Na homilia da missa celebrada no Santuário de Nossa Senhora do Bom Conselho na cidade italiana de Genazzano, o Papa convidou “a confiar à Menina Maria tudo o que ainda nasce nesta pobre, porém magnífica, humanidade”. “Celebramos o nascimento de uma menina chamada a ser a Mãe de seu Criador, a Mãe de Deus que salva. No entanto, ela nasce simplesmente uma menina, como as filhas e netas que seguramos em nossos braços”. Pedimos-lhe que “a celebração do seu nascimento aumente a nossa paz”.
Mariangela Jaguraba – Vatican News
O Papa Leão XIV celebrou a missa no Santuário de Nossa Senhora do Bom Conselho na cidade italiana de Genazzano, na tarde desta segunda-feira (07/09), em vista da Festa da Natividade da Bem-Aventurada Virgem Maria, celebrada em 8 de setembro.
Maria é o alvorecer de um novo dia
Leão XIV iniciou sua homilia, recordando que nos primeiros dias de seu pontificado sentiu o “dever e um profundo desejo” de se “aproximar de Genazzano, do Santuário de Nossa Senhora do Bom Conselho”. “Ao longo da minha vida”, Nossa Senhora do Bom Conselho “me acompanhou com sua presença maternal, sua sabedoria e o exemplo de seu amor por seu Filho, que é sempre o centro da minha fé”, disse o Santo Padre.
Inteligência que conversa com Deus
Neste lugar de antiga presença agostiniana, Leão OXIV retornou às páginas bíblicas, lembrando a propósito as palavras “São Tomás de Villanova, frade e bispo agostiniano que, dedicando sua vida ao serviço dos pobres, penetrou profundamente a verdade da fé. Ele soube ver o paradoxo da pequenez e, por assim dizer, da marginalidade de Maria, centralizada na economia da salvação”. São Tomás se perguntava: “Como deve ter sido o nascimento de uma menina na época de Joaquim e Ana?” “Refleti muitas vezes”, escreve ele, “e perguntei-me por que os evangelistas, que falaram tão extensamente de São João Batista e dos apóstolos, nos contam de forma tão sucinta a história da Virgem Maria, que supera todas as outras em sua experiência e estatura pessoal. Por que, pergunto, não nos foi contada a sua concepção, o seu nascimento, a sua educação, os seus hábitos, as virtudes que a adornavam, a relação humana que tinha com o seu filho, como se relacionava com ele, como vivia com os apóstolos após a sua ascensão? Todas essas coisas eram importantes, e os fiéis as teriam lido com singular devoção, e teriam agradado ao povo comum. Ó evangelistas, eu me dirijo a vós! Por que nos privastes de tamanha felicidade com o vosso silêncio? Por que omitistes detalhes tão alegres, tão aguardados, tão agradáveis?”.
O caminho de Deus é simples e silencioso
De acordo com São Tomás de Villanova, os evangelistas “permaneceram em silêncio sobre ela, pela simples razão de que a grandeza da Virgem estava toda nela, e podia ser imaginada em vez de descrita, e que, como resumo da sua história, o que está expresso no título é suficiente: que Jesus nasceu dela”.
Imaginar a paz
“Assim, como Maria, também nós somos “predestinados a sermos conformes à imagem do Filho”: pela graça, certamente, mas também desejando e preferindo a sua estrada, as suas escolhas, o seu caminho. Em Jesus Cristo, Deus escolheu as condições históricas e a mais humilde das criaturas para manifestar a originalidade do seu Reino, no qual a prepotência não tem lugar e a onipotência é criação, serviço e cuidado da vida”, disse o Papa.
Leão XIV nos convidou a dirigir “à pequena Maria”, pedindo-lhe que “a celebração do seu nascimento aumente a nossa paz”. “Sim, queridos irmãos, queremos imaginar a paz — ampliar os limites da compreensão e pintá-la em nossa alma — para reconhecer que ela já existe, para acolhê-la e servi-la. É o dom de Deus, o sopro do Ressuscitado, a obra do Espírito Santo. Deixemos a paz crescer em nós. Ela brotará no mundo. E a Mãe do Bom Conselho nos acompanhará nessa missão”, concluiu.


