O Irã retaliou durante a noite pelo ataque israelense que matou na terça-feira dois dos principais expoentes da República Islâmica. Mísseis de fragmentação atingiram Telaviv, matando dois. Os ataques e operações israelenses também continuam no Líbano, onde um milhão de pessoas já foram deslocadas. Na frente diplomática, a ruptura entre o governo Trump e a OTAN está se aprofundando
Marco Guerra e Roberta Barbi – Vatican News
O mais recente golpe de Israel contra o regime iraniano resultou na eliminação de duas figuras proeminentes da República Islâmica. No final da noite de terça-feira, as autoridades iranianas confirmaram as mortes de Ali Larijani, chefe do Conselho Supremo de Segurança, juntamente com seu filho e seu vice, e de Gholamreza Soleimani, comandante da unidade Basij, as forças de segurança interna responsáveis pela brutal repressão aos protestos de rua nos últimos meses.
Nova onda de mísseis do Irã
A resposta do Irã foi imediata. O intenso bombardeio da noite de terça para quarta-feira no centro de Israel, particularmente em Telaviv, que resultou em duas mortes, foi realizado em retaliação, explicou a televisão estatal iraniana. Ameaças de retaliação também partiram do chefe do exército iraniano e da Guarda Revolucionária. Os mísseis de Teerã também atingiram a embaixada dos EUA em Bagdá, um drone caiu perto da base usada pelas forças australianas nos Emirados Árabes Unidos, e outros ataques foram interceptados pelas defesas aéreas do Catar, da Arábia Saudita e do Kuwait. Na frente interna iraniana, novos atos de repressão são relatados, com o judiciário anunciando a execução de um homem acusado de espionagem para o Mossad, a agência de inteligência israelense.
Trump e OTAN: a ruptura se aprofunda
Enquanto isso, a recusa da OTAN em ajudar os Estados Unidos a garantir a segurança do Estreito de Ormuz está aumentando a irritação de Trump com seus aliados. O presidente norte-americano expressa decepção e afirma que se lembrará dessa decisão da Aliança Atlântica, que ele chama de “erro estúpido”. Somando-se à turbulência na administração estadunidense está a renúncia de Joe Kent como diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo. “Não posso, em sã consciência, apoiar a guerra no Irã. O Irã não representava uma ameaça iminente ao nosso país”, declarou Kent em um comunicado publicado em sua conta no X.
A frente libanesa
Um novo ataque que atingiu um bairro inteiro de Beirute ocorreu nas primeiras horas da manhã desta quarta-feira, após uma noite de intensos bombardeios israelenses no Líbano. Pelo menos seis pessoas morreram e 24 ficaram feridas na capital, mas cerca de 11 vítimas também foram relatadas em várias aldeias no sul do país, onde, segundo Israel, estão concentrados os centros de comando da milícia xiita Hezbollah. Não apenas Beirute, mas 14% do Líbano está sob ataque dos israelenses, que também continuam com incursões no Vale do Bekaa e emitiram um novo alerta de evacuação para a cidade de Tiro, enquanto um ataque no centro do país destruiu um prédio inteiro. Assim, a linha de frente se desloca do rio Litani para o rio Zahrani, a apenas 40 km da fronteira com Israel. O aspecto humanitário é de particular preocupação agora: segundo o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), há aproximadamente um milhão de deslocados internos no país, incluindo 350 mil crianças, sem contar as 900 vítimas já registradas desde o início da escalada do conflito: um número que, infelizmente, tende a aumentar inexoravelmente.

