Papa: mais que “cartão-postal”, Nápoles seja um canteiro de paz

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Um “abraço” aos napolitanos concluiu a breve visita pastoral que Leão XIV realizou à cidade na tarde desta sexta-feira, 8 de maio. O Pontífice se reuniu com os representantes da sociedade civil, com a participação de 50 mil pessoas, para encorajá-los a fazer de Nápoles mais do que um bonito cartão-postal, mas um canteiro de obras, onde se constrói uma paz concreta.

Bianca Fraccalvieri – Vatican News

O Papa Leão concluiu seu intenso dia na região italiana da Campania, sudoeste do país, reunindo-se com os representantes da sociedade civil na histórica “Praça do Plebiscito”, a mais relevante de Nápoles.

Depois de ouvir alguns testemunhos, o Pontífice tomou a palavra e dedicou o seu discurso aos desafios que a cidade enfrenta, inspirando-se na cena evangélica dos discípulos de Emaús. “Banhada pelo mar e beijada pelo sol”, com o Vesúvio que a olha do alto, Nápoles lida com feridas, pobrezas e medos em meio às suas antigas belezas. E hoje sente a necessidade de se questionar: o que conta realmente para não se deixar vencer pelo mal, pelo desencorajamento e resignação?

Antes de responder a esta pergunta, Leão traçou um quadro atual da cidade, que vive um dramático paradoxo. Ao notável aumento do número de turistas, não corresponde um dinamismo econômico capaz de envolver de fato toda a comunidade social. A cidade continua marcada por uma desigualdade social que já não separa mais o centro das periferias, mas se manifesta inclusive dentro de cada área, com periferias existenciais aninhadas até mesmo no coração do centro histórico.

Em muitas zonas, percebe-se uma verdadeira geografia da desigualdade e da pobreza, alimentada por problemas há muito não resolvidos. O Papa citou a disparidade de renda, as escassas perspectivas de trabalho, a falta de estruturas e serviços adequados, a ação generalizada da criminalidade, o drama do desemprego e a evasão escolar. Diante dessas realidades, acrescentou o Santo Padre, a presença e a ação do Estado são mais necessárias do que nunca, para proporcionar segurança e confiança aos cidadãos e reduzir o espaço da criminalidade organizada.



Cerca de 50 mil pessoas participaram do encontro com o Papa   (@Vatican Media)

Os “heróis sociais” de Nápoles

Do outro lado, Leão XIV citou os inúmeros cidadãos e estruturas, “heróis sociais”, que não cedem ao desânimo. Com eles, está a Igreja, que contribui notavelmente para este trabalho em rede.  “Gostaria, portanto, de fazer um apelo a todos vocês: não deixem que essa rede que os une se rompa, não deixem que essa luz que vocês começaram a acender na escuridão se apague, não deixem que esse sonho que vocês estão realizando por uma Nápoles melhor e mais bonita perca sua cor!”

“Nápoles não deve permanecer uma simples “cartão-postal” para os visitantes, mas deve tornar-se um canteiro de obras aberto, onde se constrói uma paz concreta, visível na vida cotidiana das pessoas.”

Jovens, protagonistas da mudança

Esta paz, prosseguiu o Papa, parte do coração do homem, atravessa as relações, e cria raízes nos bairros e nas periferias, e se expande até abraçar toda a cidade e o mundo. A paz se constrói promovendo uma cultura alternativa à violência, por meio de gestos cotidianos, percursos educacionais e escolhas práticas de justiça. O Pontífice citou a vocação da cidade à acolhida de quem sofre e as muitas obras de caridade empreendidas

“Irmãos e irmãs, Nápoles precisa desse impulso, dessa energia transformadora do bem, da coragem evangélica que nos torna capazes de renovar tudo. Que seja um compromisso de todos: assumam-no e levem-no adiante todos juntos! Façam-no especialmente com os jovens, que não são apenas destinatários, mas protagonistas da mudança.”

O Santo Padre se despediu agradecendo pela acolhida recebida, confiando todos os napolitanos à intercessão de Nossa Senhora e de “San Gennaro”, São Januário, padroeiro da cidade.  “Que o Senhor os mantenha sempre fiéis ao Evangelho e abençoe a cidade de Nápoles!”

Depois, improvisando algumas palavras, antes de deixar a Praça o Papa disse : “antes de irmos embora, vamos agradecer ao coro e a todos os músicos desta noite. Obrigado! E obrigado a todos os doentes que nos acompanharam nesta tarde: uma bênção especial para vocês! Obrigado, obrigado… Obrigado a todos e “Viva Nápoles”.

Foi assim que o Papa Leão XIV saudou os fiéis presentes na Praça do Plebiscito, em Nápoles, última etapa de sua visita pastoral à capital napolitana. O Papa subiu então a bordo do “papamóvel” para se dirigir à Rotonda Diaz, de onde decolará o helicóptero que o trará de volta ao Vaticano.

 

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