Depois de um pouco de repouso neste domingo, são retomados na manhã desta segunda-feira, os trabalhos da 62ª Assembleia Geral da CNBB, em andamento no Santuário Nacional de Aparecida deste a última quarta-feira, dia 15 de abril. O evento se encerra na próxima sexta-feira, dia 24. Lançado o caminho de preparação para o VII Congresso Americano Missionário (CAM7).
Silvonei José – Vatican News – Aparecida
Continuam nesta segunda semana de trabalhos, as discussões no plenário do Centro de Eventos Padre Vitor Coelho de Almeida do tema central da 62ª Assembleia Geral da CNBB sobre as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE).
Na última coletiva da semana, manhã de sábado, dia 18, dom Leomar Brustolin, arcebispo de Santa Maria (RS) e Presidente do grupo de trabalho de redação do texto das Diretrizes, e dom Pedro Carlos Cipollini, bispo de Santo André (SP), apresentaram as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) à imprensa.
A discussão de aprovação do documento prevê o trabalho dos bispos nos 19 regionais da CNBB, o que já ocorreu no final da tarde de sábado. Desta forma, a metodologia será analisada e, nesta semana, será votada por blocos de capítulos até a conclusão final.
Ao explicar o tema da discussão, dom Leomar Brustolin, sublinhou que as Diretrizes são linhas da ação evangelizadora, ou seja, são caminhos indicativos por onde devemos andar. Desta maneira, com a pluralidade do Brasil, dom Leomar Brustolin salienta que, de forma colegial e sinodal, os sinais do nosso tempo nos revelam os caminhos a seguir.
A sinodalidade
O arcebispo de Santa Maria (RS) destacou que, conforme a realidade muda muito rapidamente, é preciso escolher quais são as prioridades que devemos trabalhar para evangelizar:
“Evangelizar é anunciar a boa nova de Jesus Cristo para todos tenham vida e vida em abundância. Por isso evangelizar é uma ação integral que envolve o ensinamento, a formação, a celebração, sacramentos, e também o cuidado e serviço à vida”, apresentou.
Dom Leomar Brustolin ainda colocou como tema que as diretrizes caminham juntas com a evangelização em anunciar Jesus, como uma Igreja Sinodal:
“Cada vez mais com a participação dos leigos, dos cristãos leigos e leigas. Alimentada pela palavra e os sacramentos, formando comunidades pequenas, de vida cristã, de discípulos missionários a caminho do reino definitivo”, concluiu.
Em seguida, Dom Pedro Carlos Cipollini, salientou a sinodalidade:
“Essas diretrizes que a Igreja do Brasil realiza de tempo em tempo, se configuram como uma resposta a este Sínodo, colocando a sinodalidade com um objetivo, não só pastoral, mas através do pensamento dessas diretrizes”, disse.
Para o bispo de Santo André (SP), essas próprias diretrizes estão sendo construídas de uma forma sinodal, na qual a escuta e acolhida, juntamente com participação e comunhão caminham juntas. Ele enfatiza que a sinodalidade é a resposta e continuidade do Vaticano II:
“Essas diretrizes são pensadas como um serviço, elas não são impostas, mas é um serviço que a Conferência Episcopal presta à Igreja, as dioceses, com a participação de todos os bispos para buscar a unidade na evangelização”, relatou.
Os caminhos da Igreja no Brasil
Dom Pedro Cipollini e Dom Leomar Brustolin foram interrogados pelos jornalistas sobre as decisões que serão tomadas com base nas diretrizes para enfrentar os problemas reais do povo brasileiro, como a violência e a polarização.
Na resposta de Dom Leomar Brustolin, o arcebispo destaca que as diretrizes contemplam a realidade, entre elas, o feminicídio, a lar comum e a paz no mundo:
“Isso se concretiza colocando linhas de ação que permitam a educação da população para uma nova realidade, por exemplo: afeta diretamente a sociedade a Campanha da Fraternidade. São temas que preparam uma boa parte da população brasileira dos católicos para rever pontos de vista”, salientou.
Dom Pedro Cipollini ressalta que as diretrizes contribuem com suas propostas juntamente na figura de Jesus Cristo:
“Conhecer Jesus Cristo pois são diretrizes em vista de um processo de evangelização, mostrando Jesus Cristo de forma que, o conhecimento de Jesus, exija uma conversão”, destacou
Em outro momento, foi questionado a Dom Leomar Brustolin a questão da saúde mental, com relação à preparação da Igreja para lidar com o aumento dos casos de ansiedade e depressão, e de que maneira a fé pode ajudar sem ignorar os tratamentos médicos.
Na resposta, o arcebispo de Santa Maria (RS) explica que, na questão da saúde mental, este tema tem sido discutido e trabalhado, pois, atualmente, toda população tem sido afetada pelos problemas mentais:
“Lá no Rio Grande do Sul, após as enchentes, o nosso trabalho não foi somente cuidar das casas e roupas, mas sim, da saúde mental das vítimas, promovendo terapias para cuidar disso”, relatou.
Dom Leomar Brustolin conclui sua fala afirmando que a Igreja reconhece a importância da dimensão espiritual, mas entende que não se pode deixar de promover também os aspectos psiquiátrico, psicológico e médico, que precisam ser valorizados no cuidado com a pessoa.
Como novidade, o arcebispo anuncia que, no âmbito da CNBB, já há reflexões em andamento sobre a necessidade de revisitar o tema do “sentido da vida”, especialmente diante dos desafios enfrentados por muitas pessoas na atualidade.
VII Congresso Americano Missionário (CAM7)
Neste domingo, 19 de abril, durante a Assembleia Geral da CNBB, na Santa Missa celebrada no Santuário Nacional de Aparecida, foi lançado o caminho de preparação para o VII Congresso Americano Missionário (CAM7). O evento promovido pelas direções nacionais das POM da América, será realizado na Arquidiocese de Curitiba em 2029 e reunirá vinte e dois países do continente. Durante a Assembleia será votado a realização de um Ano Missionário Nacional e uma coleta especial para subsidiar o Congresso.
Eleição
Já na sexta-feira, dia 17 de abril os bispos dedicaram a segunda sessão da Assembleia, à reflexão de três documentos de estudo da CNBB e à eleição do presidente da Comissão para o Ecumenismo e o colóquio Inter-religioso. Foi escolhido dom Rodolfo Weber, arcebispo de Passo Fundo (RS), que ficará no cargo até o final deste quadriênio (2023-2027).
Dom Rodolfo já ocupava interinamente a presidência da comissão desde a transferência do ex-presidente, dom Teodoro Tavares para a Diocese de Santiago de Cabo Verde, na África. Em sua primeira fala, o novo presidente agradeceu pelo trabalho desempenhado por tantos anos por dom Teodoro, que também é membro do Dicastério para o colóquio Inter-religioso do Vaticano.
O primeiro documento de estudo apreciado pelos bispos foi o de número 105: “A Igreja e as Comunidades Quilombolas”, apresentado por dom José Valdeci dos Santos Mendes, presidente da Comissão para a Ação Sociotransformadora da CNBB e bispo de Brejo (MA).
Segundo dom Valdeci, o documento de estudo é fruto da necessidade de orientar as paróquias no relacionamento com as comunidades quilombolas e na defesa da dignidade humana. Nos próximos meses, o texto será encaminhado para a Comissão para a Doutrina da Fé da CNBB, para o Conselho Permanente e para os bispos.
O segundo documento apresentado, de número 85, tratou da Pastoral Afro-brasileira e procura orientar as comunidades na valorização da cultura afro-brasileira. O documento, que segundo dom Zanoni já recebeu posição favorável da Comissão para a Doutrina da Fé e do Conselho Permanente da CNBB, interpela a ser uma Igreja mais samaritana, sinodal e capaz de reconhecer “o rosto do povo negro no rosto do próprio Cristo”.
Dom Zanoni convidou os bispos a lerem e darem contribuições ao documento e, assim, “oferecer ao povo brasileiro uma palavra oficial da Igreja, clara, profética, comprometida com a vida, com a justiça e a dignidade de todos”, finalizou dom Zanoni.
O terceiro documento apreciado pelos bispos foi o de número 116: Ensino Religioso no Brasil, apresentado por dom Dimas Lara Barbosa, arcebispo de Campo Grande (MS). Segundo o arcebispo, o documento foi amplamente divulgado e teve muitas contribuições de regionais da CNBB, instituições, vicariatos, profissionais e universidades católicas. A expectativa é que até a assembleia do ano que vem, o documento final seja aprovado e publicado.
Com informações CNBB e A12

