Concluiu-se a peregrinação anual à Terra Santa dos bispos europeus e norte-americanos para expressar proximidade, solidariedade e apoio espiritual e pastoral às comunidades cristãs que vivem nos lugares santos. “Que os esforços pela paz prevaleçam sobre a violência e cessem os atos de terrorismo e de guerra.”
Vatican News
“Foi uma peregrinação em uma terra onde as populações sofrem traumas enormes”: é com essa amarga constatação que começa o comunicado final redigido pelos bispos europeus e norte-americanos que fazem parte da Coordenação da Terra Santa (Holy Land Coordination – HLC), ao término de sua peregrinação anual de solidariedade, que os levou, entre outros compromissos, também aos beduínos Mihtawish, que vivem em Khan al-Ahmar (a leste de Jerusalém), e ao vilarejo cristão de Taybeh, na Cisjordânia, sob ataque de colonos israelenses.
Entre violências e intimidações
Os bispos ouviram relatos, testemunhos e experiências de vida daqueles que são obrigados a viver à margem, com a liberdade de movimento fortemente limitada. “Ouvimos — prossegue o comunicado — histórias de ataques por parte de colonos israelenses e de suas contínuas violências e intimidações, furtos de gado e demolições de propriedades, que obrigam muitos a não conseguirem dormir à noite por medo de novas agressões. Quando lhes perguntamos quem vê a sua luta e o seu clamor por viver em paz com os vizinhos, responderam: ‘ninguém nos vê’.” A mesma situação se verifica também na comunidade cristã da Palestina, que “relatou sofrimentos: ataques incessantes de colonos extremistas, arrancada de oliveiras, confisco de terras e atos de intimidação que tornam a vida insuportável, levando muitos à emigração em massa”. “Nos doze meses transcorridos desde a nossa última visita — sublinham os prelados — a Terra Prometida foi reduzida e colocada em xeque. Gaza permanece uma crise humanitária catastrófica. A população da Cisjordânia que encontramos está desmoralizada e amedrontada. As corajosas vozes israelenses que se erguem em favor dos direitos humanos e civis estão cada vez mais ameaçadas; apoiar vozes marginalizadas é uma solidariedade custosa. Tememos que, em breve, também elas sejam silenciadas.”
Garantir os direitos de todos
Ao reafirmar “o direito de Israel de existir e o direito dos israelenses de viver em paz e segurança”, os bispos da HLC pedem “do mesmo modo que esses mesmos direitos sejam garantidos a todos aqueles que estão enraizados nesta terra”. Daí o desejo de que “os esforços pela paz prevaleçam sobre a violência e cessem os atos de terrorismo e de guerra”. Os prelados exortam ainda os governos de seus países “a exercer pressão sobre Israel para que respeite a ordem internacional baseada em regras e retome negociações significativas rumo a uma solução de dois Estados, para o benefício e a segurança de todos”. A peregrinação foi também ocasião para achar “a coragem de vozes judaicas e palestinas que, apesar de imensas dificuldades e traumas pessoais, continuam a promover a justiça, o colóquio e a reconciliação”.
Dar voz a quem não tem voz
“Como cristãos, é nossa vocação e dever dar voz a quem não tem voz e testemunhar sua dignidade, para que o mundo possa conhecer o seu sofrimento e sentir-se impelido a promover justiça e compaixão.” Além disso, os prelados dizem-se profundamente comovidos “pela fé e pela firmeza dos cristãos locais e também de pessoas de outras fés que se empenham em sustentar a esperança de suas comunidades. Quando uma mãe ou um pai pedem o fim da violência, o mundo deve ouvir e agir”. Por fim, a Coordenação da Terra Santa pede à comunidade internacional e a todos os homens e mulheres de boa vontade que “estejam ao lado dos povos da Terra Santa. Reconheçam o seu pedido de dignidade. Ajudem a promover um colóquio autêntico entre as comunidades. Acolham o convite do cardeal Pierbattista Pizzaballa, patriarca latino de Jerusalém, para vir em peregrinação como sinal do nosso amor, apoio e solidariedade”.

