Domingo Mundial das Missões: 100 anos de sua primeira celebração

0

O Dia Mundial das Missões é o dia em que a Igreja universal ora pelos missionários, buscando apoiar as missões de forma especial. Esse dia é celebrado em todo o mundo no penúltimo domingo de outubro, considerando outubro como o “Mês das Missões”.

Padre Inácio Medeiros – Redentorista

A ideia surgiu justamente no ano em que o Papa Pio XI publicou a encíclica Rerum Ecclesiae (1926), sobre as missões, razão pela qual o pontífice passou a ser chamado de “o Papa das Missões”. A primeira celebração desse dia ocorreu em outubro de 1926 e, desde então, tem sido sempre celebrado no penúltimo domingo de outubro. Nesse ano de 2026, se celebra o seu centenário: em 18 de outubro, será celebrado o 100º Dia Mundial das Missões, com o tema escolhido pelo Papa Leão XIV “Um em Cristo, unido na missão”.

Para os MISSIONÁRIOS Redentoristas, este centenário tem um sabor especial

Primeiro, porque somos uma congregação missionária; segundo porque na sua genese há 100 anos, houve um Redentorista que contribuiu para revivar as formas mais concretas de se viver a missão em todo o mundo, independente da categoria da pessoa, religioso, sacerdote ou leigo.

Em 1925, a pedido do Papa Pio XI, por ocasião do Jubileu da Paz (após a Primeira Guerra Mundial) e da celebração do Ano Santo de 1925, foi realizada uma Exposição Missionária no Vaticano. Para isso, Pio XI convocou o cardeal holandês Willem Marinus van Rossum (Redentorista), Prefeito da Sagrada Congregação de Propaganda Fide (hoje Dicastério da Evangelização – Seção para a Primeira Evangelização e as Novas Igrejas Particulares). Através de uma carta, o Papa conferiu ao Cardeal a autoridade para a realização do evento. O cardeal Van Rossum, CSsR (1854-1932) chamado muitas vezes de “o papa vermelho”, devido sua estreita ligação com o papa Pio XI, foi Prefeito de Propaganda Fide de 12 de março de 1918 a 30 de agosto de 1932.

Van Rossum reuniu Procuradores e Representantes dos Institutos Missionários residentes em Roma. Pouco depois, criou um Comitê Diretor do qual Angelo Roncalli também era membro, ele que em 1958, seria eleito Bispo de Roma, assumindo o nome de João XXIII. Um subcomitê foi adicionado ao Comitê, composto por trinta e seis membros dos diversos Institutos Missionários.



cardeal holandês Willem Marinus van Rossum (Redentorista), Prefeito da Sagrada Congregação de Propaganda Fide (hoje Dicastério da Evangelização

Foi significativa a contribuição mais de van Rossum para a história das missões.

A partir da segunda metade do século XIX, as diferentes formas de presença missionária no mundo muitas vezes ainda tinham uma expressão de dominação política colonial, junto com o viés de ação religiosa. Na prática, a metodologia missionária romana permitiu que o nacionalismo dos missionários e certos comportamentos particulares das congregações religiosas impedissem a formação de uma Igreja nativa local.

O prefeito da Propaganda Fide, Willem Van Rossum, CSsR, agiu para reformular a metodologia tradicional por meio de uma análise apresentada por missionários ao redor do mundo. Ele sempre considerou essencial ouvir as histórias contadas pelos missionários. Van Rossum provou ser um grande organizador e estrategista. Concentrou as numerosas iniciativas missionárias em Roma e rompeu o domínio nacionalista sobre a difusão da fé católica, combinando uma visão conservadora da doutrina eclesiástica com uma visão de porvir sobre o desenvolvimento da Igreja em missão.

Desde cedo, ajudou a constituir uma hierarquia nativa em torno disso. Sua prioridade era a formação do clero nativo das missões.

Presença da Congregação “De Propaganda Fide”

A presença da Sagrada Congregaçã de Propagande Fide, levou a Igreja universal a iniciar uma jornada missionária retomando a fonte original do mandato missionário da primeira Igreja: o relato dos Atos dos Apóstolos.

Hoje a Congregação do Santíssimo Redentor lembra este filho de Santo Afonso com grande felicidade no centenário da celebração do Domingo Mundial das Missões, pois até hoje o compromisso da Igreja missionária segue fielmente a voz do Santo Padre, que se renova todos os anos com sua Mensagem para a celebração deste dia.

“A unidade missionária não deve ser entendida como uniformidade, mas como a convergência de diferentes carismas para o mesmo propósito: tornar visível o amor de Cristo e convidar todos a encontrá-lo. A evangelização é alcançada quando as comunidades locais colaboram entre si e quando as diferenças culturais, espirituais e litúrgicas são plenamente e harmoniosamente expressas na mesma fé.” (Leão XIV, Mensagem para a JMM 2026) e, com base nisso, a missão redentorista vive seu carisma ao máximo

Não é a toa que a mesma temática nos é recordada em nossas constituições ao afirmarem que “o apostolado da Congregação é caracterizado, mais do que por certas formas de atividade, por seu dinamismo missionário, isto é, pela evangelização propriamente dita e pelo serviço prestado àqueles homens e grupos que são mais abandonados e pobres, por suas condições espirituais e sociais.” (Const. n.14)

Celebrar o centenário da JMM significa renovar nosso compromisso com o legado deixado pelos “grandes pastores missionários” e suas reflexões, como o documento Maximum Illud (1919), a magna carta missionária, em grande parte preparada pelo próprio van Rossum.

Fonte: Scala News

Fonte

Escreva abaixo seu comentário.

Por favor escreva um comentário
Por favor insira o seu nome aqui