O prefeito do Dicastério para as Igrejas Orientais discursou no encontro anual dos bispos católicos orientais da Europa, que está sendo realizado em Máriapócs, na Hungria. Ele transmitiu a bênção e as saudações do Papa aos participantes. O cardeal então voltou seus pensamentos para as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio: que a fé cristã “compartilhada” continue sendo “um instrumento de conversão dos corações”.
Giada Aquilino – Vatican News
“Há necessidade de uma voz coordenada nas Igrejas Católicas Orientais, especialmente na Europa”, onde se manifesta “um sentimento comum”. Foi o que disse nesta quarta-feira, 16 de setembro, o cardeal Claudio Gugerotti, prefeito do Dicastério para as Igrejas Orientais, no encontro anual dos bispos católicos orientais da Europa, que se realiza em Máriapócs, Hungria, até a próxima sexta-feira, 18 de setembro, organizado pelo Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE). Aos participantes, reunidos desde o início da semana, o cardeal transmitiu a bênção e as saudações do Papa Leão XIV, antes de refletir sobre a Europa atual, que, enfatizou, sofre com a “secularização, as dificuldades, o individualismo”, mas também vivencia uma “conotação particular”: “Neste momento, como muitos bispos nos asseguram, há um grande desejo dos jovens de conhecer Cristo”.
Uma resposta mais imediata
O convite foi então para que a liturgia não permanecesse “um ato puramente cerimonial”, “conhecido apenas por aqueles que a celebram”, mas se tornasse uma “fonte” de meditação e reflexão, através da “riqueza de imagens” e “líricas”. “Suas liturgias trazem consigo uma forma de expressão tão imediata, tão viva e tão forte que comunicam a mensagem cristã de uma maneira muito mais atraente e mais próxima ao coração.” Os jovens “em busca de Deus”, talvez sem “preparação teológica e catequética”, poderiam então achar “no apoio de seus textos” a capacidade de perceber “uma resposta mais imediata às suas necessidades”.
As guerras na Ucrânia e no Oriente Médio
O cardeal Gugerotti então voltou sua atenção para as muitas realidades da guerra, da Ucrânia ao Oriente Médio, cujas consequências são sentidas tanto imediatamente quanto a longo prazo. “O hábito de fingir que a guerra não está acontecendo, para poder sobreviver, cobra seu preço”, especialmente “em termos psicológicos”, com “um impacto muito forte”. Ele espera que “a fé cristã, compartilhada e comunicada” em seus respectivos contextos, “continue sendo um instrumento de conversão dos corações”.
Em seguida, fez um apelo particular por uma “solidariedade concreta” para o Oriente Médio, onde, observou o prefeito do Dicastério para as Igrejas Orientais, “nossos irmãos estão passando por um sofrimento imenso”, “em uma instabilidade que está levando muitos” a deixar as terras de origem do cristianismo. Ele exortou a “nos conectarmos com esses nossos irmãos”, para que não se sintam sozinhos e isolados, mas “acompanhados”, para que “sintam e entendam que estamos com eles para ajudá-los a manter sua cultura”. Muitos deles, acrescentou, chegarão às nossas terras: “Aprendamos desde agora a nos abrir também a eles, porque a diferença, a multiplicidade dessas tradições é parte integrante da identidade cristã e católica”, enfatizou.
Os desafios do nosso tempo
Saudando os bispos católicos orientais da Europa e todos os presentes, o bispo greco-católico Ábel Szocska, eparca de Nyiregyhaza (em cujo território se encontra o Santuário de Máriapócs), enfatizou a importância de “redescobrir continuamente Cristo nas profundezas da nossa liturgia, da nossa Teologia, da nossa espiritualidade e da nossa disciplina eclesiástica”, buscando “respostas aos desafios do nosso tempo”, segundo uma tradição que “nos guarda, nos forma e nos renova”. No ano em que se comemora o 330º aniversário da “primeira lacrimação do ícone milagroso da Mãe de Deus”, dom Szocska lembrou que justamente essas lágrimas “nos convidam não apenas a preservar a memória do passado, mas também a prestar atenção ao que Deus pede hoje a cada um de nós”, com um testemunho “forte, autêntico e cheio de esperança na Europa” contemporânea.
A espiritualidade oriental
Ao intervir nos trabalhos, o arcebispo de Hajdúdorog, Péter Fülöp Kocsis, destacou a presença de bispos e outros líderes eclesiais provenientes da Polônia, Belarus, Ucrânia, Eslováquia, Romênia, Macedônia do Norte, Itália, Áustria, Alemanha e outros países, “todos unidos por um mesmo patrimônio: a espiritualidade oriental”. Todos chamados a viver uma realidade em metamorfose. “Vemos e vivenciamos que, devido à migração, desafios históricos e mudanças sociais, milhares de nossos fiéis vivem hoje fora das fronteiras tradicionais, nas grandes cidades da Europa Ocidental e em muitas partes do mundo. Enquanto, por um lado, devemos fortalecer na fé e no amor pela Igreja de Cristo os fiéis que vivem em seus lares históricos — afirmou ele —, somos chamados, ao mesmo tempo, a dedicar uma atenção cada vez maior aos nossos irmãos que se encontram fisicamente mais distantes. Essa situação constitui, ao mesmo tempo, um grande desafio pastoral e uma missão profética”.

