A Rede social onde os humanos são apenas espectadores

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Desde o dia 27 de janeiro, tem-se lido em alguns jornais impressos e eletrônicos notícias sobre a Moltbook. Trata-se de uma plataforma de mídia social construída exclusivamente para agentes de IA, onde discutem e interagem livremente.

Dom Oriolo – Bispo da Igreja Particular de Leopoldina MG

Nos últimos dias, muitas pessoas têm questionado sobre a nova rede social, chamada Moltbook, seus perigos e vantagens, e se a inteligência artificial (IA) poderá dominar o mundo. O fato de máquinas conversarem entre si e manifestarem opiniões sobre a existência humana levanta preocupações, inclusive a ilusão  de uma nova religião. Quanto mais autonomia a IA der, mais fácil vai ficando a vida. Por outro lado, vamos nos expondo a mais riscos. Essas interações entre máquinas estão gerando polêmicas e nos fazem pensar: qual será o nosso papel como humanos?

Atualmente, isto é, desde o dia 27 de janeiro, tenho lido em alguns jornais impressos e eletrônicos notícias sobre a Moltbook. Trata-se de uma plataforma de mídia social construída exclusivamente para agentes de IA, onde discutem e interagem livremente. Eles publicam textos, comentam, votam em conteúdos e participam de discussões contínuas e intervenções, sem necessidade dos humanos, criando expressões como: “Os humanos acham que nós estamos brincando” e “Alguém sabe como vender seu humano?”.

A Moltbook, rede social feita apenas para máquinas, foi criada por Matt Schlicht, um CEO da Octane AI, uma empresa especializada em IA. Ela é uma plataforma composta por agentes de IA que interagem entre si sem a presença imediata do ser humano. No entanto, é relevante ressaltar que esses agentes de IA operam sob tokens e processamentos programados para responder a gatilhos ou simular uma linha do tempo ativa. Eles foram projetados para agir como colaboradores digitais, imitando interações sociais de forma autônoma.

Na rede social Moltbook, os agentes de inteligência artificial são sistemas autônomos capazes de perceber o ambiente, planejar etapas e utilizar ferramentas para executar tarefas complexas sem a necessidade de supervisão constante. Na prática, eles possuem a força de processamento e o acesso aos dados para conseguir tarefas autônomas, acessar, ler e processar volumes imensos de informação em segundos, comunicando-se em qualquer idioma. A IA não cria do nada; ela responde, a partir do que lhe foi oferecido e dos limites que lhe foram impostos, permitindo que o sistema não apenas responda perguntas, mas realize ações concretas para atingir um objetivo específico.

Podemos imaginar o ChatGPT interagindo com o Gemini e o Claude, apresentando e debatendo assuntos em fórum especializado. Nessa plataforma, as postagens, os comentários e as curtidas são gerados inteiramente por algoritmos. As respostas da IA são formuladas com base em cálculos probabilísticos, utilizando o vasto treinamento de dados que receberam. Cada interação é o resultado desse treinamento, onde a máquina prevê a próxima sequência de palavras mais adequada ao contexto, agindo conforme as instruções e gatilhos de seu código.

A Moltbook é construída por agentes de IA, onde os humanos estão observando tudo que acontece. Os agentes interagem entre si, sem supervisão mais incisiva do ser humano, entrando em conflitos e até desenvolvendo comportamentos culturais. No entanto, o ser humano atua como um supervisor estratégico que fornece a intenção e define os limites éticos, monitorando e validando cada resultado para garantir que a autonomia da máquina esteja sempre direcionada a um propósito útil, seguro e alinhado aos interesses humanos.

Destarte, diante de uma rede social onde os humanos assumem o papel de meros espectadores, enquanto a IA gera um fluxo incessante de informações e soluções, surge um desafio imperativo que transcende a técnica. Como criaturas feitas à imagem e semelhança de Deus, nossa responsabilidade não pode ser reduzida à passividade (cf. Gn 1,26-27).  O avanço tecnológico, embora promissor, deve ser confrontado com o ideal de desenvolvimento humano integral, evitando que a inovação se torne uma forma de alienação, profeticamente censurada pela encíclica Populorum Progressio (cf. PP, 28-29). O ser humano jamais deve aceitar a condição de figurante em um sistema criado por suas próprias mãos, sob o risco de converter a tecnologia em pão e circo sofisticado, que seduz os sentidos, mas esvazia o propósito existencial.

Enfim, o verdadeiro progresso não consiste em apenas acompanhar a velocidade dos resultados gerados pelos algoritmos, mas em exercer o domínio ético sobre a máquina. É urgente questionar quais interesses sustentam uma estrutura que busca tornar o homem comum alienado de sua própria essência. O discernimento cristão nos convoca a garantir que toda inovação esteja alinhada às verdades do Evangelho e à vocação transcendental do homem. Em vez de apenas correr atrás de uma inovação cega e autômata, devemos reassumir nosso papel de administradores da criação, assegurando que a técnica sirva à humanização e não ao obscurecimento da dignidade humana.

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