Neste sábado, 18 de abril, as sessões continuam no Centro de Eventos Padre Vítor Coelho de Almeida depois da Santa Missa no Santuário Nacional.
Silvonei José – Vatican News – Aparecida
Ontem, dia 17, os bispos reunidos em Aparecida participaram, na parte da manhã, das análises de conjuntura social e eclesial, dois momentos de reflexão voltados à compreensão dos desafios do tempo presente e de suas implicações para a missão evangelizadora da Igreja no Brasil.
A análise de conjuntura social foi apresentada por dom Francisco Lima Soares, bispo de Carolina (MA) que destacou a necessidade de uma escuta atenta e responsável diante de um cenário marcado por incertezas e tensões. Segundo ele, a realidade de 2026 não pode ser compreendida de forma fragmentada, pois temas como guerras, disputas de poder, erosão democrática, crise ambiental e economia estão interligados.
O bispo ressaltou que a proposta da análise é evitar dois extremos: o alarmismo que paralisa e a ingenuidade que desarma. O texto, apresentado pela primeira vez em formato de vídeo, buscou oferecer aos bispos elementos para compreender o tempo presente sem substituir o juízo pastoral de cada um.
Entre os pontos abordados estiveram o cenário internacional, com destaque para a guerra entre Estados Unidos e Irã, a ofensiva contra Nicolás Maduro, a disputa pela hegemonia global, as questões ligadas ao petróleo e ao dólar, além do papel da América Latina como espaço de disputa geopolítica.
No contexto brasileiro, foram destacados o desgaste da democracia, o ano eleitoral, a COP 30, os conflitos em torno da regulação ambiental e a economia nacional, descrita como resiliente, mas cercada de riscos. Também foram citados temas como religião e política, além da mensagem de paz e esperança do Papa Leão XIV, recordando seu primeiro discurso.
Na sequência, os bispos acompanharam a análise de conjuntura eclesial sobre o ethos religioso brasileiro atual, conduzida por dom Joel Portella, bispo de Petrópolis (RJ). A reflexão partiu do tema “Evangelizar em tempos de pós-cristandade” e buscou relacionar a conjuntura eclesial às opções evangelizadoras presentes nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil.
A apresentação destacou que a sociedade brasileira não está menos religiosa, mas mais plural, marcada por identidades fluidas, individualização e vínculos mais frágeis. Foi apontada a passagem de um contexto de cristandade, centrado em uma referência predominante e mais estável, para uma realidade de pós-cristandade, caracterizada pela pluralidade, pela momentaneidade e pela fragmentação.
Entre os desafios apontados estão as chamadas “policrises”, que atingem áreas como linguagem, vínculos, referências, transcendência, sentido e pertencimento. Segundo a reflexão, cresce o fenômeno de pessoas que creem sem necessariamente se converter, seguir ou assumir compromisso concreto com a vida comunitária.
Diante desse cenário, a análise propôs uma ação evangelizadora baseada no dom, na fraternidade, na solidariedade e na capacidade de incidir na realidade. Também foram destacados elementos como a sinodalidade, o olhar atento às separações e a necessidade de compreender quem incide sobre quem nas relações eclesiais e sociais.
As análises de conjuntura social e eclesial integram a programação da Assembleia e ajudam os bispos a discernirem os caminhos pastorais da Igreja no Brasil, especialmente no processo de elaboração e aprovação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora.
A Sinodalidade na Assembleia Geral da CNBB
Um dos temas debatidos na 62º Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) é a sinodalidade e sua aplicação prática. Até 2028, toda a Igreja caminha para o processo de implementação do relatório final do Sínodo sobre a Sinodalidade. Mas, de forma concreta, como é edificado esse método e conceito na Assembleia Geral?
Um dos indicativos para a implementação do Sínodo é tomar consciência da participação em diversos aspectos eclesiais da Igreja, mas, sobretudo, da vivência unificada no processo de salvação. “Ao viver o processo sinodal, tomamos nova consciência de que a salvação a receber e a anunciar passa através das relações. Ela vive-se e testemunha-se juntos” (Relatório Final, número 154).
O cardeal arcebispo de Porto Alegre e presidente da CNBB, Dom Jaime Spengler, relembra que a sinodalidade já é uma realidade na Igreja no Brasil. “Nós, no Brasil, temos uma tradição muito bonita: essa dinâmica da escuta que marcou todo o processo sinodal é algo que caracteriza a tradição da Conferência dos Bispos do Brasil, mas também de toda a América Latina. Nesse sentido, constato que, de alguma forma, nós estamos bastante sintonizados com aquilo que o Sínodo está pedindo para toda a Igreja”, reflete o presidente.
Para o bispo diocesano de Irecê (BA), Dom Antônio Ederaldo de Santana, a sinodalidade é sinal de comunhão e algo que não se termina, sendo uma proposta do saudoso Papa Francisco já encaminhada há alguns anos. “A sinodalidade é algo que se renova a cada ano, não se termina, porque não pode terminar um processo de colóquio e comunhão. Ao contrário, ela vai se completando. Este ano, em especial, teremos as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora, que também são frutos da sinodalidade”, comenta o prelado.
O arcebispo de Santa Maria (RS), presidente da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB e membro da equipe de elaboração das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE), Dom Leomar Antônio Brustolin, reforça que o documento é fruto de um processo sinodal iniciado em 2022 e marcado por ampla escuta, participação e discernimento. “A sinodalidade é caminhar juntos, é fazer um itinerário comum. Nós já estamos fazendo isso há muito tempo, desde que começamos a elaborar as DGAE. Agora, enquanto conclusão do sínodo e processo de implementação, o resultado dos sínodos está sendo votado e a proposta das diretrizes está sendo implementada”, conta Dom Leomar.
Oração pela paz
Em um gesto de comunhão com a Igreja no mundo inteiro, os Bispos do Brasil reunidos na 62ª Assembleia Geral da CNBB participaram de uma Adoração Eucarística no Santuário Nacional de Aparecida, colocando diante de Jesus Sacramentado o clamor pela paz, pelas famílias e pelos povos marcados pela violência.
Reze você também:
Oração pela paz
Senhor da vida, que cuidastes de cada ser humano à vossa imagem e semelhança
Cremos que nos criastes para a comunhão, não para a guerra;
Para a fraternidade, não para a destruição.
Vós que saudastes os vossos discípulos dizendo “a paz esteja convosco”,
Concedei-nos o dom da vossa paz e a força para torná-la realidade na história
Hoje, elevamos a nossa suplica pela paz no mundo
Rogando que as nações renunciem as armas e escolham o caminho do colóquio e da diplomacia.
Derramai os vossos corações do ódio, do rancor e da indiferença,
Para que possamos ser instrumentos de reconciliação.
Ajudai-nos a compreender que a verdadeira segurança não nasce do controle que alimenta o medo,
Mas da confiança, da justiça, da solidariedade entre os povos.
Senhor, iluminai os lideres das nações para que tenham a coragem de abandonar projetos de morte;
Detenham a corrida armamentista e coloque no centro a vida dos mais vulneráveis,
Que nunca mais a ameaça nuclear condicione o porvir da humanidade.
Espírito Santo, fazei de nós construtores fiéis e criativos da paz cotidiana
Em nosso coração, em nossas famílias, em nossas comunidades, em nossas cidades;
Que cada palavra amável, cada gesto de reconciliação e cada decisão de colóquio sejam sementes de um mundo novo.
Amém.
Com informações CNBB e A12

