Durante o voo de Metz para Roma, ao conversar com os jornalistas, Leão XIV falou sobre os conflitos e os interesses econômicos que os sustentam: “A Igreja continua a levantar a voz, anunciando o Evangelho. Poucos estão enriquecendo com a indústria bélica; com esses bilhões, seria possível resolver problemas como a fome no mundo”.
Vatican News
No voo de retorno a Roma, após quatro dias de Viagem Apostólica à França, Leão XIV conversou com os jornalistas que o acompanharam durante a visita. Em um balanço da peregrinação, o Papa destacou os momentos vividos em Lourdes e o encontro com 80 mil jovens no Stade de France, em Paris, como experiências marcadas pela esperança, pela fé e pela proximidade com pessoas que sofrem. “Os quatro dias foram literalmente repletos de muitas bênçãos”, afirmou, recordando especialmente os doentes, os idosos e aqueles que são marginalizados pela sociedade.
Na conversa, Leão XIV também respondeu a questões sobre os abusos sexuais na Igreja, a defesa da vida e o fim da vida, o problema da habitação, as guerras entre Rússia e Ucrânia, os gastos com armamentos, os riscos relacionados à inteligência artificial e a situação da Igreja na Alemanha. Ao longo das respostas, o Papa reafirmou a missão da Igreja de anunciar o Evangelho, proteger a dignidade humana e promover o colóquio, a paz e o cuidado com os mais vulneráveis.
Matteo Bruni: Boa noite, Santidade. Obrigado por estes dias de viagem, por esta viagem tão intensa. Era, certamente, uma viagem muito aguardada, que deixou muitos franceses felizes com a sua presença e com as suas palavras. Penso que, com suas palavras, o senhor também tocou em aspectos profundos da alma do povo francês. E acredito que tenha feito felizes também muitos católicos, muitos cristãos, que se sentiram confirmados na fé. Talvez o senhor possa começar nos dizendo como viveu esta viagem.
Depois, se precisarem de tradução, poderemos ajudá-los. Antes de tudo, mais uma vez, obrigado pelo trabalho que vocês realizaram. Penso que estiveram bastante ocupados nestes últimos quatro dias e, de certo modo, foi um programa muito intenso. Os quatro dias foram literalmente repletos de muitas bênçãos. Eu diria até de quase milagres, especialmente o tempo passado em Lourdes, caminhando com tantas pessoas doentes e sofredoras, acompanhando-as, e vendo como a graça da presença de Deus se manifestou de tantas maneiras diferentes: tocando o coração das pessoas, transformando suas vidas e, para usar uma expressão que mencionei ali, devolvendo dignidade aos doentes, aos idosos e àqueles que, em algumas partes da sociedade, são descartados. Assim, foram muitos os sinais, as expressões e os símbolos ao longo desses quatro dias. E, pessoalmente, senti-me muito abençoado pelo privilégio de visitar a França e, sobretudo, de encorajar os jovens, que evidentemente estão à procura de alguma coisa. Isso ficou muito evidente no estádio, naquela noite em que 80 mil jovens, vindos de toda a França, se reuniram. Seu entusiasmo, sua felicidade e o sentimento de esperança que transmitiram foram muito marcantes. Mas, sobretudo, penso que eles próprios receberam essa esperança e poderão compartilhá-la com outros. Portanto, entre as muitas coisas que celebramos e vivemos durante esses quatro dias, eu diria que esses foram alguns dos momentos mais marcantes. Sem excluir os outros, é claro, mas considero esses particularmente significativos. Estou muito feliz por ter tido vocês comigo nesta viagem. E, se tiverem algumas perguntas…
Cyriac Zeller (I.Media): Boa noite, Santidade. Ontem, durante uma coletiva de imprensa, as vítimas que o senhor encontrou nos disseram que o senhor havia reconhecido diante delas o caráter sistêmico dos abusos sexuais na Igreja. É realmente essa a sua posição? Poderia explicar melhor seu ponto de vista? O senhor considera que os abusos sexuais na Igreja são sistêmicos?
Eu diria — sem querer contradizer ninguém, porque considero isso muito relevante — que, antes de tudo, gostaria de dizer que, ao me achar com aquelas sete vítimas, pedi a elas que também me ajudassem a transmitir a outras vítimas a disposição, tanto minha quanto da Igreja, de escutá-las e de caminhar com elas enquanto buscam a cura, reconhecendo a dor que as situações de abuso causaram em suas vidas. Várias delas falaram de abuso sistêmico. Pessoalmente, prefiro expressá-lo de outra maneira, embora tenha falado de algumas organizações dentro da Igreja que, em determinados momentos, funcionaram, por assim dizer, como sistemas abusivos.
Mas penso que é relevante fazer uma distinção. O abuso sexual é, antes de tudo, um problema humano. Quando acontece dentro da Igreja, porém, acrescenta-se uma dimensão completamente diferente, porque a vida de fé das pessoas é profundamente ferida e, às vezes, até destruída. Existe uma responsabilidade particular da Igreja de caminhar com essas pessoas e ajudá-las a buscar a cura. Nesse sentido, falei com elas sobre como a Igreja, de certas maneiras, foi vista como responsável, mas, ao mesmo tempo, penso que a própria Igreja tem um papel relevante a desempenhar para ajudá-las a achar o caminho da cura.
Xavier Normand (Le Pèlerin): Santíssimo Padre, boa noite. Antes de tudo, gostaria de agradecer pela sua viagem apostólica à França. Durante quatro dias, nosso país viveu ao ritmo do entusiasmo geral provocado pela sua visita. O que, na França, é um feito. Muito obrigado, Santíssimo Padre. O lema de sua viagem apostólica foi “Para que o mundo tenha vida”. O tema dos cuidados no fim da vida apareceu repetidamente em seus discursos. Na verdade, penso que o senhor o mencionou em mais da metade de seus discursos na França. Penso, em particular, no discurso no Palácio do Eliseu e no de ontem, em Lourdes, quando o senhor afirmou que aquilo que é legal não é necessariamente ética — uma referência clara à recente legalização da eutanásia na França. Na França, temos também o princípio da laïcité, que estabelece uma separação entre religião e política. O senhor considera que, quando algo é relevante, quando os interesses em jogo são elevados, essa fronteira, essa linha, deve ser ultrapassada em nome da primazia da consciência? E, nesse caso, o senhor ultrapassou essa linha?
Obrigado pela sua pergunta. Eu diria que, segundo a compreensão que a Igreja tem da separação entre Igreja e política, ou entre Igreja e Estado, eu não ultrapassei essa linha. E convido vocês a lerem ou relerem Magnifica Humanitas, onde falo sobre a Doutrina Social da Igreja na primeira seção, nos dois primeiros capítulos, e afirmo que, quando a Igreja fala sobre a defesa da vida ou sobre questões da Doutrina Social, não está entrando na política; está aplicando o Evangelho à vida das pessoas. E podem existir políticos, se assim quisermos dizer, tanto de esquerda quanto de direita, que afirmam: “A religião deve permanecer apenas na esfera privada”. Que cada um faça o que quiser em sua vida pessoal, mas, enquanto Estado, precisamos manter essa separação. Ora, justamente por isso, quando fui à França, fui principalmente para anunciar o Evangelho, para proclamar a Boa-Nova, para reafirmar aquilo que o próprio Jesus Cristo diz quando afirma: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. Ou seja, para proclamar a verdade que Jesus nos oferece. A defesa da vida é algo que, como todos vocês sabem, a Igreja ensina e no qual acredita profundamente. Por isso, por um lado, evidentemente sabendo que na França uma lei foi recentemente aprovada — e que também em outros países da Europa, assim como em outras partes do mundo, há um amplo debate sobre as questões relacionadas ao fim da vida —, é preciso considerar essa realidade. Mas estar em um lugar como Lourdes, onde as pessoas estão em busca de algo muito mais profundo, significa compreender que suas vidas, mesmo em meio à doença, à deficiência ou a diferentes formas de sofrimento, têm um sentido. A Igreja, por causa do próprio Jesus, quer estar próxima dessas pessoas e afirmar os valores que a própria vida, penso eu, representa para todos nós. Portanto, eu diria que, se isso é política, então eu a fiz. Mas não foi para me envolver na política francesa. Foi para ensinar aquilo em que a Igreja realmente acredita.
Íñigo Domínguez (EL PAÍS) Obrigado, Santo Padre, por compartilhar este momento conosco. O senhor já falou muitas vezes, inclusive nesta viagem, sobre a cultura do descarte que nos cerca e sobre a marginalização daqueles que não são considerados produtivos, entre eles os idosos e as pessoas com deficiência. Na Espanha, temos atualmente um caso que representa um pouco tudo isso e que causou grande indignação no país: o de Mari Carmen, uma mulher de 87 anos com deficiência que foi despejada de sua lar, em Madri, porque não conseguia pagar o aluguel. O valor do aluguel foi aumentado cinco vezes de uma só vez. Não sei se o senhor conhece esse caso, o caso de Mari Carmen. Mas, de qualquer forma, o que o senhor acha do problema da moradia que existe em toda a Europa, em todo o mundo, onde a especulação imobiliária expulsa os moradores das cidades e os jovens não têm condições de comprar uma lar? O que o senhor acha de todo esse problema?
Acredito que esse seja um bom exemplo de que a Igreja, como comunidade — ou nós, como seres humanos, como comunidade, mesmo para pessoas que não têm fé —, precisamos buscar soluções mais justas para que casos como esse não ocorram. Não conheço o caso ao qual o senhor se refere, mas me parece que seria um caso em que os vizinhos, a comunidade, a paróquia, a diocese ou o Estado teriam que se manifestar e questionar: como é possível que algo assim aconteça? Qual é o problema no sistema que permite que uma idosa, além de ter deficiência ou alguma dificuldade, seja, digamos, expulsa de sua lar? A Igreja fala muito sobre a exclusão e também sobre justiça. Ela convida, promove e busca, digamos, despertar em todos a capacidade de responder com um senso mais humano, de ser verdadeiramente sensível à dor e ao sofrimento dos outros. O problema da moradia, que existe em muitos países hoje, é um problema que uma paróquia sozinha, uma diocese sozinha ou a própria Igreja não poderão resolver. Mas acredito que há aí um grande desafio, no qual talvez tenhamos que exigir também dos líderes políticos e das autoridades que busquem uma solução para isso. Pois é evidente que o problema está aumentando, e muitas vezes reagimos apenas no momento da emergência, mas precisamos realmente identificar qual é a causa sistêmica desse problema e como ajudar.
Manuela Tulli (ANSA) Boa noite, Santidade. Hoje, e ao longo de toda esta viagem, o senhor enfatizou a necessidade do colóquio e, ao se dirigir à Europa, falou da ilusão do rearmamento, mas, ao mesmo tempo, disse que é preciso ter coragem para fazer renúncias e sacrifícios em prol do bem maior da paz. O conflito na Europa é aquele entre a Rússia e a Ucrânia; o que o senhor quis dizer ao falar desses sacrifícios? Além disso, o senhor acredita na negociação, pois enviou seus representantes — primeiro foi dom Gallagher e, nestes dias, está lá o Cardeal Zuppi —, mas como é possível dialogar com um Estado que agride, bombardeia e ameaça não apenas a Ucrânia, mas também outros países europeus? Obrigada.
A primeira coisa seria destacar os princípios da doutrina social da Igreja, na qual buscamos não promover a violência, o ódio, o armamento e os perigos que existem no mundo de hoje, inclusive por parte de alguns líderes de países que voltam a falar de armas nucleares e de guerras cada vez mais destrutivas, sobretudo no que diz respeito à questão da vida humana. Continuar a se armar, a gastar nessa tremenda indústria militar, que já há muitas décadas — desde o ano passado, há cinco anos — continua promovendo os gastos militares. Alguns poucos estão enriquecendo enormemente com uma indústria que promove a guerra. Quando, com esses milhares de milhões de milhões de euros ou dólares, seria possível resolver problemas como a fome no mundo, a pobreza, o desemprego, etc. Todos estão buscando uma voz que possa oferecer outro caminho, que não seja o de “vamos gastar mais em armas”, o que apenas promove cada vez mais a tensão que poderia resultar na eclosão de outra guerra, outro conflito. E vemos que a violência, que essas potências que buscam sempre impor com o poder em vez de dialogar e promover negociações sobre as diferenças que naturalmente podem existir, nos leva cada vez mais perto de uma guerra ou de várias guerras, conflitos como os que encontramos no mundo de hoje. Não sei quanto aos outros, e não é por ser político ou não político, mas uma voz que tenta promover os valores da dignidade humana, da importância da vida, da possibilidade de, talvez, gastar mais com saúde e educação e menos com armas, acredito que a Igreja tem a responsabilidade de promover esses valores, convidando continuamente líderes da Rússia, da Ucrânia e de outros países a virem, sentarem-se, dialogarem e buscarem soluções para os problemas sem dar continuidade a essas guerras que já não fazem sentido. Portanto, nesse sentido, a Igreja continua levantando a voz. Não podemos obrigar ninguém; às vezes parece que isso pode ser inútil, mas vamos continuar falando, vamos continuar convidando, vamos continuar anunciando o Evangelho.
Justin McLellan (National Catholic Reporter) Em Paris, o senhor falou sobre a necessidade urgente de um discernimento ético em torno do desenvolvimento da Inteligência Artificial e, após vários ataques cibernéticos realizados por agentes de IA fora de controle, diversos líderes da indústria tecnológica alertaram que essa tecnologia poderia arruinar o mundo. Até que ponto o preocupa a possibilidade de a IA representar riscos catastróficos para a humanidade ou até mesmo extingui-la por completo? E o que as nações, especialmente os Estados Unidos e a China, devem fazer para garantir que suas tecnologias sejam seguras para a humanidade?
Se alguém me perguntasse: “Estou em pânico?”. Não, não estou. Durmo tranquilamente à noite. Mas penso, sim, que as preocupações levantadas por muitos especialistas em Inteligência Artificial devem ser levadas a sério. Não penso que isso seja fake news, como alguns disseram, com o objetivo de obter algum tipo de benefício, seja financeiro ou de outra natureza. É interessante observar que justamente hoje li que o responsável pela NVIDIA afirma ter encontrado alguma maneira de inserir na IA certas salvaguardas, por assim dizer, ou limites, para que esses sistemas não ultrapassem seus próprios limites e causem os danos sobre os quais as pessoas estão falando. No entanto, ele é o mesmo que diz que não deveriam ser impostos limites nem regulamentações governamentais, etc. Esse é um problema sobre o qual penso que precisamos sentar e conversar. Precisamos continuar convidando líderes políticos, responsáveis pelo setor da Inteligência Artificial, organizações sociais e associações a se reunirem e analisarem aquilo que já está acontecendo e aquilo que poderá acontecer no porvir. Simplesmente dizer: “Ah, isso não vai acontecer”, e fechar os olhos para a questão, penso que provavelmente não seja a maneira mais responsável de lidar com isso. O Vaticano criou sua própria comissão sobre Inteligência Artificial que, por um lado, por assim dizer, surgiu como uma maneira de coordenar aquilo que nós mesmos estamos fazendo na Santa Sé, como estamos utilizando a IA e quais são os seus riscos e benefícios. Mas, desde a publicação da Magnifica Humanitas, recebemos muitos contatos de pessoas de diversas áreas e setores. Por isso, estamos procurando continuar promovendo o colóquio, o estudo e a pesquisa, a fim de achar maneiras de garantir que a IA não chegue a um ponto em que possa arruinar a humanidade ou excluir o ser humano da discussão. Sou relativamente otimista de que isso seja possível. Penso que há um número suficiente de pessoas seriamente interessadas nessa questão e dispostas a olhar para além, mais uma vez, das questões de poder: quem chegará primeiro, o que acontecerá quando a IA alcançar aquilo que chamam de Inteligência Artificial Geral, e assim por diante. Mas precisamos continuar trabalhando. Não podemos ficar de braços cruzados e fingir que nada vai acontecer.
Ludwig Ring-Eifel (KNA) Hoje estivemos em Metz, muito perto da fronteira alemã, mas, até agora, o senhor ainda não foi à Alemanha. Portanto, minha pergunta básica é: quando podemos esperá-lo do outro lado da fronteira? E isso tendo como pano de fundo dois fenômenos que talvez também o preocupem: o declínio constante da Igreja Católica na Alemanha e o surpreendente crescimento de partidos extremistas no país, que ameaçam romper o consenso em torno da Europa, sobre o qual o senhor falou hoje em Metz.
Com toda a humildade, direi que sou Papa há apenas cerca de quinze meses. Há muitos lugares que ainda não visitei. Tenho, sim, um convite. Espero voltar à Alemanha — quero dizer, já estive lá antes, mas não como Papa — e espero visitar a Alemanha, assim como espero visitar muitos outros lugares. Mas ainda não tenho uma programação definida. Ainda estou trabalhando na agenda do próximo ano, e a única viagem definitivamente programada é a Jornada Mundial da Juventude, na Coreia. Portanto, aos poucos estamos chegando lá. Mas obrigado pela paciência e pela pergunta. Sobre a expressão que o senhor usou, de que “a Igreja está morrendo na Alemanha”, ou sobre a diminuição dos números: as pessoas já disseram isso sobre a França no passado e, no entanto, vimos o que aconteceu ao longo destes últimos quatro dias. Acredito que, se encontrarmos o verdadeiro espírito missionário e a maneira adequada de colocá-lo em prática, ainda existem muitas, muitas pessoas na Alemanha que desejam viver e celebrar sua fé cristã e católica. Portanto, sou otimista em relação a isso, embora reconheça os problemas e as diferentes causas que atingiram duramente a Igreja. Mas isso também atingiu duramente — por assim dizer — a Igreja evangélica ou protestante e afetou a sociedade praticamente da mesma maneira. Mas espero poder me aproximar dessa realidade. Espero continuar trabalhando com os responsáveis pela Igreja na Alemanha e achar maneiras de responder a essa situação. Seria interessante estudar e analisar se existe, e de que maneira poderia existir, uma relação, por exemplo, entre o crescimento desses grupos de extrema direita. A própria extrema direita está se fragmentando agora, como se pode observar: um determinado grupo está se tornando ainda mais extremista em relação a outros grupos considerados de extrema direita. Ao mesmo tempo, vemos também algumas manifestações que combinam essas posições de extrema direita com um determinado tipo de religião. E não é apenas a minha opinião: tanto os líderes da Igreja Católica quanto os da Igreja Protestante na Alemanha já se pronunciaram a respeito, afirmando que isso não constitui uma expressão autêntica do cristianismo. E, mais uma vez, voltamos aos valores do Evangelho, que não são valores de ódio e divisão, mas de compreensão, compaixão e acompanhamento.
Espero profundamente — e espero que a Igreja também possa contribuir para isso — que possamos achar maneiras de nos aproximar da maioria das pessoas de boa vontade, que compreenderão a importância de seu compromisso, inclusive por meio da participação nos processos políticos, para que possam fazer escolhas claras em favor do bem comum, e não de ideias extremistas que talvez possam causar danos muito maiores do que aqueles dos quais temos consciência neste momento. Portanto, penso que todos nós devemos encorajar nessa direção. Mais uma vez, de nossa parte, como Igreja, por meio da Doutrina Social da Igreja, cabe-nos falar, ensinar e pregar aquilo que acreditamos serem valores que promovem a vida, e não a destruição, a divisão e o ódio.
O Papa concluiu a conversa com os jornalistas acrescentando algumas palavras de agradecimento:
Quero aproveitar esta oportunidade para agradecer às tantas pessoas que trabalham nos bastidores, que não recebem os aplausos que o Papa recebe quando passa, mas que desempenharam um papel fundamental na organização desta viagem: tanto as pessoas na Santa Sé quanto as pessoas na França, os bispos franceses e tantos, tantos leigos que trabalharam nas diferentes atividades e em sua organização. Quero, portanto, dirigir uma palavra especial de gratidão a todos eles e também a vocês. Muito obrigado.

