Que o Deus da paz faça brotar uma transbordante efusão de misericórdia, toque os corações, aplaque os rancores e os ódios fratricidas, ilumine aqueles que têm responsabilidades especiais de governo. Nenhuma potência terrena salvará o mundo, mas somente o poder divino do amor, que Jesus, o Senhor, nos revelou e nos deu. Acreditemos nele, esperemos nele, sigamos a ele! Foi a súplica e a exortação de Leão XIV na Missa na Praça do Santuário de Pompeia, onde celebrou o primeiro ano de seu Pontificado
Raimundo de Lima – Vatican News
Uma jornada com muitos encontros e orações para Leão XIV esta sexta-feira na região da Campania, sul da Itália: após o encontro com pessoas em situações de vulnerabilidade no “Templo da Caridade” do Santuário de Nossa Senhora do Santo Rosário de Pompeia e breve visita no âmbito do Santuário aos enfermos e pessoas com deficiências que acompanharam a Missa através dos telões, o Santo Padre presidiu a Eucaristia – centro e ápice da vida cristã – na Praça Bartolo Longo do Santuário mariano, numa visita ao longo deste 8 de maio pela manhã a Pompeia, e na parte da tarde a Nápoles, para celebrar a Súplica a Nossa Senhora de Pompeia e o primeiro ano de seu Pontificado. Na Missa, cerca de 20 bispos, mais de 40 sacerdotes e 20 mil fiéis e peregrinos.
Pontificado de Leão XIV, sob a proteção da Santíssima Virgem
No início de sua homilia, o Santo Padre lembrou a fundação do Santuário, por obra de São Bartolo Longo: há cento e cinquenta anos, ao colocar a pedra fundamental deste Santuário, no local onde a erupção do Vesúvio em 79 d.C. sepultou sob cinzas os vestígios de uma grande civilização, protegendo-os por séculos, São Bartolo Longo lançava os alicerces não apenas de um templo, mas de toda uma cidade mariana.
Exatamente um ano atrás, quando me foi confiado o ministério de Sucessor de Pedro, era precisamente o dia da Súplica à Virgem do Santo Rosário de Pompeia. Eu devia, portanto, vir aqui, para colocar meu serviço sob a proteção da Santíssima Virgem. Tendo então escolhido o nome Leão, sigo os passos de Leão XIII, que, entre outros méritos, desenvolveu um amplo Magistério sobre o Santo Rosário.
A tudo isso, se soma a recente canonização de São Bartolo Longo, apóstolo do Rosário. Este contexto nos oferece uma chave para refletir sobre a Palavra de Deus que acabamos de ouvir, acrescentou o Santo Padre, frisando que o Evangelho da Anunciação nos introduz ao momento em que o Verbo de Deus se faz carne no ventre de Maria. Desse ventre irradia a Luz que dá pleno sentido à história e ao mundo. A saudação que o anjo Gabriel dirige à Virgem é um convite à felicidade: “Ave, cheia de graça!”. Sim, a Ave Maria é um convite à felicidade: diz a Maria, e por meio dela a todos nós, que sobre as ruínas da nossa humanidade, provada pelo pecado e, portanto, sempre inclinada a prevaricações, opressões e guerras, chegou o afeto de Deus, o afeto da misericórdia, que assume em Jesus um rosto humano.
Maria, Mãe da Misericórdia
Leão XIV destacou que Maria torna-se, assim, a Mãe da Misericórdia. Discípula da Palavra e instrumento da sua encarnação, revela-se verdadeiramente “cheia de graça”. Tudo nela é graça! Oferecendo ao Verbo a própria carne, ela torna-se também “mãe dos membros (de Cristo)… porque cooperou com a caridade ao nascimento dos fiéis da Igreja, que são os membros dessa Cabeça”. No “Eis-me aqui” de Maria, não só Jesus nasce, mas também a Igreja, e Maria torna-se simultaneamente Mãe de Deus – Theotokos – e Mãe da Igreja.
Referindo-se à Ave-Maria, o Pontífice ressaltou que se trata de uma oração que, surgindo e desenvolvendo-se progressivamente no segundo milênio, está enraizada na história da salvação, e o seu prelúdio é precisamente a Saudação do Anjo à Virgem. “Ave Maria!” A repetição desta oração no Rosário é como o eco da saudação de Gabriel, um eco que atravessa os séculos e guia o olhar do fiel para Jesus, visto através dos olhos e do coração da Mãe. Jesus é adorado, contemplado, assimilado em cada um dos seus mistérios.
O Rosário direciona o nosso olhar para as necessidades do mundo, como sublinha a Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, propondo, em particular, duas intenções que permanecem de premente relevância: a família, que se ressente do enfraquecimento do vínculo matrimonial, e a paz, ameaçada por tensões internacionais e por uma economia que privilegia o comércio de armas em detrimento do respeito pela vida humana.
Somente o poder divino do amor salvará o mundo
Quando São João Paulo II proclamou o Ano do Rosário — que no próximo ano completará um quarto de século —, ele quis colocá-lo especialmente sob o olhar da Virgem de Pompeia. Os tempos não melhoraram desde então. As guerras que ainda são travadas em muitas regiões do mundo exigem um renovado compromisso, não apenas econômico e político, mas também espiritual e religioso. A paz nasce no coração. O mesmo Pontífice, em outubro de 1986, reuniu os líderes das principais religiões em Assis, convidando a todos a rezar pela paz. Em diversas ocasiões, inclusive recentemente, tanto o Papa Francisco quanto eu, observou Leão XIV, pedimos aos fiéis de todo o mundo que rezassem por esta intenção. Não podemos nos resignar às imagens de morte que os noticiários nos apresentam todos os dias. Deste Santuário, cuja fachada São Bartolo Longo concebeu como um monumento à paz, elevamos hoje nossa oração com fé. Jesus nos disse que a oração feita com fé pode alcançar todas as coisas.
E São Bartolo Longo, pensando na fé de Maria, chama-a de “onipotente pela graça”. Por sua intercessão, que o Deus da paz faça brotar uma transbordante efusão de misericórdia, que toque os corações, aplaque os rancores e os ódios fratricidas, ilumine aqueles que têm responsabilidades especiais de governo.
Irmãos e irmãs, nenhuma potência terrena salvará o mundo, mas somente o poder divino do amor, que Jesus, o Senhor, nos revelou e nos deu. Acreditemos n’Ele, esperemos n’Ele, sigamos a Ele!

