Nigéria, estudante apedrejada e morta. Líderes religiosos pedem verdade e justiça

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Numa só voz, muçulmanos e cristãos condenam juntos o ato cruel, apelam às autoridades do Estado de Sokoto para apurar as causas, e manter a calma no país.

Gabriella Ceraso – Vatican News

Uma violência injustificada, um crime condenado por líderes religiosos muçulmanos e cristãos em toda a Nigéria, incluindo a mais alta autoridade, o sultão Saad Abubakar, enquanto o bispo de Sokoto, onde ocorreu o fato, não para de apelar para a calma. Dom Mathew Hassan Kukah, chocado com o acontecimento, pede que a justiça seja feita para um ato “criminoso, desumano e que não tem nada a ver com religião”. “Cristãos e muçulmanos”, acrescenta ele na mensagem publicada no site da Diocese, sempre “conviveram pacificamente ao longo dos anos”.

Loucura coletiva

De acordo com depoimentos, publicados pela mídia local, um estudante acusou publicamente a jovem Deborah Samuel, matriculada em Economia, de ter postado ofensas ao profeta Maomé no chat de um grupo estudantil. Daí o desencadeamento da loucura coletiva na Faculdade de Educação Shehu Shagari do Estado de Sokoto, no nordeste da Nigéria. Os colegas muçulmanos da jovem estudante cristã a teriam arrastado para fora da escola onde ela havia buscado refúgio e proteção, para apedrejá-la e atear fogo em seu corpo. Os responsáveis já foram identificados graças a um vídeo que atesta a terrível morte, confirmada pela Polícia de Sokoto, enquanto o Instituto foi fechado por ordem do governo por tempo indeterminado.

AIS na Nigéria: um ato bárbaro que deixa sem palavras

A Fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre no país africano diz que está profundamente chocada com este “terrível assassinato”: “A situação de extremismo e violência no país nos últimos anos é terrível, arrepiante. Quase toda semana há sequestros e dezenas de mortes, mas esse ato bárbaro nos deixa sem palavras”, afirma num comunicado Thomas Heine-Geldern, presidente executivo da Fundação. Em seguida, o pensamento às famílias e à comunidade cristã e também o pedido de condenação unânime contra toda forma de extremismo”.

A difícil situação na Nigéria

No comunicado, a Fundação também lembra que “desde 1999, doze Estados no norte da Nigéria adotaram códigos penais da Charia, paralelos a tribunais seculares e habituais. Muitas leis de Charia no norte da Nigéria preveem penas muito severas por blasfêmia, até a pena de morte. No entanto, a Charia garante pelo menos um processo justo, sem recorrer a linchamentos e execução sumária, como no terrível caso de Sokoto, que não é o primeiro no país. De acordo com o último relatório sobre liberdade religiosa da Fundação AIS, após 20 anos de Charia, a situação no norte da Nigéria piorou. Etnia e religião tornaram-se um meio eficaz de adquirir poder, recursos e privilégios. De acordo com o relatório da AIS, a Charia dividiu ainda mais o país”.

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