Teve início nO domingo, 1º de março, no Centro Mariápolis de Castel Gandolfo (em Roma – Itália), a quarta Assembleia Geral do Movimento dos Focolares após a morte de sua fundadora, Chiara Lubich (1920-2008).
Nicole Melhado – Movimento dos Focolares
Até o dia 21 de março, 320 participantes provenientes de 150 países — representando culturas, vocações e contextos eclesiais diversos — estarão reunidos para discernir os próximos passos do Movimento diante dos desafios do cenário global contemporâneo.
Infelizmente, alguns participantes ainda não conseguiram chegar a Roma devido ao agravamento da situação do conflito na região do Oriente Médio e ao consequente fechamento do espaço aéreo. Desde a abertura dos trabalhos, os pensamentos e as orações de toda a Assembleia se voltaram imediatamente para essa região do mundo, marcada por tensões e sofrimento.
Reconhecido pela Igreja Católica como Associação de fiéis de caráter privado e universal, de Direito Pontifício, o Movimento dos Focolares nasceu durante a Segunda Guerra Mundial com o carisma da unidade e da fraternidade universal. Atualmente, está presente nos cinco continentes e promove o colóquio entre religiões, culturas e diferentes convicções.
Desafios contemporâneos e atualização do carisma
O eixo central da Assembleia será a atualização e implementação do carisma da unidade em um mundo marcado por polarizações políticas, conflitos armados, desigualdades sociais e transformações tecnológicas aceleradas.
Entre os principais temas em pauta estão:
- O compromisso com a paz e a justiça social;
- O colóquio como resposta à crescente polarização global;
- O uso responsável das tecnologias digitais;
- O fortalecimento do colóquio ecumênico e inter-religioso;
- A promoção da ecologia integral;
- A construção de uma governança cada vez mais participativa;
- A transmissão do carisma às novas gerações do Movimento.
Também estão previstas sessões de debate sobre propostas de alteração aos Estatutos Gerais e aos Regulamentos das diferentes ramificações, num esforço de adequação institucional às orientações da Igreja e às exigências do tempo presente.
Em seu discurso de abertura, a atual presidente, Margaret Karram, destacou o caráter universal da Assembleia:
“Após uma longa preparação, tenho a impressão de ver aqui presentes não apenas vocês, mas todas as nossas comunidades do mundo: desde Gen 4 (crianças que participam dos Focolares) aos bispos, aos aderentes, aos jovens; todos aqueles que neste momento oferecem seus sofrimentos pelos motivos mais diversos.”
Eleições e novo governo
Realizada a cada cinco anos, conforme o Decreto do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida (2021), a Assembleia Geral é o momento máximo de decisão do Movimento.
No dia 5 de março, Margaret Karram apresentará seu relatório de fim de mandato, acompanhado de reflexões do Copresidente, Jesús Morán. Já o dia 12 de março será dedicado à eleição da Presidente e do Copresidente — cargos que, segundo os Estatutos Gerais, devem ser confirmados pela Santa Sé. No dia 15, serão eleitos os Conselheiros Gerais, completando a formação do novo governo.
Além da escolha das novas lideranças, os participantes deverão aprovar as linhas programáticas que orientarão o Movimento nos próximos anos.
Entre memória e porvir
Esta quarta Assembleia pós-Chiara Lubich ocorre em um contexto histórico exigente para os movimentos eclesiais, chamados a reforçar transparência, corresponsabilidade e fidelidade ao carisma fundador, ao mesmo tempo em que respondem às demandas sociais e culturais emergentes.
Ao reunir representantes de 150 países, o Movimento dos Focolares busca reafirmar sua vocação à unidade universal, propondo o colóquio como instrumento privilegiado para a construção de pontes em uma sociedade fragmentada — um desafio que ultrapassa fronteiras religiosas e interpela toda a humanidade.
Fotos: Javier García – Focolares


