Ao final da Audiência Geral, Ewa Machaj-Antosiewicz, que chegou de Łódź, Polônia, acompanhada por cerca de setenta obstetras, contou a Leão XIV que nasceu no campo de concentração de Auschwitz em 1944, graças à Serva de Deus Stanisława Leszczyńska. O encontro com cerca de cinquenta jovens da Basílica da Anunciação em Nazaré, ansiosos por seguir o exemplo de São Francisco.
Fabrizio Peloni – Vatican News
“Nasci no campo de concentração de Auschwitz em 20 de dezembro de 1944, graças à Serva de Deus Stanisława Leszczyńska, a obstetra polonesa que auxiliou cerca de 3 mil mulheres a dar à luz durante a detenção no campo de concentração nazista. Foi ela quem me deu o mesmo nome da primeira mulher mencionada na Bíblia.” Este é o testemunho de Ewa Machaj-Antosiewicz, que veio de Łódź a Roma para participar da Audiência Geral de Leão XIV na manhã desta quarta-feira, 16 de setembro, acompanhada por cerca de setenta obstetras da Associação que leva o nome de sua inesquecível colega. Ao final da catequese, elas cumprimentaram o Papa.
A obstetra que desafiou o carrasco Mengele
Elas foram acompanhadas até a Praça São Pedro pelo bispo Krzysztof Józef Nykiel, regente da Penitenciaria Apostólica. “Esta peregrinação a Roma tem como objetivo agradecer ao Senhor por nos ter concedido uma figura como a da serva de Deus Stanisława, no 130º aniversário de seu nascimento, pelo bem que ela fez em favor da vida, salvando nossas criaturas”, afirmou o bispo, que é postulador da causa de canonização. Nykiel lembrou a resposta dada por Leszczyńska “ao médico Josef Mengele, tristemente conhecido como ‘o Anjo da morte’, que lhe ordenou que matasse todos os recém-nascidos do campo: ‘Não se pode matar uma criança’”. “Para nós, o que vivemos hoje é um presente inesquecível e um grande incentivo para continuar a extraordinária missão em favor da vida, seguindo o exemplo da serva de Deus”, disse Mariola Sienkiewicz, que liderou o grupo.
Seminaristas de Płock e escolhas corajosas
Também da Polônia, quatorze seminaristas e quatro formadores do Seminário Maior de Płock agradeceram ao Pontífice, que em sua saudação os exortou a não terem “medo de fazer escolhas corajosas na vida, colocando-se a serviço de Deus e do próximo”.
Jovens de Nazaré que seguem São Francisco
Este apelo também tocou os corações dos quarenta jovens entre 20 e 30 anos que vieram da paróquia da Basílica da Anunciação em Nazaré. “Neste momento, nos sentimos fortes porque nos sentimos acolhidos, sentimos a proximidade do Papa aos jovens da Terra Santa, e isso nos impulsiona a compreender a importância da nossa presença na cidade onde Jesus viveu seus primeiros trinta anos, esforçando-nos para sermos, como ele, portadores de uma mensagem de paz”, disse Randia Rashed, que resumiu os pensamentos compartilhados com seus amigos, destacando “quão forte é o desejo de semear sementes de esperança para um porvir de paz entre todos os povos da Terra Santa”. O frei Franciscano Diab Roshrosh, responsável pela pastoral da juventude na paróquia — acompanha cerca de 300 garotos e garotas — também falou do profundo encontro que teve com o secretário de Estado Vaticano, cardeal Pietro Parolin, pouco antes da Audiência Geral. “Ele nos exortou a ficar, a não abandonar nossa terra em consequência do trágico conflito que a assola, e a sermos testemunhas de uma identidade humana que siga o exemplo de São Francisco”, explicou o jovem frade, especificando que a peregrinação continuará em direção a Assis, “ao túmulo do Pobrezinho”.
Do Líbano, cantora cega louva Jesus
Também do Oriente Médio, do Patriarcado Maronita de Antioquia, no Líbano, a cantora cega Dalia Freyfer, coordenadora do Escritório para a Pastoral das Pessoas com Deficiência, descreveu ao Papa como “num país marcado pela guerra, deslocamento e dificuldades, as pessoas com deficiência são, muitas vezes, as últimas a serem alcançadas e as primeiras a serem esquecidas”. A artista doou ao Bispo de Roma um cartaz com a frase “Perdi a visão, Jesus é a minha luz”, que resume seu testemunho de vida, sua produção de canções sacras e seu papel como “embaixadora da esperança” para tantas pessoas com deficiência.
Crianças com leucemia de Las Vegas
Rino Armeni, presidente da Fundação ZO’s Braveheart (ZBF), com sede em Las Vegas, que ajuda famílias com crianças com leucemia, também falou sobre os difíceis desafios diários enfrentados. “Esta manhã”, disse-nos ele, “Leão XIV cumprimentou calorosamente as únicas três crianças, das 20 que cuidamos, capazes de enfrentar a longa viagem dos Estados Unidos.”


