segundo a professora, precisa ser mais adequada e contínua. “Em algumas instituições, a aula de religião já não existe mais, por exemplo”, lamenta ela, diante de um forte proselitismo levado adiante por grupos religiosos que “conquistam” novos seguidores a um ritmo acelerado. O desejo é “que o Santo Padre continue a viajar, dentro do possível, pois sua presença está mudando as mentes e os modos de ser. Leão fascina e atrai cada vez mais fiéis”.

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