Explosão no porto de Beirute: Patriarca Raï pede investigação internacional

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A explosão, definida no passado como “misteriosa” pelo próprio cardeal libanês, causou 221 mortes e mais de 6.000 feridos, muitos dos quais ficaram permanentemente incapacitados.

O Patriarca maronita Béchara Boutros Raï convida os libaneses a acreditar “na ressurreição de Beirute e do Líbano, para que nossa nação possa ser novamente o farol do Oriente” e “a pátria do encontro e do colóquio das civilizações e religiões”.

Mas levanta também sua “voz indignada” a todos os responsáveis​​pela explosão que devastou o Porto de Beirute em 4 de agosto de 2020, “seja quem for e onde quer que esteja”.

Com estes tons, o cardeal libanês convocou todos a manter viva a memória daquele trágico acontecimento que permanece como uma ferida aberta na história recente da nação libanesa. E o fez, na homilia que proferiu durante a Missa de sufrágio pelas vítimas da explosão do porto, celebrada na Catedral de São Jorge em Beirute na quinta-feira, 4 de agosto. Muitas famílias das vítimas participaram da celebração litúrgica, e nenhum expoente de instituições e forças políticas libanesas participou.

A explosão, definida no passado como “misteriosa” pelo próprio cardeal libanês, causou 221 mortes e mais de 6.000 feridos, muitos dos quais ficaram permanentemente incapacitados.

Dois anos após a tragédia do Porto de Beirute – observou o Patriarca maronita – a trágica história do porto de Beirute aparece marcada por dois crimes impunes: ao lado do crime da explosão, o crime de encobrimento das investigações, definido pelo Patriarca como “não menos escandaloso que a explosão”, pois se configura como “um ato deliberado” que semeou mais dor entre as famílias das vítimas.

As autoridades – continuou o Patriarca Maronita – “não podem ignorar o que aconteceu: alguns causaram a explosão, enquanto outros, que sabiam da existência de explosivos e seus perigos, escaparam; outros ficaram calados e outros ainda bloquearam as investigações, congelando o trabalho do juiz responsável”.

O Patriarca desenhou o cenário de uma verdadeira sabotagem, orquestrada com certa divisão de papéis por um certo número de funcionários dos aparelhos político, institucional, judicial e de inteligência.  “Deus”, acrescentou o cardeal Béchara Boutros Raï, “julgará os responsáveis ​​pela explosão e que bloquearam a investigação”.

O Patriarca Maronita também fez um pedido de uma investigação internacional independente para esclarecer a explosão no porto de Beirute, libertando-se da sabotagem e desorientação realizada no cenário interno libanês. “Se pedimos insistentemente a formação de um novo governo e a eleição de um novo Presidente da República” – acrescentou o Patriarca maronita – “é porque queremos que a história da explosão no porto de Beirute seja colocada no topo de suas prioridades, como um compromisso a ser assumido diante de Deus, da pátria e das famílias das vítimas”.

Durante a homilia, o cardeal Raï também agradeceu ao Papa Francisco as palavras proferidas pelo Bispo de Roma na Praça de São Pedro, na conclusão da Audiência Geral de quarta-feira, 3 de agosto.

“Meus pensamentos”, disse o Papa, referindo-se à explosão no porto de Beirute, “vão para as famílias das vítimas daquele acontecimento desastroso e para o querido povo libanês: rezo para que todos possam ser consolados pela fé e confortados pela justiça e pela verdade, que nunca pode ser escondida”.

No dia 4 de agosto, enquanto decorriam as cerimônias na zona portuária de Beirute para recordar a tragédia há dois anos, desabou um segundo bloco de silos danificados pela explosão em 2020. Nas últimas semanas, devido às altas temperaturas e à fermentação do grão ainda presentes nos silos, ocorreram incêndios que danificaram ainda mais a estrutura, já insegura.

*Com Agência Fides

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