Cultura da Vida é um espaço de aprofundamento de temas relacionados à dignidade da vida humana e à missão da família como guardiã da vida com Marlon Derosa e sua esposa Ana Carolina Derosa, professores de pós-graduação em Bioética e fundadores do Instituto e Editora Pius com sede em Joinville, Santa Catarina. Marlon e Ana são casados há 8 anos, têm 3 filhos, são atuantes na Pastoral Familiar. Neste 27° encontro, os graves problemas da fertilização in vitro.
Vatican News
Olá, amigos da Rádio Vaticano! Aqui quem fala é Marlon e Ana Derosa. Hoje, vamos conversar sobre os problemas éticos da fertilização in vitro.
Com os avanços das técnicas de reprodução artificial e o aumento dos casos de infertilidade entre os casais, muitos acabam recorrendo à fertilização in vitro na esperança de realizar o desejo de ter filhos.
A Igreja analisa essa prática à luz da fé e da razão, e sempre nos lembra de algo fundamental: todo ser humano tem dignidade desde o momento da sua concepção até a morte natural. Ou seja, mesmo o embrião recém concebido já é uma pessoa humana em início de vida, e nunca pode ser tratado como um simples “material biológico” para testes ou manipulação.
A fertilização in vitro costuma ser apresentada como uma resposta ao sofrimento dos casais que não conseguem ter filhos, ou até mesmo para viabilizar a reprodução independente, que é quando uma mulher solteira busca uma gestação utilizando doador de esperma.
Há muitos problemas éticos envolvidos. Para que o procedimento funcione, são produzidos vários embriões, os melhores são selecionados e outros são congelados ou descartados. Ou seja, muitas vidas humanas são interrompidas ou ficam “congeladas” indefinidamente. A Igreja considera tudo isso como uma instrumentalização ou objetificação da vida humana, o que fere profundamente a dignidade de cada pessoa (cf. Dignitas personae, 18).
O desejo de ter filhos é legítimo e natural, e a Igreja compreende o sofrimento dos casais inférteis. Mas ela também nos lembra que nem tudo que é possível tecnicamente é moralmente correto. Ter um filho não é um direito absoluto, e muito menos um “produto” a ser encomendado. A vida humana deve surgir do amor entre o casal, dentro do matrimônio, e não de um processo técnico feito em laboratório (cf. Donum vitae, 5). Na fertilização in vitro, a concepção ocorre fora da união conjugal, mediada por procedimentos técnicos. Isso introduz uma separação entre amor conjugal e procriação, dimensões que, segundo o ensinamento da Igreja, são naturalmente inseparáveis (cf. Humanae vitae, 12). Quando a geração da vida é transferida para a técnica, corre-se o risco de enfraquecer o sentido profundamente pessoal da procriação e de reduzir o filho, ainda que involuntariamente, ao resultado de um procedimento, e não ao dom que surge da entrega recíproca entre os esposos.
A Dignitas Personae também chama atenção para outras questões graves ligadas à fertilização in vitro, como:
– a redução embrionária, quando vários embriões são implantados no útero e, para evitar múltiplos nascimentos, alguns são eliminados. Na prática, isso é um aborto seletivo;
– o diagnóstico genético pré-implantatório, quando os embriões são examinados e os que têm alguma anomalia genética são descartados. Essa prática cria uma cultura de “bebês perfeitos” e exclui os que não se encaixam, o que pode ser considerado uma forma de discriminação baseada na saúde ou na genética;
– o congelamento de embriões, já que muitos embriões são mantidos congelados por muito tempo, e em muitos casos, são descartados em seguida. Isso representa um grave atentado contra a dignidade humana, já que o embrião é um ser humano que está mantido congelado, tendo privado o seu direito a se desenvolver no seu ambiente natural de crescimento, que é o útero materno. Muitos desses embriões acabam sendo abandonados, o que é uma grave tirania.
Também é relevante mencionar que a fertilização in vitro não trata a causa da infertilidade do casal, e também oferece baixas taxas de sucesso em conseguir uma gestação. Muitos casais são levados à fertilização in vitro sem saber plenamente desses detalhes, e isso não é justo com eles.
Assim, mesmo quando a intenção é boa, no caso, o desejo por um filho, os meios para conseguir engravidar também precisam ser bons, e por isso, é relevante que os profissionais de saúde busquem estratégias lícitas e que verdadeiramente ajudem o casal a restabelecer sua saúde e conceber naturalmente. A vida humana nunca pode ser tratada como um produto, uma escolha, uma técnica ou um objeto descartável. Toda pessoa tem dignidade, valor e deve ser acolhida como dom de Deus.
Um grande abraço a todos e até a próxima!

