FMI: crescimento sem precedentes em armamentos no mundo

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O relatório Perspectivas da Economia Mundial do Fundo Monetário Internacional destaca que quase 40% dos países em todo o mundo destinam mais de 2% do seu PIB à defesa, um patamar simbólico que até alguns anos atrás era prerrogativa de poucos e agora corre o risco de se tornar a nova normalidade

Vatican News

Os gastos militares globais aceleraram significativamente nos últimos anos, atingindo níveis jamais vistos desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Os dados mais recentes do Fundo Monetário Internacional (FMI) confirmam uma mudança estrutural nas prioridades econômicas dos países: quase 40% dos países em todo o mundo agora destinam mais de 2% do seu Produto Interno Bruto (PIB) à defesa, um patamar simbólico que até alguns anos atrás era prerrogativa de poucos.

Uma nova normalidade perigosa

Nos capítulos de sua Perspectiva Econômica Mundial dedicados a gastos com defesa, conflitos e recuperação econômica, o FMI indica que, entre 2020 e 2024, aproximadamente 50% dos países aumentaram seus orçamentos militares, e a parcela de países com gastos acima de 2% do PIB subiu de 27% em 2018 para quase 40% em 2024. Isso significa que um patamar considerado ambicioso por anos está se tornando uma nova e perigosa normalidade. Esse crescimento é impulsionado pelo aumento de conflitos e tensões geopolíticas nos últimos 15 anos. Entre os fatores mais significativos, o FMI cita o retorno de guerras em larga escala na Europa, com a invasão militar da Ucrânia pela Rússia; tensões entre grandes potências, como os Estados Unidos e a China; instabilidade no Oriente Médio e na África; e crescente competição militar-tecnológica. Esses fatores levaram os governos a reconsiderar a segurança como prioridade estratégica, muitas vezes em detrimento de outras rubricas de gastos públicos. Uma tendência que tende a se fortalecer, o que comprova uma maior instabilidade geopolítica.

Aumento dos gastos nos países da OTAN

Os países da OTAN, por exemplo, comprometeram-se em junho de 2025 a aumentar os gastos anuais para 5% do PIB até 2035, mais do que o dobro dos 2% anteriores, num cenário em que a Polônia se destaca como pioneira na Aliança, com os seus 4,5%. De acordo com o Instituto Internacional de Investigação da Paz de Estocolmo (SIPRI), as vendas de armas dos 100 maiores fabricantes de armamento do mundo duplicaram em termos reais nas últimas duas décadas. Só em 2024, mais de 35 países, dos quais aproximadamente metade são classificados como “estados frágeis” e afetados por conflitos, sofreram conflitos nos seus territórios. No mesmo ano, cerca de 45% da população mundial vivia em países afetados por conflitos que, segundo as estimativas mais abrangentes dos especialistas do Fundo Monetário Internacional, variam desde escaramuças fronteiriças localizadas a guerras em grande escala. Essas guerras, além de seu devastador custo humano, geram choques inflacionários, tensões fiscais, desequilíbrios internos e dificultam o crescimento global, resultando em uma recuperação pós-conflito lenta e frágil que deixa cicatrizes duradouras na macroeconomia de um país e nos indivíduos. Essa recuperação – impulsionada principalmente pelo trabalho, enquanto o capital e a produtividade permanecem fracos – depende da estabilidade da paz: se ela durar, permite uma recuperação parcial; se o conflito recomeçar, o crescimento estagna.

Uma tendência global

O crescimento dos gastos militares e a superação do limite de 2% do PIB por quase 40% dos países marcam, portanto, um ponto de virada histórico. Este não é mais um objetivo limitado à OTAN, mas uma tendência global ligada a um contexto internacional inegavelmente mais instável. Embora isso fortaleça as capacidades militares dos Estados, também levanta questões cruciais: quão sustentável é isso a longo prazo? Quais setores civis serão sacrificados? Esta é uma fase temporária ou um novo normal? As respostas dependerão de como os equilíbrios geopolíticos evoluirão nos próximos anos, mas uma coisa é certa: a defesa voltou a ser uma prioridade central nos orçamentos públicos em quase metade do mundo.

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