Os esforços criativos para a negociação e a ilusão do rearmamento

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Leão convidou a rezar o Rosário pela paz durante o mês de outubro. E, em Metz, convidou a “sacrificar algumas posições pelo bem maior”.

Andrea Tornielli

Ao final da missa em Lourdes, Leão XIV convidou a rezar o Terço pela paz durante todo o próximo mês de outubro. E, no discurso em Metz sobre as raízes da Europa para a paz e a unidade, ele proferiu mais uma vez palavras inequívocas sobre a frenesia do rearmamento que contagiou um grande número de países e que tem como protagonistas também os europeus, com o plano “ReArm Europe” e o compromisso da OTAN de elevar os gastos militares para 5% do PIB.

O Sucessor de Pedro retomou a expressão usada por Bento XV em relação à Grande Guerra, referindo-se a um “novo massacre inútil” que hoje se desenrola também na Europa. E destacou a necessidade de se empenhar, demonstrando “coragem na negociação e estar disposto a sacrificar algumas posições pelo bem maior da paz”. A própria palavra “negociação”, no clima belicista que caracteriza nossa época, acaba sendo considerada imprópria, e o confronto armado até as últimas consequências é apresentado como inevitável.

É claro que o Papa Leão quis esclarecer que a busca pela paz não deve ser confundida com o que ele definiu como “um irenismo ingênuo”, lembrando, ao mesmo tempo – com as palavras de Robert Schuman –, que a paz mundial não pode ser salvaguardada sem esforços criativos proporcionais aos perigos que a ameaçam. Mas acrescentou imediatamente que “é preciso ter cuidado com a ilusão do rearmamento”. Portanto, é muito difícil incluir o imenso aumento dos gastos militares entre esses “esforços criativos”.

Em seu discurso em Metz, o Bispo de Roma citou, então, um trecho da Mensagem para o Dia Mundial da Paz, no qual escrevia: “não por acaso, os repetidos apelos para aumentar os gastos militares e as decisões que daí decorrem são apresentados por muitos governantes com a justificativa do perigo representado pelos outros”. É interessante lembrar em que contexto essas palavras foram proferidas: Leão, naquele texto, observava que “na relação entre cidadãos e governantes, chega-se a considerar uma falha o fato de não se estar suficientemente preparado para a guerra, para reagir aos ataques, para responder à violência. Muito além do princípio da legítima defesa, no plano político, essa lógica de antítese é o fato mais atual em uma desestabilização global que assume a cada dia maior drama e imprevisibilidade”. E continuava observando que “a força dissuasiva do poder e, em particular, a dissuasão nuclear, encarnam a irracionalidade de uma relação entre os povos baseada não no direito, na justiça e na confiança, mas no medo e no domínio da força”.

Agora, em Metz, Leão acrescentou: “promover a paz é uma obra ativa. Hoje, precisamos nos questionar se estamos realmente fazendo ‘esforços criativos’ para promover a paz mundial, ou se estamos simplesmente tentando ‘conter a hemorragia da guerra’ e nos preparar melhor para aquelas que presumimos que ainda estão por vir”. É uma pergunta deixada em aberto, à qual, no entanto, não é difícil responder, se considerarmos a impotência da diplomacia internacional e europeia diante dos conflitos.

A Europa com a qual Schuman sonhava é um continente baseado no direito internacional, onde se prefere dialogar em vez de se enfrentar com armas, unindo recursos para garantir que qualquer guerra se torne não apenas impensável, mas materialmente impossível.

O enésimo apelo do Pontífice, “vox clamantis in deserto”, insere-se na continuidade do magistério que caracterizou seu pontificado desde os primeiros passos, assim como o de seus antecessores imediatos. Em 26 de junho de 2025, ao receber os participantes da ROACO, Leão XIV havia dito: “como é possível acreditar, após séculos de história, que as ações bélicas tragam a paz e não se voltem contra quem as conduziu?… Como se pode continuar a trair os anseios de paz dos povos com a falsa propaganda do rearmamento, na vã ilusão de que a supremacia resolve os problemas em vez de alimentar o ódio e a vingança? As pessoas estão cada vez menos alheias à quantidade de dinheiro que vai para os bolsos dos mercadores da morte e com o qual se poderiam construir hospitais e escolas; e, em vez disso, destroem-se aqueles que já estão construídos!”. Já em 11 de outubro do mesmo ano, ao presidir a Vigília Mariana pela Paz na Praça São Pedro, ele havia dito: “aos poderosos do mundo, àqueles que conduzem o destino dos povos: tenham a ousadia do desarmamento!”. Além disso, durante a visita à Universidade La Sapienza, em Roma, na manhã de 14 de maio de 2026, o Papa havia dito: “no último ano, o aumento dos gastos militares no mundo, e particularmente na Europa, foi imenso: não se deve chamar de ‘defesa’ um rearmamento que aumenta as tensões e a insegurança, empobrece os investimentos em educação e saúde, nega a confiança na diplomacia e enriquece elites que não se importam com o bem comum”.

O que transparece das palavras proferidas pelo Pontífice é uma visão profundamente realista, consciente dos desastres a que levaram as guerras dos últimos anos, caracterizadas por armamentos cada vez mais sofisticados e “inteligentes” que, no entanto, acabaram por massacrar um número imenso de civis inocentes. É, ao mesmo tempo, uma visão profundamente enraizada no Evangelho: as palavras de Jesus, que para alguns podem parecer um sinal de fraqueza, são, ao contrário, o caminho para interromper a espiral de violência e vingança, pois, como ensinou São João Paulo II, não há paz sem justiça, mas não há justiça sem perdão.

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