Segundo comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé, Leão XIV agradeceu aos presentes pelo doloroso testemunho e reafirmou seu compromisso para que o mal sofrido não se repita com outras pessoas.
Vatican News
Na tarde de hoje, pouco depois das 17h30, na lar Episcopal de Lourdes, o Papa Leão XIV recebeu sete pessoas — quatro homens e três mulheres — vítimas de abusos por parte de membros do clero e da Igreja da França, acompanhadas por Dom Gérard Le Stang, bispo de Amiens e presidente do Conselho para a Prevenção e o Combate à Pedofilia da Conferência Episcopal da França.
O Papa se reuniu individualmente e em particular com cada um deles, ouvindo suas histórias, a dor e o sofrimento vividos — às vezes, infelizmente, com a cumplicidade ou o silêncio daqueles que poderiam tê-los ajudado — e suas propostas para que isso não se repita. Com alguns, ele permaneceu por alguns instantes em oração.
Ao final, pouco depois das 19h, o Papa reuniu-se com todos em uma sala da lar Episcopal e dirigiu-lhes algumas palavras, agradecendo pelo doloroso testemunho e reafirmando seu compromisso para que o mal sofrido não se repita com outras pessoas. O Papa Leão expressou sua solidariedade a eles e, por meio deles, a todos aqueles que sofreram e ainda sofrem pelas feridas causadas pelos abusos infligidos.
Por fim, expressando o desejo de poder trabalhar em conjunto para que a comunidade dos fiéis seja cada vez mais um lugar onde homens e mulheres, de todas as idades, possam achar consolação e cura, o Papa pediu aos presentes que rezem por ele e concedeu-lhes sua bênção. O encontro terminou por volta das 19h30.
Troca genuína
Os sete integrantes que hoje expuseram ao Papa a gravidade do flagelo dos abusos na Igreja foram “selecionados” pela Conferência Episcopal Francesa e pela Conferência dos Religiosos e Religiosas da França, após contatos com cerca de quarenta interlocutores, entre grupos e indivíduos. Todos haviam apresentado algumas ideias e propostas para a realização do encontro e, na organização, procurou-se garantir a representatividade mais equitativa possível. O número reduzido de participantes – que gerou reclamações por parte de alguns coletivos – foi uma escolha ditada pela vontade de permitir uma troca genuína, conforme solicitado pelo próprio Leão XIV. O grupo, no entanto, entregou ao Papa cartas de alguns dos grupos ou indivíduos contatados pelo Serviço de Proteção aos Menores da Conferência Episcopal.
Vigilância máxima
Ainda esta manhã, Leão XIV fez referência ao “doloroso flagelo” dos abusos contra menores cometidos por membros do clero ou no âmbito eclesial durante seu discurso aos bispos, com quem se reuniu antes da Missa em Lourdes.
O Papa pediu “vigilância máxima”, lembrando, ao mesmo tempo, a determinação com a qual a Conferência Episcopal adotou medidas corajosas para responder às vítimas – uma referência ao processo de transparência, reformas e indenizações iniciado pelos bispos franceses. De acordo com um Relatório de 2021, mais de 210 mil menores foram vítimas de abusos por parte de quase 3 mil padres e religiosos entre 1950 e 2020.
Os bispos abordaram a questão dos abusos em todas as últimas Assembleias Plenárias e procuraram garantir que as vítimas, que no passado denunciavam indiferença por parte da Igreja, fossem ouvidas.

