O Papa: nunca instrumentalizar Deus para fins militares, econômicos ou políticos

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“Hoje, o mundo precisa de uma diplomacia e de um colóquio religioso fundamentados na paz, na justiça e na verdade”. Palavras do Papa Leão XIV no encontro com uma delegação de Representantes das Comunidades muçulmanas do Senegal, neste sábado (09) no Vaticano.

Vatican News

Na manhã deste sábado (09) o Papa Leão XIV recebeu uma delegação de Representantes das Comunidades muçulmanas do Senegal. Ao iniciar seu discurso observou que o Senegal é chamado o país da “Teranga”, uma expressão que representa hospitalidade, respeito e solidariedade, sendo considerada um pilar da cultura senegalesa. “Terra de laços familiares vivos, de convivialidade e de coexistência pacífica entre cristãos, muçulmanos e fiéis de outras tradições”, destacou. “Esta realidade”, continuou o Papa, “constitui o fundamento de um colóquio entre povos diversos por sua pertença religiosa e sua origem étnica. Esse tesouro de fraternidade, que deve ser guardado com cuidado, é um bem precioso não só para a nação de vocês, mas também para toda a humanidade”.

colóquio inter-religioso e diplomacia

Em seguida o Papa recordou que infelizmente, o contexto africano atual com conflitos armados, que geram graves carências humanitárias e profundas desigualdades que todos os dias “colocam à prova populações inteiras, sem esquecer o preocupante aumento do extremismo violento”. E que neste contexto, “os valores incorporados pelo espírito da ‘Teranga’ e o colóquio inter-religioso são um instrumento precioso para aliviar as tensões e construir uma paz duradoura”. Prosseguindo seu pensamento afirmou ainda que ao favorecer o colóquio inter-religioso e ao envolver os líderes religiosos nas iniciativas de mediação e reconciliação, a política e a diplomacia podem valer-se de forças morais capazes de apaziguar as tensões, prevenir as radicalizações e promover uma cultura de consideração e respeito mútuo. Concluindo este ponto disse: “Hoje, o mundo precisa de uma diplomacia e de um colóquio religioso fundamentados na paz, na justiça e na verdade”.

Dignidade que nenhuma lei pode confiscar

“Cristãos e muçulmanos”, continuou o Papa, “acreditamos juntos que cada ser humano é moldado pelas mãos de Deus e, portanto, revestido de uma dignidade que nenhuma lei, nem qualquer poder humano, tem o direito de confiscar”. As nações do mundo assim o proclamaram: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”. É sobre este fundamento de fraternidade, na origem da humanidade e na fé, que assumimos juntos a nossa responsabilidade comum: “condenar toda forma de discriminação e de perseguição fundada na raça, na religião ou na origem; rejeitar qualquer instrumentalização do nome de Deus para fins militares, econômicos ou políticos; levantar a nossa voz em favor de toda minoria que sofre”.

Viver juntos no respeito e na fraternidade

Concluindo seu discurso o Santo Padre disse: “Rezo para que Deus, o Onipotente, faça renascer o desejo de nos compreendermos melhor reciprocamente, de ouvirmos uns aos outros e de vivermos juntos no respeito e na fraternidade”. Desejando ainda a todos que Deus dê “a coragem de percorrer o caminho do colóquio, de responder aos conflitos com gestos de fraternidade e de abrir o vosso coração aos outros, sem temer as diferenças”.

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