As eleições estadunidenses podem se tornar um ponto de inflexão para a questão iraniana: após as ameaças do presidente norte-americano Trump sobre uma nova ofensiva em grande escala após o término da votação, Teerã se mostra aberta a possíveis negociações e volta a propor a reabertura do Estreito de Ormuz em breve. Enquanto isso, os EUA atacam instalações militares na ilha de Qeshm
Vatican News
O Irã tenta evitar uma nova ofensiva dos Estados Unidos, que enfrenta esta terça-feira, 3 de novembro, as eleições de meio de mandato; após as quais — conforme a ameaça repetida pelo presidente Donald Trump nos últimos dias — Washington poderia voltar a atacar Teerã, conforme também solicitado por Israel.
Sinais de esperança na diplomacia
O Irã se declarou pronto para reabrir o Estreito de Ormuz em dois dias, em vez dos sete inicialmente previstos. E o Líder Supremo, Mojtaba Khamenei, acelera possíveis novas negociações, conferindo ao governo “a autoridade necessária” para isso. “Estamos nos empenhando para resolver essas questões por meio do colóquio”, ressaltou o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian. Essas declarações trouxeram uma trégua, pelo menos para os mercados e, em particular, para os preços do petróleo: o WTI chegou a perder até 6,7%, caindo para 97,1 dólares por barril, enquanto o Brent atingiu a mínima de 105,86 dólares, com a mesma porcentagem de queda.
Os pontos em discussão
“Considerando a delicadeza e a gravidade da situação atual, as consultas e discussões estão sendo muito intensas”, declarou o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, destacando o “papel de mediação muito ativo” do Catar e do Paquistão. No entanto, Araghchi não escondeu os obstáculos, destacando que no centro das discussões continuam as exigências de Teerã apresentadas em um plano já rejeitado pelo chefe da lar Branca: a reabertura do Estreito com uma trégua em todas as frentes da região, o desbloqueio de seus ativos no exterior, a revogação das sanções que afetam o setor petrolífero iraniano e o fim do bloqueio naval dos EUA contra os portos do Irã.
O confronto no campo de batalha
Enquanto isso, durante a noite de segunda para terça-feira, as forças dos EUA atacaram sistemas de radar e lançaram mísseis contra a ilha iraniana de Qeshm, a maior do Golfo Pérsico, que abriga uma base naval e uma instalação subterrânea de mísseis, já alvo de ataques durante as hostilidades entre os Estados Unidos, Israel e Irã, iniciadas no último dia 28 de fevereiro. A última operação dos EUA foi definida como “defensiva”, em resposta ao uso de mísseis iranianos contra alvos estadunidenses.

