Cultura da Vida é um espaço de aprofundamento de temas relacionados à dignidade da vida humana e à missão da família como guardiã da vida com Marlon Derosa e sua esposa Ana Carolina Derosa, professores de pós-graduação em Bioética e fundadores do Instituto e Editora Pius com sede em Joinville, Santa Catarina. Marlon e Ana são casados há 9 anos, têm 4 filhos. São atuantes na Pastoral Familiar. Neste 43° encontro, a educação para o amor é a base da cultura da vida.
Vatican News
Olá, amigos da Rádio Vaticano, aqui quem fala é Marlon e Ana Derosa para mais um Espaço Cultura da Vida. Hoje, queremos falar mais uma vez sobre a importância da educação para o amor como caminho para a verdadeira felicidade e para o fortalecimento da cultura da vida na sociedade. Esse assunto é muito pertinente e inclusive foi abordado pelo Papa Leão XIV na homilia que ele preparou para a missa de encerramento do encontro Internacional pelos 10 anos da Amoris Laetitia, no dia 14 de outubro de 2026.
Quando falamos em educação para o amor, podemos pensar que se trata de algo subjetivo ou até dispensável, afinal de contas todo mundo quer amar. De fato, no ponto 1604, o catecismo diz: “Deus, que criou o homem por amor, também o chamou ao amor, vocação fundamental e inata de todo o ser humano.” Mas infelizmente muitas vezes o amor é confundido com sentimentos passageiros, emoções, ou até mesmo com satisfação egoísta dos próprios desejos.
Citando o ponto 206 da Amoris Laetitia, o Papa Leão XIV nos disse, na sua homilia, que “é o amor verdadeiro que nos exorta a educar os jovens que se preparam para o matrimônio, ensinando-lhes a importância das virtudes, dentre as quais ocupa um lugar especial a castidade.
Mas ele também nos alerta que, embora haja trabalhos pastorais nessa temática, “estes percursos são insuficientes se não forem precedidos e apoiados por uma educação para o amor que acompanhe, desde a infância, todo crescimento”. O papa cita novamente a Amoris Laetitia, que no ponto 208 diz que “aprender a amar alguém não é algo que se improvisa” e “cada pessoa prepara-se para o matrimônio desde o seu nascimento”.
Se pensarmos nas gerações que viveram antes de nós, podemos refletir que muitos valores relacionados ao matrimônio e à família eram transmitidos por eles de maneira mais natural, pela própria convivência e cultura familiar. Hoje, porém, a realidade é bastante diferente. Sabemos que muitas famílias estão fragilizadas, e as crianças acabam crescendo em ambientes onde o amor é confundido com satisfações dos próprios desejos, e onde tantas uniões infelizmente são fundadas na areia ao invés da rocha da qual nos fala o Evangelho.
Por isso, a Igreja tem insistido, nas últimas décadas, na importância de uma sólida preparação matrimonial, que compreende as etapas remota, próxima e imediata. É nesse caminho que entra a educação para o amor desde a infância, destacada por Leão XIV, que se trata, na prática, de uma preparação remota.
É por isso que temos refletido repetidamente, aqui no Espaço Cultura da Vida, sobre o papel fundamental da família na construção da cultura da vida e na defesa da dignidade humana. Afinal, é justamente a família o berço do verdadeiro amor. Não é à toa que São João Paulo II afirmou que o porvir da humanidade passa pela família. Nesse sentido, o Papa Leão XIV recordou em sua homilia que a família é “a primeira escola dos afetos, a primeira, preciosa e insubstituível aprendizagem da felicidade do amor”.
A família tem um papel imprescindível na defesa da vida e na construção da cultura da vida porque é justamente na família que aprendemos – ou deveríamos aprender – a verdade mais fundamental sobre nós, da qual nos fala o catecismo (1604): que somos amados. É na família que a criança experimenta o amor gratuito dos pais e começa a compreender que sua vida é um bem, que ela é amada simplesmente porque existe. A partir dessa experiência de amor, iremos aprender a valorizar, proteger e amar também o nosso próximo, inclusive os mais fragilizados.
Na família, toda pessoa deve aprender que é amada e valorizada, bem como aprender que o matrimônio é a fonte desse amor, um amor indissolúvel, que se doa pelo outro e que gera vida, o amor que é caridade. Nesse sentido, citamos mais uma frase da homilia do Papa Leão XIV: “Nesta caridade (…) encontram também raízes os valores da abertura e do respeito pela vida, desde a concepção até ao seu fim natural. A família é a guardiã por excelência desses valores, como um farol para o bem da humanidade.”
Portanto, queridos amigos, colocar em prática uma educação para o amor não só é somente relevante, como é também uma urgência para os nossos tempos, onde impera a cultura do descarte, da qual tanto falava nosso querido Papa Francisco.
Educar para o verdadeiro amor é uma missão fundamental das famílias e da própria Igreja, porque dessa educação depende a formação de futuros esposos e pais, e também a construção de uma sociedade que saiba respeitar e proteger verdadeiramente a dignidade de cada pessoa, independente das circunstâncias, idade ou fase de desenvolvimento.
Este foi mais um Espaço Cultura da Vida. Um grande abraço a todos e até a próxima!

