Bispos europeus: a Europa precisa redescobrir sua alma

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Os presidentes das quatro Conferências episcopais europeias fazem um apelo: “O mundo precisa da Europa”: esta urgência deve ser acatada pelos cristãos, a fim de se comprometerem, decisivamente, onde quer que estejam, com o seu porvir, com a mesma consciência viva dos seus pais fundadores”.

Beatrice Guarrera – Vatican News

“Vivemos em um mundo dilacerado e polarizado por guerras e violência. Muitos de nossos concidadãos estão angustiados e desorientados. A ordem internacional está ameaçada. Nesta situação, a Europa precisa redescobrir a sua alma para oferecer ao mundo inteiro a sua contribuição indispensável para o bem comum”: estas palavras estão contidas em uma declaração conjunta — divulgada nesta sexta-feira, 13 de fevereiro — com a qual os presidentes das Conferências episcopais europeias pretendem fazer ecoar o convite, que lhes foi feito pelo Papa Leão XIV, na conclusão do Jubileu, para que o tempo, que agora começa, seja “o início da esperança”. A mensagem intitulada “O poder da esperança” foi assinada pelo Cardeal Jean-Marc Aveline, arcebispo de Marselha e presidente da Conferência Episcopal Francesa; o Cardeal Matteo Maria Zuppi, arcebispo de Bolonha e presidente da Conferência Episcopal Italiana; Dom Georg Bätzing, bispo de Limburg e presidente da Conferência Episcopal Alemã; e Dom Tadeusz Wojda, arcebispo de Gdańsk e presidente da Conferência Episcopal Polonesa.

Voltar aos alicerces da esperança

“De um ponto de vista histórico, – escrevem os Bispos, – após as civilizações helenística e romana, o cristianismo tem sido um dos alicerces essenciais do nosso continente, tendo moldado o rosto de uma Europa humanista, solidária e aberta ao mundo”. O contexto atual é o de uma sociedade pluralista, caracterizada pela diversidade linguística, diferenças culturais regionais e numerosas tradições religiosas e espirituais. “Embora os cristãos sejam menos numerosos, – continuam os Bispos, – isso não os impede de retornar, com coragem e perseverança, às bases da sua esperança”. Para entender como isso aconteceu, devemos retornar às pegadas dos pais fundadores da Europa, que se formou após a “devastadora” Segunda Guerra Mundial, na qual milhões de pessoas foram exterminadas, por motivos de raça, religião e identidade. Logo, “a urgência de construir um novo mundo” tornou-se uma “evidência”. Na época, muitos católicos leigos conceberam a Europa “como uma lar comum e se comprometeram a desenvolver uma nova estrutura internacional, sobretudo, por meio da criação das Nações Unidas”, com o objetivo de estabelecer uma sociedade reconciliada, que pudesse ser um baluarte de liberdade, igualdade e paz.

A Europa não deve ser reduzida a um mercado econômico

Os Bispos recordam: “Os pais fundadores da Europa, Robert Schuman, Konrad Adenauer e Alcide de Gasperi, inspirados pela fé cristã, não eram sonhadores ingênuos, mas os arquitetos de um edifício magnífico, embora frágil. Por amor a Cristo e também à humanidade, eles trabalharam para uni-la, – como enfatizou repetidamente São João Paulo II, ao recordar o papel dos cristãos na construção da Europa. Foi precisamente “a tragédia assassina” da Segunda Guerra Mundial, que alertou a geração fundadora da Europa “para a tentação dos regimes totalitários, que se alimentavam do nacionalismo, para perseguir objetivos hegemônicos, cujo resultado só podia ser a guerra”. Como afirmou Alcide de Gasperi, “a Europa unida não nasceu contra as pátrias, mas contra os nacionalismos, que as destruíram”. Por isso, diz a declaração dos Bispos, “a Europa não pode ser reduzida a um mercado econômico e financeiro, sob pena de trair a visão inicial de seus fundadores”. A esperança é que ela possa sempre “optar pela resolução supranacional de conflitos, escolhendo mecanismos e alianças apropriados. Deve estar sempre pronta para retomar o colóquio, mesmo em casos de conflito, e trabalhar pela reconciliação e pela paz”.

Por uma autêntica solidariedade entre os povos

“A Europa, – afirmam ainda os Bispos em seu apelo, – é chamada a buscar alianças, que lancem os alicerces de uma solidariedade autêntica entre os povos”. Embora os europeus tenham se aproximado uns dos outros, de modo particular, desde o início da guerra na Ucrânia, o mundo ainda precisa da Europa: “Eis a necessidade urgente, que os cristãos devem abraçar, para que possam se comprometer, decisivamente, onde quer que estejam, com o seu porvir com a mesma consciência viva dos pais fundadores”. E os Bispos concluem: “Em nome da sua fé, os cristãos são chamados a compartilhar a sua esperança de fraternidade universal com todos os habitantes do continente europeu”.

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