Em Genebra, evento pelo Dia Mundial da Síndrome de Down reforçou direitos humanos e o valor da diversidade genética.
Matheus Macedo – Vatican News
Nesta quinta-feira (19/03), a Fundação Jérôme Lejeune, em colaboração com o Comitê da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CRPD), realizou em Genebra, na Suíça, um evento em celebração ao Dia Mundial da Síndrome de Down, que acontece neste sábado (21/03). O tema do encontro foi: “Da Solidão à Inclusão – Valorizando a diversidade genética humana para permitir a realização eficaz dos direitos das pessoas com síndrome de Down”.
O evento também marcou o 20º aniversário da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.
O Observador Permanente da Santa Sé junto ao Escritório das Nações Unidas em Genebra, Dom Ettore Balestrero, participou do encontro e proferiu o discurso de abertura. O prelado destacou que as pessoas com síndrome de Down são mais do que um diagnóstico e possuem dignidade inerente e valor sagrado, propositado e amorosamente conferidos pelo Criador desde o primeiro momento da concepção.
Dom Balestrero ressaltou que todos devem ter os mesmos direitos fundamentais, como qualquer outra pessoa, e que a identidade genética não torna ninguém “mais ou menos humano”.
“As pessoas com síndrome de Down devem desfrutar plenamente de seus direitos humanos e participar de forma significativa em todos os aspectos da sociedade: educação, trabalho, religião, cultura, assistência médica, vida social, engajamento cívico e em todas as oportunidades de se desenvolver e florescer de maneira autêntica”, afirmou.
Inclusão e rejeição a práticas discriminatórias
O Observador da Santa Sé afirmou que o evento deve encorajar todos a reafirmar esforços inabaláveis para promover e proteger a dignidade, os direitos fundamentais e o valor transcendente de todas as pessoas em todas as etapas da vida.
Ele também condenou práticas discriminatórias e eugênicas, como o rastreamento pré-natal e a interrupção seletiva de gestações de bebês diagnosticados com síndrome de Down, destacando que tais ações devem ser firmemente rejeitadas.
Humanidade além da técnica
Dom Balestrero agradeceu aos profissionais e instituições que dedicam cuidados contínuos às pessoas com síndrome de Down e suas famílias. Contudo, destacou que acima de tudo é preciso humanidade, para além de cuidados tecnicamente corretos: “Um sistema de cuidado e apoio pode ser operacionalmente perfeito, mas se for desprovido de coração, torna-se frio e impessoal. O coração, também, deve ser formado”.
O prelado citou ainda o Papa Leão XIV:
O valor da vida, segundo Dom Balestrero, não deve ser medido pela utilidade ou desempenho, mas pelo simples fato de ser humano — cuidado e amado por outros.
O Observador da Santa Sé encerrou pedindo que os esforços coletivos continuem a construir uma cultura de vida e humanidade, na qual cada pessoa com síndrome de Down seja reconhecida como única e irrepetível, recebida com igual dignidade e respeito.

