Pelo menos sete pessoas morreram a bordo de um bote inflável no qual viajavam 139 migrantes, resgatado a cerca de 150 quilômetros a nordeste da ilha de Lanzarote, na Espanha, pela lancha Urania do serviço de resgate marítimo local. Os 132 sobreviventes, 120 homens e 12 mulheres, foram desembarcados no porto de Arrecife, onde receberam atendimento dos serviços de saúde e da Cruz Vermelha
Vatican News
Mais vítimas na rota migratória que vai da África ao arquipélago espanhol das Canárias, uma das mais letais do mundo, segundo a Organização Internacional para as Migrações. Pelo menos sete pessoas morreram a bordo de um bote inflável no qual viajavam 139 migrantes, resgatado a cerca de 150 quilômetros a nordeste da ilha de Lanzarote, na Espanha, pela lancha Urania do serviço de resgate marítimo local.
O desembarque ocorreu nas primeiras horas da manhã de segunda-feira
Os 132 sobreviventes, 120 homens e 12 mulheres, foram desembarcados no porto de Arrecife, onde receberam atendimento dos serviços de saúde e da Cruz Vermelha. A operação ocorreu nas primeiras horas da segunda-feira, 2 de novembro, por volta das 5h20 da manhã. De acordo com os depoimentos coletados pelas equipes de resgate, apenas dois dos sete corpos sem vida ainda estavam na embarcação no momento da chegada dos meios de resgate. Os outros cinco teriam sido jogados no oceano durante a travessia, em circunstâncias ainda a serem esclarecidas. As autoridades espanholas estão tentando reconstruir o que aconteceu antes da intervenção.
Dados cada vez mais alarmantes
A tragédia ocorre em meio a um novo aumento nas chegadas ao arquipélago espanhol, onde, nos últimos dias, as operações de resgate se multiplicaram. Somente na segunda-feira, mais de 380 migrantes foram resgatados nas águas das Ilhas Canárias. Outra embarcação com 59 homens de origem magrebina foi interceptada a poucos quilômetros da costa de Lanzarote, enquanto um grupo de 90 pessoas foi resgatado nas proximidades da ilha de El Hierro. Lá, no dia anterior, já haviam chegado 107 migrantes, entre eles mulheres e menores, e duas pessoas precisaram de atendimento hospitalar. Apesar da redução geral no número de desembarques em relação a 2025, nas últimas semanas registrou-se um aumento nas travessias. De acordo com dados divulgados pela agência Reuters, desde o início do ano chegaram às Ilhas Canárias 11.527 migrantes, 18% a menos em comparação com o mesmo período do ano anterior. No mês de outubro, no entanto, as chegadas voltaram a crescer, aumentando a pressão sobre as estruturas de acolhimento e os serviços de emergência das ilhas.
Uma rota letal
A rota do Atlântico Ocidental, percorrida por embarcações que partem das costas do noroeste e do oeste da África, continua sendo uma das mais perigosas para quem tenta chegar à Europa. As distâncias, as fortes correntes oceânicas e as condições meteorológicas tornam particularmente arriscadas as travessias, que podem durar vários dias e são frequentemente realizadas a bordo de embarcações superlotadas e desprovidas dos equipamentos de segurança necessários. De acordo com a Organização Internacional para as Migrações, em 2025, pelo menos 1.214 pessoas morreram ou foram dadas como desaparecidas ao longo dessa rota, enquanto nos primeiros seis meses de 2026 foram registradas outras 168 vítimas e pessoas desaparecidas. Esses números podem estar abaixo da real dimensão da tragédia, já que muitas embarcações desaparecem sem deixar rastros. O presidente das Ilhas Canárias, Fernando Clavijo, chamou a atenção para os perigos da travessia, enquanto o último naufrágio traz de volta ao centro das atenções o custo humano das viagens pelo Atlântico.

