De acordo com os últimos dados divulgados pelo ministro da Defesa, Ernesto Justiniano, a seca já afetou 114.048 famílias em 63 municípios distribuídos por seis dos nove departamentos bolivianos. Dessas, 78.217 foram afetadas pela falta de água, enquanto outras 35.831 sofreram danos diretos às suas atividades e meios de subsistência
Vatican News
O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, declarou estado de emergência nacional para enfrentar os efeitos do fenômeno climático El Niño, que ameaça o país sul-americano com secas e inundações. A medida, adotada em 31 de outubro por meio do decreto supremo 5.759, permitirá mobilizar recursos humanos e econômicos, reforçar as equipes de resgate e coordenar as intervenções com as autoridades locais e os organismos de cooperação internacional.
Mais de 114.000 famílias afetadas pela seca
O chefe de Estado explicou que a decisão visa antecipar as consequências de um fenômeno que poderia afetar gravemente diversas regiões do país. A situação é particularmente preocupante nas áreas rurais, onde a falta de chuvas já está comprometendo o acesso à água e as atividades agrícolas e pecuárias. De acordo com os últimos dados divulgados pelo ministro da Defesa, Ernesto Justiniano, a seca já afetou 114.048 famílias em 63 municípios distribuídos por seis dos nove departamentos bolivianos. Dessas, 78.217 estão sofrendo com a falta de água, enquanto outras 35.831 sofreram danos diretos às suas atividades e meios de subsistência. O balanço, referente ao período entre junho e outubro, abrange 1.486 comunidades e mais de 167.000 hectares de terras agrícolas danificadas, das quais mais de 60.000 são consideradas perdidas. Além disso, registra-se a perda de mais de 75.000 cabeças de gado. Entre os departamentos mais afetados está Oruro, no planalto andino, seguido por La Paz e Chuquisaca. As consequências podem agravar as dificuldades econômicas das famílias que dependem da agricultura e da pecuária, colocando sob pressão a produção de alimentos e a disponibilidade de recursos hídricos.
Perspectivas para os próximos meses
O que mais preocupa as autoridades são, sobretudo, as previsões para os próximos meses. O El Niño, fenômeno associado ao aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial, pode alterar a distribuição das chuvas, provocando longos períodos de seca em algumas áreas e chuvas intensas em outras. Na Bolívia, enquanto o Altiplano, os vales andinos e o Chaco enfrentam a falta de água, outras regiões podem estar expostas a inundações, transbordamentos de rios, granizo e deslizamentos de terra. A estação chuvosa, que geralmente se estende de novembro a março, representa, portanto, mais uma incógnita. O governo convidou os governos locais, as forças armadas e os órgãos de proteção civil a intensificarem as medidas de prevenção. O objetivo é conter os danos de uma emergência climática que, segundo as autoridades, pode se estender até os primeiros meses de 2027.

