A despedida de um homem de esperança

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Igor Pavan Tres, seminarista, escritor e missionário digital católico, faleceu na madrugada desta sexta-feira (06/03), aos 26 anos, após lutar contra um câncer raro desde 2021. “Igor foi um testemunho de uma Igreja viva. Nestes últimos dias, tantas pessoas estiveram unidas a ele em oração. Um grupo foi criado para que, durante as 24 horas do dia, sempre houvesse alguém rezando por ele. Igor testemunhou que quem crê nunca estará sozinho — nem na vida, nem na morte”, escreveu Matheus Pedrotti.

Matheus Augusto Biolo Pedrotti*

Creio que não sou a melhor pessoa para escrever um testemunho sobre a vida do Igor. Não sou um familiar, não sou seu amigo mais próximo; sou apenas um dos tantos amigos desse homem de esperança. Também não é minha intenção contar toda a história da sua vida. Hoje quero apenas fazer algo simples. Sabe quando temos um amigo e o apresentamos para outros amigos nossos e, muitas vezes, acontece de eles se tornarem ainda mais amigos entre si? Pois bem: hoje eu queria simplesmente expor um amigo — Igor Pavan Tres.

Um jovem cheio de esperança, seminarista, que faleceu esta noite, após anos de luta contra o câncer. Mas seria muito pouco resumir a vida do Igor apenas a essa batalha. Antes de tudo, Igor foi um homem de fé, de esperança e de caridade — um homem que enfrentou as suas batalhas.

Apesar de termos amigos em comum e de sermos do mesmo estado, do Rio Grande do Sul, de dioceses vizinhas, nossa amizade nasceu pela internet, em 2018. Curiosamente, durante todos esses anos nos encontramos pessoalmente apenas uma única vez — justamente num dia em que ele estava saindo de uma sessão de quimioterapia. Quando o conheci, Igor ainda era estudante de História na universidade. Era um jovem cheio de sonhos, profundamente aberto a Deus e com um desejo sincero de servir a Jesus e à Igreja. E havia também algo que nunca o abandonaria: o seu senso de humor.

Aquele jovem de coração grande, movido pelo desejo de servir a Jesus e à Igreja como sacerdote, entrou no seminário da sua diocese, em Frederico Westphalen, no ano de 2021. Era possível ver claramente a felicidade do Igor por seguir esse caminho. Mas, antes mesmo de querer ser sacerdote, Igor queria Jesus. E Jesus o conduziu por caminhos que nós não esperávamos.

Naquele mesmo ano, em dezembro de 2021, de forma repentina, Igor descobriu um tumor. Pelo que me lembro, ele havia sido internado com suspeita de uma pedra no rim. Na manhã seguinte, no quarto do hospital, quando estava sozinho, o médico lhe deu a notícia: não era uma pedra, mas um tumor no rim, com extensão até a veia cava. Igor tinha apenas 22 anos. Mas Igor nunca esteve realmente sozinho naquele quarto. Lembro-me de uma frase que o Papa Bento XVI disse no início do seu pontificado, em 2005: “quem crê nunca está sozinho, nem na vida nem na morte”.

Igor deixou-se ajudar. Com humildade, acolheu o caminho que estava diante dele e decidiu seguir adiante. Posso dizer que Igor confiou em Jesus, confiou na Igreja e seguiu.

Vieram procedimentos cirúrgicos difíceis. Vieram mais de cem sessões de quimioterapia. Vieram tratamentos de imunoterapia. Houve um momento de remissão completa do câncer — e depois o seu retorno. Lágrimas e sorrisos. Igor continuou no seminário até 2024, quando precisou se afastar para cuidar da saúde. Muitas vezes ele não podia sair de lar. Muitas vezes as limitações eram grandes. Mas esse jovem não parou. Aproveitou para evangelizar não somente os que estavam ao seu redor, mas também milhares de pessoas, com seu testemunho na internet.

Igor tinha consciência de que Deus havia operado um milagre em sua vida — estivesse ele curado ou não, como ele mesmo dizia. E Deus realmente operou um milagre: não apenas na vida dele, mas também na vida de muitas pessoas ao seu redor. Esse é um dos motivos pelos quais ele tem tantos amigos. E certamente você verá outras pessoas contando a sua história.

Igor foi um testemunho de uma Igreja viva. Nestes últimos dias, tantas e tantas pessoas estiveram unidas a ele em oração. Um grupo foi criado para que, durante as 24 horas do dia, sempre houvesse alguém rezando pelo Igor. E nós víamos ali a face de Cristo que sofre, no mistério da sua Paixão, mas, ao mesmo tempo, também a face do Ressuscitado, naquela felicidade serena do Igor.

Igor testemunhou que quem crê nunca estará sozinho — nem na vida, nem na morte.

Obrigado, Igor.

* estudante de Teologia na Universidade Lateranense, em Roma

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