O Papa, no último compromisso em Angola nesta segunda-feira (20/04), encontrou a Vida Consagrada em Luanda e incentivou a formação permanente na Escola de Cristo, para ser coerente com o Evangelho e sem medo de espelhar a caridade do Senhor. A fidelidade a Cristo, especialmente em Angola, hoje é particularmente vinculada ao anúncio da paz, sem desistir “de denunciar injustiças”: não se separem do povo, especialmente dos pobres, e evitem a procura dos privilégios, recomendou ainda o Pontífice.
Andressa Collet – Vatican News
A segunda-feira (20/04) do Papa Leão em Angola, que cumpriu agenda inclusive na diocese de Saurimo, ao leste do país, a cerca de 1h30 de voo de Luanda, onde vivem muitos migrantes que fugiram da guerra, foi finalizada na própria capital do país ao achar bispos, sacerdotes, diáconos, consagrados, catequistas e agentes pastorais. Esse foi o último compromisso do Pontífice em Angola nestes 4 dias de passagem pelo país.
Na igreja da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, que inclusive tem na sua base uma pedra proveniente da cidade portuguesa, o Pontífice foi acolhido pelo pároco local e por dom José Manuel Imbamba, presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé, que deu as boas-vindas, agradecendo pela presença de Leão XIV após as visitas de João Paulo II, em 1992, e Bento XVI, em 2009. Dom José também enalteceu a presença no encontro de representantes das Igrejas Cristãs (CICA) e da Comunidade Islâmica (CISA) junto aos rostos católicos “de uma Igreja em saída, que não teme as periferias e tudo faz para levar o Evangelho a cada canto do país”.
Como sinal concreto do compromisso com a ação missionária, através do início do processo de criação do Instituto Missionário Mamã Muxima, o Papa também ouviu três testemunhos: de um sacerdote, que explanou sobre a importância de ser padre não para ser chefe, mas para servir os irmãos e através das comunidades mais pobres do país; do catequista Manuel Almeida, com 7 filhos e os sacrifícios de 35 anos a serviço da evangelização – como fazer 10km diários a pé; e das religiosas Ir. Natália Miguel e Ir. Margarida Adelaide Kundjutu, respectivamente, presidente e secretária da CIRA, a Conferência dos Institutos Religiosos de Angola, que reúne hoje 166 congregações religiosas masculinas e femininas e está presente em todas as dioceses do país ajudando tanto na formação quanto na defesa dos direitos humanos.
Sem medo de dizer ‘sim’ a Cristo
Em discurso, o Papa procurou responder ao questionamento das duas religiosas sobre orientações aos consagrados em Angola, um país onde a maioria da população é jovem. Em especial, Leão XIV encorajou os inúmeros jovens dos seminários e casas de formação a quem o Senhor dá a felicidade de serem discípulos-missionários, através de um dom enviado pelo Espírito Santo “que dignifica e engrandece, compromete e responsabiliza”:
“Não tenham medo de dizer ‘sim’ a Cristo, de configurar completamente a vida de vocês com a d’Ele! Não tenham medo do amanhã: pertençam totalmente ao Senhor. E vale a pena segui-l’O na obediência, na pobreza e na castidade! Ele não tira nada! A única coisa que tira dos nossos ombros e põe aos seus é o pecado.”
Uma missão compartilhada inclusive pelo ministério dos catequistas que, assim como aos consagrados, foi dirigido o agradecimento do Papa “a todos os que serviram e servem o Evangelho em Angola”, um trabalho de evangelização realizado pela esperança de Cristo e pela caridade para com os mais pobres, “sobre os sólidos alicerces da reconciliação e da paz”. Leão XIV reconheceu essa missão por causa do Evangelho, mas recordou que é o Senhor quem dá a recompensa, quem “conhece a generosidade com que abraçaram a vocação”. O Papa também recordou que às vezes pode surgir a tentação de pensar que Ele vem para nos tirar alguma coisa, mas «Ele não tira nada, Ele dá tudo. Quem se doa por Ele, recebe o cêntuplo» (Bento XVI, Homilia no início do Ministério Petrino, 24 de abril de 2005).
A formação permanente na Escola de Cristo
Os discípulos do Senhor, continuou o Pontífice, têm o dever de se doar segundo a lei da caridade. “Na base do agir de vocês, está o ser discípulo de Cristo”, afirmou Leão XIV, enaltecendo sobre a tarefa de imitar gestos, palavras e ações de Cristo, permanecendo “estreitamente unidos a Ele (cf. Jo 15, 1-8). Tudo o resto virá por acréscimo”. Os caminhos que o Senhor abre à Igreja em Angola, então, continuou o Papa, primeiramente é o da fidelidade a Cristo. Por isso, a recomendação para continuar valorizando a formação permamente, vigiando sobre a coerência de vida e perseverando no anúncio da Boa Nova da paz.
Na Escola de Cristo, disse ainda o Papa, “há sempre muito a aprender”. O Pontífice recordou sobre a importância das dimensões contemplativa, formal e institucional da formação permanente que vão muito além: “diz respeito à unidade da vida interior, ao cuidado de nós mesmos e do dom de Deus que recebemos (cf. 2 Tim 1, 6), recorrendo para isso à literatura, à música, ao desporto, às artes em geral, e principalmente à oração de adoração e contemplação”:
“De modo especial nos momentos de abatimento e provação, «é doce permanecer diante de um crucifixo ou de joelhos diante do Santíssimo Sacramento, e fazê-lo simplesmente para estar à frente dos seus olhos! Como nos faz bem deixar que Ele volte a tocar a nossa vida e nos envie [de novo] para comunicar a sua vida nova!» (Papa Francisco, Evangelii Gaudium, 264). Sem esta dimensão contemplativa, deixamos de ser coerentes com o Evangelho e de espelhar a força do Ressuscitado.”
A unidade a Cristo e aos irmãos
A fidelidade de Cristo “é o verdadeiro impulso da nossa fidelidade. Uma fidelidade que não pode prescindir e é facilitada pela unidade dos presbíteros com o seu bispo e com os irmãos do presbitério, dos consagrados e das consagradas com o respetivo superior e entre si”, disse o Papa. Ele acrescentou que é uma fidelidade que, em Angola, mas também no mundo inteiro, hoje é particularmente vinculada ao anúncio da paz, educando para a concórdia e o perdão, sem desistir “de denunciar injustiças, apresentando propostas segundo a caridade cristã. Continuem sendo uma Igreja generosa, que colabora para o desenvolvimento integral do país”. E o Papa Leão XIV finalizou:


