Pelo menos 30 civis foram mortos em um novo ataque no noroeste do país africano por alguns grupos jihadistas. Também aumentam os sequestros e assaltos por bandos criminosos. Dom Anselm Pendo Lawani, bispo da diocese de Ilorin: “os responsáveis agem com impunidade devido à lenta resposta do governo”.
Federico Piana – Vatican News
O sofrimento sem fim da Nigéria voltou a se materializar nesta quarta-feira (18/02) em sete aldeias do estado de Kebbi, no noroeste do país africano. Um grupo armado de jihadistas atacou os habitantes de Mamunu, Awasaka, Tungan Tsoho, Makangara, Kanzo, Gorun Naidal e Dan Mai Ago que tentaram resistir aos agressores: foi um massacre. Pelo menos 30 civis foram mortos, mas entre os socorristas há quem jure que ainda há muitos corpos a serem recuperados.
Situação dramática
Uma sequência dramática de sangue que faz parte de um roteiro de morte já visto em outras partes do país, que, como se não bastasse, também enfrenta o aumento dos sequestros e assassinatos por parte de gangues criminosas que disputam terras e recursos naturais. “A situação atual de sequestros e violência está piorando e os responsáveis agem com impunidade devido à resposta lenta do governo”, adverte dom Anselm Pendo Lawani, bispo da diocese de Ilorin, que abrange a maior parte do estado ocidental de Kwara.
Áreas mais afetadas
Olhando para o mapa da Nigéria, as áreas mais afetadas dão a impressão de que não há nenhuma cidade que tenha sido poupada: o noroeste e o nordeste; o centro-norte; o sudeste e o sudoeste. Além disso, o bispo faz questão de precisar, em entrevista à mídia vaticana, “o território da capital federal e outros locais como Benue, Oyo, Ogun e Ekiti”. Na lista também consta o nome de sua diocese, talvez uma das mais ensanguentadas. “No último dia 3 de fevereiro, alguns grupos armados atacaram as aldeias rurais de Woro e Nuku, matando 200 pessoas. Eles também incendiaram casas e lojas e a população, com medo, fugiu para a mata circundante. Foi o ataque mais mortal já registrado na Nigéria”.
Causas diferentes
As causas da violência são diversas e multifacetadas. Dom Lawani tenta destacar algumas delas, as fundamentais. Por um lado, “existem vários grupos militantes de extremistas islâmicos, como o Boko Haram e o Estado Islâmico da Província da África Ocidental (Iswap), que adquiriram uma presença relevante no norte do país, de maioria muçulmana”. Por outro lado, no centro do país, onde predominam amplas áreas cristãs e principalmente católicas, “existem membros radicalizados e armados do grupo étnico Fulani que estão gerando caos”. Um caos que também inclui sequestros para extorsão e assaltos com o objetivo de roubar as vítimas, ações criminosas que muitas vezes terminam em tragédia.
Diocese envolvida
O bispo Lawani conta que sua diocese está na linha de frente para enfrentar essa situação que parece desesperadora: “procuramos ajudar as pessoas afetadas, dando-lhes alojamento, se perderam suas casas, comida e roupas. Por exemplo, um grupo composto por muçulmanos e cristãos foi acolhido em nossa paróquia depois de ter fugido para salvar suas vidas”.
População assustada
Mas o recrudescimento dos ataques e sequestros assusta a tal ponto que muitos fiéis, aos domingos, até deixam de ir à missa: “Eles preferem ficar em lar com suas famílias por motivos de segurança. Enquanto muitas outras famílias preferiram até mesmo abandonar a diocese. Assim, estamos assistindo não apenas à diminuição da participação nas celebrações eucarísticas, mas também em outras atividades eclesiais”.
Compromisso com a caridade
Toda a Igreja nigeriana está empenhada em promover a paz e o colóquio através de projetos que visam reduzir os conflitos entre cristãos e muçulmanos. “Na diocese de Ilorin — explica dom Lawani — incentivamos os paroquianos a participar das atividades da Associação Cristã da Nigéria (CAN), um organismo que reúne cristãos e os coloca em contato com outros fiéis de outras confissões cristãs e com aqueles que ainda praticam a religião tradicional. No entanto, esses esforços enfrentam vários desafios: o exclusivismo doutrinário, as rivalidades internas às denominações e, em alguns casos, o uso instrumental dos sentimentos religiosos por parte dos políticos”.

