A atual época chuvosa e ciclónica está a agravar a crise humanitária em várias províncias de Moçambique, com milhares de famílias afectadas, estradas destruídas e comunidades deslocadas. A Igreja, o Governo e a Sociedade Civil apelam à solidariedade e reforçam a resposta humanitária, com destaque para a acção da Cáritas no levantamento e apoio às famílias mais vulneráveis.
Cremildo Alexandre – Nampula, Moçambique
A Plataforma da Sociedade Civil Moçambicana para a Proteção Social (PSCM-PS) alertou para o agravamento da crise humanitária provocada pelas chuvas intensas e ciclones, que já causaram mortes, deslocações forçadas e elevados prejuízos materiais.
Segundo dados oficiais, milhares de famílias foram afectadas por inundações severas nas províncias de Gaza, Maputo, Inhambane, Manica e Sofala, onde rios transbordaram, casas foram destruídas e infraestruturas essenciais ficaram comprometidas.
A plataforma defende o reforço urgente dos programas de proteção social e uma resposta integrada entre o Governo, parceiros de cooperação e organizações da sociedade civil.
Cáritas em acção no terreno
De acordo com um Oficial de Programa, a Cáritas está a realizar um levantamento exaustivo das famílias afectadas nas paróquias e bairros atingidos, com vista a uma intervenção mais eficaz e orientada para os casos de maior vulnerabilidade.
A instituição prepara igualmente a mobilização de apoios humanitários, com prioridade para alimentos, abrigo e assistência às famílias mais frágeis.
Apelo pastoral à solidariedade
Numa mensagem dirigida aos fiéis, o Arcebispo de Maputo, Dom João Carlos Hatoa Nunes, apelou à solidariedade, à oração e ao compromisso concreto com as vítimas das cheias, sublinhando que “este não é tempo de discursos que dividem, mas de gestos que salvam e consolam”.
Governo reforça resposta humanitária
O Presidente da República, Daniel Chapo, visitou recentemente as zonas mais afectadas na Cidade e Província de Maputo, transformando a deslocação numa acção de assistência humanitária imediata.
Durante a visita, o Chefe de Estado apelou à união, à responsabilidade colectiva e à evacuação preventiva das zonas de risco, como forma de salvaguardar vidas humanas.
Estradas destruídas e obras de emergência
Segundo dados divulgados pelo Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, mais de 150 quilómetros de estradas nacionais foram completamente destruídos e a transitabilidade em cerca de três mil quilómetros encontra-se condicionada em todo o território nacional.
Em vários pontos decorrem obras de emergência, enquanto outras intervenções aguardam a declive do nível das águas.
Um apelo comum à reconstrução
A mensagem da Igreja, das autoridades e da Sociedade Civil converge no mesmo apelo: transformar a dor em solidariedade activa, reconstruir não apenas casas, mas também relações e responsabilidades, para que Moçambique saia deste tempo de provação mais unido e mais atento aos mais frágeis.

