EUA: arcebispo Broglio se opõe ao fuzilamento público de Hasan

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O arcebispo ordinário militar Timothy Broglio condena a execução prevista do responsável pelo massacre de Fort Hood e sua transmissão ao vivo. Ele pede aos católicos que venham a ser designados para o pelotão de execução que invoquem a objeção de consciência. Também os bispos do Texas denunciam o risco de novos traumas para as famílias das vítimas e para os militares

Vatican News

Uma condenação seguro da pena de morte e um apelo aos militares católicos para que se recusem a participar da execução de Nidal Malik Hasan. Essa é a posição expressa pelo arcebispo Timothy Broglio, ordinário militar dos Estados Unidos, contra o fuzilamento público previsto para o próximo dia 3 de dezembro em Fort Hood, no Texas. O prelado também contesta a decisão de transmitir a execução ao vivo, definindo como inaceitável a metamorfose da morte de um homem em um espetáculo.

O apelo à objeção de consciência

Em uma declaração divulgada em 12 de outubro, dom Broglio reafirma a antítese da Igreja católica à pena de morte, invocando o Catecismo e o magistério do Papa Francisco sobre a dignidade inviolável da pessoa humana. O arcebispo dirige, então, um apelo específico aos militares católicos que venham a ser chamados a integrar o pelotão de execução: que solicitem ser dispensados de um ato contrário ao ensinamento da Igreja. Um pedido que o prelado apresenta como uma obrigação ética, da mesma forma que ocorreria no caso de uma participação direta em uma prática de aborto.

O massacre de Fort Hood

O caso pelo qual Nidal Malik Hasan foi condenado à morte remonta a 5 de novembro de 2009, quando Hasan abriu fogo na base militar de Fort Hood, causando a morte de 14 pessoas, entre elas uma mulher grávida, e ferindo outras 32. O arcebispo Broglio reitera sua solidariedade aos familiares das vítimas, lembrando que presidiu pessoalmente o funeral de Michael Grant Cahill, o único civil morto no ataque. A gravidade do crime, ressalta o arcebispo, não pode justificar o recurso à pena capital, muito menos sua espetacularização. “Queremos mesmo imitar os terroristas deste mundo e transformar o assassinato bárbaro de nossos adversários em um espetáculo público?”, questiona o prelado, lembrando também as possíveis consequências psicológicas e morais para os membros do pelotão de execução.

Os bispos do Texas: justiça não é vingança

A posição de dom Broglio segue e se une à expressa pela Conferência Episcopal Católica do Texas, que pediu que a execução fosse suspensa e que se renunciasse à sua transmissão pública. “A verdadeira justiça não pode ser alcançada por meio de mais violência ou vingança, e a transmissão pública dessa execução transformaria a morte em um espetáculo”, declarou o bispo de Austin, Daniel Garcia, em cuja diocese fica Fort Hood. Segundo o bispo, executar a sentença justamente no local do massacre correria o risco de reabrir as feridas das famílias, dos sobreviventes e de toda a comunidade militar.

O risco de novos traumas

É expressa especial preocupação com os soldados envolvidos na execução e com as crianças que possam assistir ao evento, diretamente ou por meio das imagens divulgadas online. Os bispos convidam os fiéis a rezarem por todas as pessoas envolvidas e pedem que a decisão seja reconsiderada. O arcebispo Broglio solicita, além disso, pelo menos uma restrição à divulgação das imagens, sobretudo para proteger os mais jovens. No centro de seu apelo permanece o princípio da dignidade humana, que não deixa de existir nem mesmo diante da gravidade dos crimes cometidos.

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