São Antônio Abade, Gambetti: o homem deve cuidar de todos os seres vivos

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Na manhã deste sábado, 17 de janeiro, o cardeal Gambetti presidiu a missa no altar da Cátedra da Basílica do Vaticano, por ocasião da memória litúrgica do santo protetor dos animais: “Deus contempla a beleza de cada criatura”, disse ele na homilia. Os criadores: “Inspirados pela Laudato si’, promovemos uma economia feita para o homem”.

Daniele Piccini – Vatican News

Há coelhos, cavalos, vacas, ovelhas, perus e galos: uma visão provavelmente inédita para muitas crianças que cresceram na cidade, que, curiosas, estendem as mãos para acariciá-los, quase como se quisessem se certificar de que não são de pelúcia, como aqueles que enfeitam seus quartos ou ocupam seus dias de brincadeiras.

Por um dia, os animais deixaram seus estábulos no interior do Lácio – Maccarese, Viterbo, Montalto di Castro e Ponzano Romano – para serem abençoados em Roma, na praça Pio XII, em frente ao Palácio das Congregações, pelo cardeal Mauro Gambetti, arcipreste da Basílica de São Pedro, por ocasião da memória litúrgica de Santo Antônio Abade, seu protetor. Os protagonistas do dia de hoje, rodeados por bandeiras e balões coloridos, não perdem a sua mansidão enquanto, nos seus recintos, recebem a bênção do cardeal. Enquanto isso, na Via della Conciliazione, desfila uma centena de cavalos, cerca de cinquenta das Forças Armadas e da Polícia e outros tantos de criadores representando as raças italianas de “criação em biodiversidade”.



O cardeal arcipreste Gambetti no palco dos criadores por ocasião da bênção dos animais.

O homem, guardião do Jardim do Éden

Hoje é a festa deles, dos animais e da Criação, que, com o homem, compartilham o mesmo céu e estão sob o mesmo olhar encorajador de Deus. Um conceito enfatizado, na homilia, pelo cardeal arcipreste Gambetti, que às 11 horas (hora de Roma) presidiu a missa, animada pelo coro da Capela Giulia, no altar da Cátedra da Basílica de São Pedro. “Pensemos em quantas vezes o cuidado dos animais exige tempo, energia e sacrifício, sem resultados vantajosos”, disse o cardeal a uma assembleia composta principalmente por criadores e suas associações, como a Coldiretti. Um grande grupo – a Associação Italiana de Criadores, os dirigentes e funcionários do Ministério da Agricultura, da Soberania Alimentar e das Florestas, do Ministério da Saúde e os representantes de vários corpos militares – acompanhados pelo seu conselheiro eclesiástico, padre Nicola Macculi.

“Talvez sejamos tentados a desistir”, destaca o cardeal Gambetti, “a ceder a atividade a outros, a buscar soluções fáceis. Lembremo-nos do olhar de Deus que se posou sobre nós. Como nas origens da criação, do mundo e do homem, narradas no Livro do Gênesis: ‘Cada criatura é contemplada e vista em sua beleza’”. No entanto, o esforço é acompanhado pela responsabilidade e pela felicidade de cuidar da Criação e do próximo. “Sob o céu, estamos sob o olhar de Deus. E ao homem é confiada a tarefa, a responsabilidade do jardim do Éden, para guardá-lo, para oferecer descanso para o corpo e para a alma aos seres humanos e alimento e abrigo para todos os seres vivos”. Por fim, o cardeal convidou à solidariedade e à fraternidade: “Vamos abrir o coração para achar o Senhor e estreitar cada vez mais entre nós pactos de amizade e aliança para fazer o bem no mundo”.

Os recintos dos animais montados na praça Pio XII para a bênção por ocasião da memória litúrgica de Santo Antônio Abade.

Os recintos dos animais montados na praça Pio XII para a bênção por ocasião da memória litúrgica de Santo Antônio Abade.

Uma economia à medida do homem

O dia de Santo Antônio Abade coincide com o 19º Dia do Criador, promovido pela AIA, a Assembleia Italiana de Criadores. No início da liturgia eucarística, o presidente Roberto Nocentini dirigiu ao cardeal arcipreste Gambetti um discurso de saudação no qual assegurou o compromisso dos criadores de se tornarem guardiões da Criação, na linha da Carta Encíclica do Papa Francisco Laudato si’, e promotores de uma economia sempre a serviço do homem: “Acolhemos com grande atenção as palavras recentemente proferidas pelo Santo Padre Leão XIV: a economia não tem valor em si mesma, mas na medida em que protege a dignidade humana e a Criação. O sucesso, lembrou o Papa, não se mede apenas pelo lucro, mas também pela sua capacidade de gerar desenvolvimento e coesão social. O mundo, portanto, precisa urgentemente de empresários a serviço do bem comum – disse finalmente Nocentini – e nós, criadores, queremos confirmar nossa escolha de trabalhar para contribuir com a realização de produtos que constituam um alimento justo e suficiente para o maior número de pessoas”.

Uma vaca de uma fazenda em Maccarese, perto de Fiumicino.

Uma vaca de uma fazenda em Maccarese, perto de Fiumicino.

Em defesa da biodiversidade

“Em primeiro lugar, há o homem: o agricultor e o criador de gado são os verdadeiros guardiões do território”, comenta Ettore Prandini, presidente da Coldiretti, na Piazza Pio XII, em sintonia com a homilia do cardeal Gambetti.

“Sem a presença deles, as áreas internas, montanhosas e colinas seriam abandonadas, com a perda irreversível de paisagens, biodiversidade e presenças humanas que tornam única a Itália, o nosso país”, concluiu Prandini.

Dois exemplares de cavalo romano da Maremma Laziale.

Dois exemplares de cavalo romano da Maremma Laziale.

O apoio da Igreja

“Hoje, mais do que nunca, é relevante proteger as tradições e dar às pessoas alimentos controlados, genuínos e seguros”, explica, na praça Pio XII, onde acompanha suas ovelhas, Antonio Marongiu, 46 anos, proprietário da empresa agrícola MM em Montalto di Castro, onde cria cerca de 600 ovinos. A profissão de criador está no DNA de sua família há muitas gerações.

“Minha paixão nasceu quando eu tinha seis anos”, continua Marongiu, “mas hoje o porvir nos assusta um pouco. Produzir com critérios de qualidade é muito caro e nem sempre nosso trabalho é remunerado proporcionalmente ao nosso esforço. Felizmente, muitas associações de criadores nos apoiam e a Igreja compreende nosso papel e nos acompanha com sua mensagem, como se vê hoje”.

Expostos na praça Pio XII, muitos produtos da agricultura italiana.

Expostos na praça Pio XII, muitos produtos da agricultura italiana.

“A defesa da natureza merece ter um porvir”, argumenta Fulvio Petripaoli, 44 anos, criador do “cavalo romano” da Maremma Lazio em Ponzano. “Estou aqui para a bênção de dois dos meus quinze cavalos.

Acho que o amor que sentimos pelos nossos animais deveria ser tomado como exemplo também nas relações entre as pessoas. Os animais são sinceros: ao contrário dos homens, com os seus olhos e gestos comunicam apenas o que realmente sentem. A Igreja – conclui – compreende o nosso afeto pelos nossos animais e a sua visão da Criação apoia-nos e encoraja-nos”.

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