Papa – Juntos fazer de Angola, um projeto de esperança

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24 anos após o pousio de um Papa em terras angolanas, o país recebe pela terceira vez um Pontífice: Leão XIV, na sua primeira viagem apostólica à Africa. Os angolanos exultam de felicidade. E saíram às ruas em massa para acolher. No encontro com as Autoridades, convidou a fazer de Angola um projeto de porvir, com olhos postos na esperança e desenvolvimento integral. Por sua vez, o Presidente mostrou-se aberto ao Dilexi Te que põe no centro a atenção aos pobres.

Dulce Araújo – Em Luanda

Da Igreja à sociedade em geral, todos esperam que esta visita marque um ponto de viragem no país que, depois de 50 anos de independência e mais de 20 de paz, tem ainda muito caminho a andar para que todos possam gozar das condições mínimas de vida.

Rico em recursos humanos e materiais, mas ainda mal aproveitados e distribuídos, o Papa, no encontro com as Autoridades, Sociedade Civil e Corpo Diplomático – onde, ao lado do Presidente, foi acolhido com a clássica canção “Muxima” – recordou imediatamente que este povo possui tesouros que não se vendem nem se roubam. Tesouros imateriais como a felicidade, as dores e sofrimentos enfrentados com coragem, mas também recursos materiais para os quais se olha, muitas vezes, para tirar.

“É necessário quebrar esta cadeia de interesses que reduz a realidade e a própria vida a uma mera mercadoria.” – disse o Papa que encorajou os angolanos a escolher, por seu lado, o bem, a justiça, a tolerância, reconciliação, a superar as conflitualidades para que a vida possa florescer.

Déspotas do corpo e do espírito, não têm lugar – disse. É preciso libertar-se da alienação, e juntos fazer de Angola, um projeto de esperança e de desenvolvimento integral.

A Igreja é apelada pelo Papa a ser fermento na massa para este crescimento que não pode limitar-se a aspetos materiais. Juntos fazer de Angola um projeto de esperança e desenvolvimento integral – frisou Prevost.



O Papa e o Presidente, Joºao Lourenço   (@Vatican Media)

Terreno fértil

São palavras que, a julgar também pelo tom do discurso que o Presidente da República dirigiu previamente ao Santo Padre, encontram terreno fértil.

João Lourenço sublinhou efetivamente que as relações entre Angola e a Santa Sé que vêm do século XVII no tempo do Príncipe Nevunda, do Reino do Congo, têm evoluído muito, até chegar ao Acordo Quadro entre as partes, assinado em setembro de 2019.

Além disso, os pronunciamentos da Igreja têm ajudado o Governo a definir as políticas sociais de que Angola tanto precisa no enfrentamento dos desafios que tem pela frente.

João Lourenço citou ainda a Exortação Apostólica de Leão XIV, Dilexi Te, dizendo que a ideia central nela expressa, ou seja, a atenção aos pobres, “tem uma ressonância muito especial entre nós governantes, porque serve de guia na nossa ação quotidiana de luta contra as desigualdades, a indiferença e a exclusão social.”

O Chefe de Estado angolano quis também falar da fé dos angolanos a Leão XIV, colhendo a ocasião para salientar as iniciativas do Estado orientadas para a dignificação dos lugares de culto, como a construção da Basílica da Muxima, onde os cristãos católicos poderão expressar a sua devoção a Deus.

Recordou ainda que Angola é um país laico em que cada um pode expressar a sua fé livremente, havendo, contudo, momentos de ecumenismo.

Angola, tem também dado prova de ser uma Nação favorável à resolução das crises pelo colóquio, marco identitário da sua diplomacia, que a tem levando a desenvolver iniciativas diversas em prol da paz em África.

Só em paz e em harmonia, podemos todos desfrutar dos recursos que a natureza coloca ao nosso dispor, salientou, lamentando o uso da parte dos exércitos mais poderosos do mundo, de armas para o apoderamento de recursos minerais e não só, sem ter em conta as regras internacionais.

O Presidente de Angola mostrou-se preocupado com o momento perigoso que o mundo atravessa, devido a conflitos que se proliferam por todos os continentes.

O Medio Oriente, berço de grandes religiões deveria ser zona de paz e concórdia, mas acontece o oposto. “Constatamos com muita mágoa o sofrimento dos povos da Palestina, do Líbano e de todos os países do Golfo Pérsico” – afirmou, apelando ao fim da guerra e à abertura ao estreito de Ormuz pela via negocial e ao estabelecimento de uma paz duradoura na região.

José Eduardo Lourenço manifestou o desejo de que o Papa, do alto da sua autoridade ética, “continue a desempenhar um papel de construtor de pontes, de apaziguamento dos espíritos, de resgate dos valores humanistas, de busca da concórdia e do entendimento entre os Homens.” 

É urgente – prosseguiu – que todos os estadistas influentes e figuras públicas de reconhecida autoridade ética, atuem conjuntamente para assegurar que nas relações internacionais, a justiça e o colóquio, prevaleçam sobre o uso da força – concluiu o Presidente que desejou boa estada ao Papa em terras angolanas

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